Dallas foi – e ainda é – um dos maiores clássicos da TV. Afinal, não é qualquer série que dura 14 temporadas (entre 1978 e 1991, fora os filmes para a TV) trazendo grandes histórias, dramas e reviravoltas, todos baseados no clã Ewing, uma reconhecida família que vive nos arredores de Dallas, Texas. E quem diria que, mais de 20 anos depois, a mesma série voltaria à TV com novos episódios, novos protagonistas e um embate tão memorável quando o que foi visto nos anos 70 e 80? Pois foi isso que aconteceu ontem, com a estreia de Dallas na Warner Channel – uma semana depois da mesma estreia ter acontecido na TNT estadunidense.

É bom lembrar que este aqui não é mais um remake, reboot ou algo assim. Trata-se da mesma Dallas, do mesmo rancho Southfork, da mesma família Ewing. Os anos, claro, passaram e agora somos apresentados a uma nova geração de membros da família, que lutarão pelo pouco que restou do império construído por Jock Ewing. Só que os confrontos do passado também estão lá, e é justamente nisso que a nova série acerta.

Logo no começo do episódio-piloto reencontramos Bobby Ewing, um dos protagonistas da antiga série, agora mais velho e com um grave problema de saúde – o qual ele esconde de todos. Após tantos anos de luta com o irmão mais velho, J.R., Bobby e a família vivem tempos tranquilos, até porque a Ewing Oil agora é administrada por Cliff Barnes.

Se a falta da riqueza negra diminuiu os conflitos entre os Ewing, eles estão prestes a retornar. É aqui que a nova Dallas começa – e já empolga no primeiro episódio.

John Ross Ewing III, o filho do vilão da série original, o J.R., furou sem autorização um trecho do rancho Southfork, onde a família vive há 150 anos, e encontrou petróleo. MUITO petróleo. No entanto, Bobby, que manda nos negócios da família (pois J.R. está internado em um asilo com depressão), é contra qualquer ação do tipo. Por ele, será mantido o desejo de Ellie Ewing, a matriarca da família na série clássica, que não queria ver qualquer perfuração no rancho e que o local fosse mantido para a posteridade. Assim, Bobby está pensando em vender Southfork e colocar o dinheiro na empresa do filho adotivo, Christopher, que está investindo em pesquisas com energia limpa. “Petróleo é o passado”, sabe como é.

Ou seja, John Ross quer o rancho contra a vontade do tio, que quer vender o local e dar o dinheiro para o filho. Mais uma vez o business está entre os membros da família Ewing.

É TRETA!

Só que agora o confronto ganhará novos contornos que vão além dos escritórios da Ewing Oil. Há alguns meses, Christopher era noivo de Elena, mas ela o abandonou no altar no dia do casamento. Agora Elena está com John Ross e Christopher está prestes a se casar com Rebecca Sutter, uma garota que conheceu logo após a separação.

Com tanto rancor entre os primos, o plano de Bobby para viver uma vida tranquila – algo que o personagem quis desde o primeiro episódio da primeira série, mas nunca conseguiu – vai acabar e há algo ainda pior: como uma fênix que renasce da discórdia, J.R. repentinamente acorda de seu isolamento de anos no asilo, pronto para desfazer os planos do irmão e retornar ao topo com o petróleo recém-encontrado em Southfork, mesmo que, para isso, tenha que ir contra a vontade da própria mãe.

Aliás, como é legal ver o Larry Hagman novamente em ação, atuando. Talvez o ator seja mais conhecido pelos brasileiros como o Major Nelson de Jeannie é um Gênio, mas foi em Dallas que Hagman marcou seu nome entre os maiores atores da história da TV. Quando J.R. finalmente acorda, bota o chapéu e começa a executar o plano para acabar com o irmão, é impossível não ver as tensões de décadas novamente se alinhando em torna deste grande vilão.

HE'S BACK!

Josh Henderson, ao menos neste episódio-piloto, não ficou para trás. É impossível não ver um vilão surgindo em John Ross, um personagem dissimulado que pode fazer tudo para conquistar o que deseja – até mesmo indo contra a vontade do próprio pai. Sim, os vilões de Dallas, mesmo sendo pai e filho, não farão um time ou algo assim. Eles podem até trabalhar juntos, mas cada um com seus objetivos e conspirando também contra o outro, como deve ser sempre entre os Ewing.

Tem mais. Quem viu a série original sabe que também existe uma enorme revelação em torno de John Ross, que com certeza deve ser trabalhada em algum momento no futuro – algumas pistas, inclusive, já foram deixadas no primeiro episódio.

Pattrick Duffy também está muito bem. Afinal, foram 14 anos interpretando o Bobby, então é como se o personagem já fizesse parte do ator. Ainda assim, foi interessante ver as falas do atual patriarca dos Ewing no primeiro capítulo, mostrando alguém amargurado pela forma que foi mudado pela própria família e pelos acontecimentos que se sucederam.

Jesse Metcalife, por outro lado, lembra um pouco o Bobby do começo de Dallas com o seu Christopher. É um personagem que quer crescer por conta própria. No entanto, enquanto Bobby queria, no passado, mostrar que podia ser grande sendo ou não um Ewing, Christopher quer justamente fortalecer sua posição na família, já que é adotado.

Dois bons motivos para você ver Dallas: Jordana e Julie!

No elenco feminino, é preciso elogiar também a ~quase~ brasileira Jordana Brewster. A personagem dela, Elena, não chega a ser uma vilã e ainda é apaixonada por Christopher, mas você sente que ela está se deixando seduzir pelo “lado negro” ao lado de John Ross. Enquanto isso, a Julie Gonzalo meio que coloca a Rebecca muito parecida com o que foi Pamela Barnes (a primeira esposa de Bobby) no começo da série original, uma pessoa que aparentemente tem um bom coração e é mais próxima do telespectador, como e fosse alguém como nós no meio daquela disputa por dinheiro familiar.

Já no elenco secundário, alguns outros personagens da série original retornaram. Destaque negativo para a Sue Ellen, a mãe de John Ross e primeira esposa de J.R., novamente interpretada por Linda Gray, mas agora com o rosto mais esticado que os de Angela Bismarck e Brunete Fraccaroli. Juntas.

Ainda é cedo para afirmar se esta nova Dallas irá longe como a original – que, é bom que se diga, teve erros e acertos durante sua trajetória, perdendo a mão em alguns momentos, como no ano que disse que todos os acontecimentos da temporada foram um sonho.

De qualquer forma, o que foi visto ontem na Warner Channel é bastante promissor.

Caso você tenha perdido o primeiro episódio de Dallas por estar assistindo a estreia de Gabriela – o que é bem justo, a reprise acontece domingo, às 22h.

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