Red Hot Chili Peppers. Banda top 1 em minha vida. Não apenas pela música cair em meu gosto desde sempre, mas também pelo fato das canções se ligarem intimamente com vários fatos da minha vida. Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith, John Frusciante, Hillel Slovak, Jack Irons e Dave Navarro são atores ativos da minha vidinha neste mundo. Por tudo isso, nada mais justo que vir aqui e compartilhar com vocês minha impressões de I’m With You, o mais recente álbum da banda californiana, lançado no fim de agosto, pondo fim a um hiato de cinco anos sem um novo álbum de estúdio dos caras.

Assim como na capa, o visual minimalista é uma característica de I'm With You

Antes de chegar às músicas propriamente ditas, é bom registrar que I’m With You representa uma nova fase na carreira dos Chili Peppers. Afinal, após o lançamento de Stadium Arcadium, a banda deu um tempo e o guitarrista John Frusciante saiu do grupo. Agora, Kiedis, Flea e Smith contam com a companhia do guitarrista Josh Klinghoffer, que já havia tocado com Frusciante na carreira solo do músico, além de ter feito parte de bandas como PJ Harvey, Ataxia e Spleen.

Sem dramas com a mudança. Afinal, os Chili Peppers já viveram sem John Frusciante antes. Porém, os álbuns de maior sucesso (e melhor qualidade) do grupo foram com os seus membros mais clássicos (Blood Sugar Sex Magik, Californication, By The Way, Mother’s Milk e, por que não dizer, Stadium Arcadium). Sim, One Hot Minute, que contou com a presença de Dave Navarro na guitarra, também foi um grande álbum, mas em um estilo completamente diferente do que a banda havia feito antes e do que faria depois.

Com tudo isso em mente, é hora de dar play em I’m With You. O álbum começa com Monarchy of Roses, uma música que mostra uma evolução sonora no grupo. Sim, ainda parece o som do RHCP, mas com um “quê” de banda britânica pop dos últimos anos. Há bastante distorção no começo, inclusive na voz de Anthony Kiedis. Depois, tudo “clareia” em uma ótima música, com um refrão forte, daqueles que gruda na cabeça. De cara, a melhor música de I’m With You, empatada com outra que vocês vão ver mais para frente.

Em seguida, chega a vez de Factory of Faith. Aqui, os Chili Peppers retomam a pegada funk, com o baixo característico. Klinghoffer, também com suas influências funks, faz o mesmo com a guitarra. Já a terceira música, Bredan’s Death Song, traz novamente outras influências, lembrando mais muito do que foi visto em Stadium Arcadium em uma melodia mais bonitinha, melosa, e uma letra daquelas profundas feitas por Kiedis. É triste, sim, mas ao mesmo tempo alegre, afinal a morte faz parte da vida, é o caminho natural, algo que fica bem claro na canção.

Em Ethiopia, o grupo retoma uma pegada ao estilo Californication e By The Way, tanto nos vocais quanto no baixo e na guitarra. Depois, Annie Wants a Baby começa com uma baterista forte de Chad Smith, acompanhada, é claro, pelo baixo de Flea. Mais uma vez é o RHCP no melhor de sua forma, em uma música completamente no espírito dos álbuns de maior sucesso da banda.

Para quem estava reclamando de ter “mais ou do mesmo” em I’m With You, o Chili Peppers dão o recado certo na sexta música, Look Around. Claro, o DNA da banda está lá, com a influencia do funk e tudo mais, mas a música agrega uma nova sonoridade, com o novo guitarrista brincando mais, sem ser tão respeitoso ao trabalho do antecessor.

Em seguida chega a vez do primeiro single do álbum, que já está tocando nas rádios de todo o mundo, The Adventures of Rain Dance Maggie. Apesar de não ser a melhor música de I’m With You, ela é bem representativa das mudanças da sonoriedade da banda, começando mais próximo do que se ouviu em Stadium Arcadium, mas rapidamente evoluindo para algo mais sublime, que é, porque não, uma característica das novas canções.

Josh Klinghoffer, Anthony Kiedis, Flea e Chad Smith

A oitava música talvez seja a mais inusitada. Did I Let You Know é, com certeza, a mais dançante de todo o álbum, com um backing vocal sensacional. Enquanto isso, a letra fala da questão ambiental, do futuro do mundo, mas sem ser piegas, algo que não combina com a banda. Com um refrão forte, disputa fácil com Monarchy of Roses o título de melhor música de I’m With You.

Goodbye Hooray coloca uma pitada de movimento ao álbum logo em seguida, incluindo um riff bem funk de guitarra seguido logo por um trecho mais lento, contemplativo, cheio de backing vocals. Mas isso dura pouco, já que a movimentação volta logo em seguida.

Happiness Loves Comany, a décima de I’m With You e última a ser produzida, traz outro fato inusitado para a carreira dos RHCP, já que se baseia em uma grande melodia feito no piano pelo Flea. Depois, em Police Station e Even You Brutus?, diria até que a banda flerta com o progressivo, com a diferença que a segunda música traz um vocal mais gritado de Anthony Kiedis.

A penúltima canção, Meet Me At The Corner, é mais lenta, trabalhando bastante os vocais e, novamente, os backing vocals, que definitivamente são a característicsa mais marcante no álbum como um todo. Para acabar, chega a vez de Dance, Dance, Dance. Como o nome entrega, é mais uma música dançante de I’m With You, mas não tanto como Did I Let You Know.

Depois das 14 músicas, fica evidente que os Red Hot Chili Peppers voltaram com a mesma velha forma da década passada e com novas influências, mas sem deixar de soar como os Red Hot Chili Peppers. Claro, aquela energia sexual que existia no começo da banda se foi há muito tempo e não retornou em I’m With You. Ok, há ainda uma energia sexual no álbum, mas é muito pouco para quem se apresentava apenas com meias – e eles não ficavam nos pés.

Ok, todo mundo evolui, cresce. Isso acontece comigo, com você e com os Chili Peppers. E que bom que é assim.

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