Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Avantasia em São Paulo


Quem tinha qualquer dúvida a respeito do resultado desta empreitada, a cristalização ao vivo das bem-sucedidas canções conceituais de Tobias em três álbuns repletos de convidados especiais, teve que engolir em seco o impacto e a vida própria que as faixas adquiriram ali, cara a cara com um bando de cabeludos com aquela energia típica dos brasileiros. Foi uma paulada, para cantar — e berrar, sejamos sinceros — junto até ficar sem voz.

Thiago "El Cid" Cardim


“Do caralho, São Paulo”, disse um Tobias Sammet — mais conhecido como o irreverente frontman do grupo alemão Edguy — um tanto apreensivo com a frase em português ensinada em cima da hora pelo amigo André Matos (Angra/Shaman), em pleno palco do Credicard Hall, em São Paulo. O impacto que ela causou, no entanto, foi explosivo. A platéia da única apresentação do projeto paralelo Avantasia realizada no Brasil repetiu a expressão inúmeras vezes durante o show, em saudação ao verdadeiro dream team do metal melódico/power metal que desfilou pela casa de shows paulistana em quase duas horas de música. E quer saber? Não poderiam estar mais certos. Foi do caralho, Mr.Sammet.

Quem tinha qualquer dúvida a respeito do resultado desta empreitada, a cristalização ao vivo das bem-sucedidas canções conceituais de Tobias em três álbuns repletos de convidados especiais, teve que engolir em seco o impacto e a vida própria que as faixas adquiriram ali, cara a cara com um bando de cabeludos com aquela energia típica dos brasileiros. Foi uma paulada, para cantar — e berrar, sejamos sinceros — junto até ficar sem voz.

Ok, qualquer fã (incluindo este que vos escreve) adoraria ver o time completo das bolachas originais se revezando aos microfones, de David DeFeis a Alice Cooper, passando por Roy Khan, Kai Hansen, Timo Tolkki e pelo não menos lendário Michael Kiske. Mas todos nós sabemos que conciliar tantas agendas assim seria impossível (e eu gostaria muito de ver alguém conseguir convencer Kiske a tocar ao vivo com uma banda de heavy metal…). Todavia, Sammet se saiu muito bem com os poucos gogós privilegiados que o acompanharam.

Na abertura, logo após a climática “Twisted Mind”, o excelente Jorn Lande (ex-Masterplan) juntou-se a ele numa dobradinha em “The Scarecrow” e “Another Angel Down”, ambas do terceiro disco. A dupla ainda duelaria para saber quem faz mais agudos por minuto em “Promised Land” (do EP “Lost in Space 2″) e também na porradeira “Serpents in Paradise”, do primeiro “Metal Opera”.

Ao lado do sempre presente Matos, o edguy cantou “Reach Out for the Light”, “No Return” e “Shelter From the Rain” (na qual o brasileiro fez as vezes do ídolo Kiske, de maneira bem competente e sem exageros) – isso sem esquecer a tantas vezes solicitada “Inside”, com André e Tobias entoando praticamente à capela, apenas com um coral de milhares de vozes e o teclado delicado de Miro Rodenberg. E o carismático Oliver Hartmann (At Vance), que além de cantar também tocou guitarra durante todo o show, deu o ar da graça na maior parte das canções, com destaque para a deliciosa dor de cotovelo hard rock de “I Don’t Believe in Your Love” (que eu continuaria entoando por toda a segunda-feira, devo admitir).

No entanto, mesmo com tantos astros brilhando no Credicard Hall, não dá para negar que o próprio Tobias Sammet foi a presença mais marcante, gostem seus detratores ou não. Se nas apresentações do Edguy ele já domina o palco com talento ímpar, nesta turnê do Avantasia temos um Tobias que não poderia estar mais à vontade. Ainda mais saltitante e provocativo (“Não sei, mas acho que os argentinos fizeram mais barulho do que vocês…”), o vocalista encontrou nas músicas épicas e com as mais diferentes possibilidades de interpretação o espaço para ser ainda mais performático. Sim, isso é possível. Careteiro e brincalhão, teatral e quase bonachão, ele não parava um minuto, agitando os braços, girando a haste do microfone ou provocando os colegas de banda. Agitando a bandeira do Brasil num mastro, honrou o mestre Bruce Dickinson e teve o seu momento “The Trooper” particular.

Antes de “The Story Ain’t Over”, desculpou-se pela ausência de Bob Catley, dizendo que preferiu manter a canção que vem sendo executada durante toda a turnê do que retirá-la do setlist. “Não vou cantar tão bem quanto ele, mas prometo fazer o meu melhor”, confessou, em um momento de canastrice extrema e pura falsa modéstia. Mais tarde, antes de “Lost in Space”, revelou que teve uma intoxicação alimentar no Chile e, depois de vomitar um pouco, tinha a impressão de que sua voz não estava 100%. “Perdoem-me, mas vamos continuar mesmo assim”. E aproveitou para desabafar e cutucar os “críticos” pentelhos que tanto disseram que a música, primeiro single de “The Scarecrow”, seria uma peça meramente comercial. “Eu gosto muito desta canção, e a acho muito boa. Aliás, é claro que é boa, porque é uma música do Avantasia”, disparou, com um largo sorriso. “E tenho certeza que todos vocês vão cantar comigo a plenos pulmões”. Pois é. Acertou na mosca. Onde estavam os freqüentadores de fóruns que começaram a chamá-lo de “Bom Jovi germânico” naquele exato momento…?

No bis, o casacão e a cartola serviram para evocar o espírito de Alice Cooper na sombria “The Toy Master”, que o acompanha na música original. E não é que Sammet deu conta de tudo sozinho, fazendo uma voz específica para as partes de Cooper e outra para as suas próprias, criando um evento deveras interessante? A seguir, outro momento vindo diretamente do primeiro álbum, e também muito solicitado pelos admiradores. Saindo do cantinho de backing vocal que dividiu o tempo todo com Claudy Young, a loiríssima Amanda Sommerville (que de gordinha não tem nada, vá!) veio para os holofotes e, muitíssimo aplaudida, fez com Tobias o tocante dueto de “Farewell” – que, no final, ainda deu espaço para a dupla cantar sozinha, sem qualquer instrumento acompanhando, para delírio da galera.

Quando começou “Sign of the Cross”, o público explodiu em alegria, e o líder do Avantasia viu, com nítida satisfação estampada no rosto, aquelas milhares de pessoas cantando sozinhas as primeiras estrofes. Ele então interrompeu a cantoria, apresentando longamente – e com muito bom humor — cada um dos presentes ao seu lado, incluindo o baixista Robert Hunecke-Rizzo, o guitarrista (e produtor) Sascha Paeth e o baterista grandalhão Felix Bohnke, seu parceiro de Edguy e com quem fez a piada habitual sobre o tamanho reduzido de suas partes baixas…E prometeu: “Esta é a primeira e única vez que fazemos isso, e não poderíamos deixar de passar por aqui. Vocês foram nosso melhor público. Saibam que, se um dia voltarmos a fazer uma turnê do Avantasia, com certeza estaremos aqui”. Então, com Lande, Matos, Sommerville e Hartmann, mesclou “Sign of The Cross” com o poderoso e irresistível refrão de “The Seven Angels”, a faixa que abre o segundo “Metal Opera”. Um final apoteótico e merecido. Sim. Um show que ficará mesmo na memória.

É, seu Tobias. Foi mesmo do caralho. Para ser “do grande caralho”, faltava apenas você bater aquele papo com o Kiske. Tenta lá. Vai que cola? :-)

Line-up
Tobias Sammet, André Matos, Jorn Lande, Amanda Sommerville e Claudy Young (vocalistas)
Oliver Hartmann (vocalista e guitarrista)
Sascha Paeth (guitarrista)
Robert Hunecke-Rizzo (baixista)
Felix Bohnke (baterista)
Michael “Miro” Rodenberg (tecladista)

Setlist
Twisted Mind
The Scarecrow
Another Angel Down
Reach Out for the Light
Inside
The Story Ain’t Over
Shelter From the Rain
Lost in Space
I Don’t Believe in Your Love
Avantasia
No Return
Serpents in Paradise
Promised Land

Bis
The Toy Master
Farewell
Medley: Sign of the Cross/The Seven Angels

Comentários
Já são 10 sobre esse post -- até agora

  Seth_Venom

puta-que-me-pariu…
eu NÃO fui… ÓDIO MOR!!!

25 de Junho de 2008 às 21h22
  Bataja

Realmente, nas palavras do próprio Tobias, foi DO CARALHO MESMO!!!! (tá, o mesmo foi eu quem colocou agora).
Um show sensacional para a melhor platéia do mundo (eu não sei porque, mas um DVD gravado aqui e não no Wacken mostraria um público muito mais empolgado - mas provavelmente na Alemanha estarão mais convidados!!).
Sensacional, do começo ao fim.
Ah, e sobre o tio Kiske: ele não sobe num palco desde que saiu do Helloween… está com frescura não só com o Metal, mas com toda e qualquer coisa. Pena (ou sorte!) que ele está cada vez melhor.
E sem contar que, pessoalmente, tive grande satisfação ao ver e ouvir dois dos melhores vocalistas do Rock’n Roll da atualidade (Oliver e Jorn). Junto com um time invejável acompanhando eles (foi praticamente o “Usa for Africa” - “We are the World”, para os leigos - do Metal!!)
E pra encerrar … a Amanda é linda… mas a Claudy, meu Deus… era casa, comida e roupa lavada no mínimo.

25 de Junho de 2008 às 21h51
  Eddie Deadlock

Não lembro de ter visto um show com o som tão bom como esse. Não sei se era pq eu estava na platéia superior, mas estava tudo muito nítido.

25 de Junho de 2008 às 22h33
  João

Krai… Nesses momentos eu tenho raiva de morar no Nordeste… Aliás, tenho raiva de ser liso, pq morar no nordeste não foi problema pra vários amigos meus que foram pra Maiden…

Ainda bem que não tocaram The Tower (minha música favorita), senão eu ia me arrepender amargamente a minha vida toda de não ter pedido empréstimo a algum agiota pra ir a esse show =D

25 de Junho de 2008 às 23h31
  Adolpho Costa

Poxa me arrependo de estar desempregado e morar no rio, omg seria o show da minha vida heahueah. Gratz pra quem foi, deviam ter gravado um dvd na boa. Não é todo dia que se junta todos esses músicos em um único palco.

26 de Junho de 2008 às 1h13
  Claudinei Santos

Cara, o show foi demais mesmo!! E de pensar que eu quase perdi, pois comprei o ingresso quando já havia começado o show, insistindo para que a moça da bilheteria me vendesse o mesmo! Ela teve que fazer a maior correria para liberarem o ingresso para mim, mas valeu a pena!!! Infelizmente, por conta deste imprevisto acabei perdendo as três primeiras canções, mas quando consegui entrar na casa fiz questão de nem piscar para não perder nenhum momento, que sabia, se tornaria especial!!! Abraço a todos!! Keep on rockin…

26 de Junho de 2008 às 2h07
  JP

ódio mortal - eu nao fui…- tava zuadaço -

El Cid - o nome do ex vocalista do Angra e do Shaman é sem acento.

Abs

JP

26 de Junho de 2008 às 11h46
  LE9

Nem fiquei sabendo deste show, senão iria.

=\

26 de Junho de 2008 às 19h02
  Hugo

foi muito foda o show!!!

não tem como descrever, quem tava lá sabe, quem não tava pode ter um vislumbre pelos vídeos, mas não é o mesmo!!!

foi uma noite pra nunca se esquecer, simplesmente fodástica!!! \m/

P.S.: bem escrito o texto, mas alguns detalhes, é Andre Matos e Claudy Yang, e nessa parte: “Ao lado do sempre presente Matos, o edguy cantou “Reach Out for the Light””, faltou frontman ou algo parecido, mas só estou dizendo pra aprimorar o texto ;)

flw

26 de Junho de 2008 às 19h23
  Vitor

El Cid, to esperando um review seu do novo cd do Coldplay heim.

26 de Junho de 2008 às 19h28
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