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Thiago "El Cid" Cardim![]() Os últimos meses têm sido de pura experimentação musical para mim. Se já sou naturalmente um cara com um ecletismo que chega a ser assustador (perguntem ao Zarko, ele dá maiores detalhes), o negócio vem extrapolando cada vez mais. Noutro dia, passei do Radiohead – prometo que ainda comento por aqui sobre o tão badalado “In Rainbows”, que ouvi e achei beeeeeeeem meia-boca – para o Sidney Magal sem respirar, dando ainda uma boiada para o Primal Fear (não confundir com o Primal Scream, fazendo o favor) e para o Almir Guineto. Enfim: o fato é que, no meio desta salada sonora, a voz que mais tenho ouvido mesmo é a de um certo alemão chamado Tobias Sammet.
Seja à frente do Edguy, seja capitaneando o elenco de estrelas metálicas do Avantasia, o cara se tornou instantaneamente um dos meus ídolos. Ao lado do João Marcelo Bôscoli (filho da Elis, dono da Trama e, atualmente, “aquele cara que pega a Eliana”) e do Lobão, Sammet foi um dos entrevistados mais bacanas com os quais tive prazer de conversar. Mais do que inteligente, trata-se de um cara com fino talento para a ironia, daquele tipo bem-humorado e que não tem qualquer vestígio do assustador “politicamente correto” babaca que assola os meios de comunicação, sempre com uma declaração ácida e sacana na ponta da língua. Mas, todavia-contudo, sei muito bem que boa parte dos headbangers mais radicais não o suporta nem pintado de ouro. Ele mesmo sabe disso, aliás, ao afirmar que os seguidores do black metal na Alemanha se contorcem de dor ao vê-lo subir ao palco. “Meu Deus, ele está sorrindo!”, pensam os trolls das florestas da Noruega enquanto correm com seus machados, gritando “Infernal Hails!”. Eu juro que entendo o motivo, apesar de não concordar com o dito cujo. Afinal, o rock e suas variantes (em especial as mais pesadas) convivem diariamente com o que gosto de chamar de “a síndrome da cara de mau”. Fãs, críticos e muitas vezes até os músicos se convencem de que o rock ‘n’ roll só é bom quando bufa, rosna, torce as sobrancelhas, se joga nas paredes e grita até estourar os tímpanos. E tem que vestir sempre preto, isso é evidente. Como assim, fazer um heavy metal com maracas e uma melodia inspirada nos sons do Caribe? E ainda com uma letra engraçadinha? Que heresia! Acho tudo isso uma baita duma bobagem. Música é, essencialmente, diversão. E cada um se diverte da forma que acha melhor. Não gostou? Não ouve, meu chapa, simples assim. É o conceito do controle remoto da TV: vai lá e muda de canal, ao invés de ficar reclamando como uma tia velha. Um exemplo: nunca achei nada de profano em projetos como o Spinal Tap ou mesmo o Massacration, tão atacado por uma fatia considerável de bangers indignados com a piada que acabou se transformando em realidade. É tudo uma divertida tiração de sarro com estereótipos que são nítidos para todo mundo – e vinda, veja só, de fãs verdadeiros do gênero parodiado. Os caras realmente gostam de hard rock/metal, mas isso não significa que eles não saibam rir de si mesmos. Da mesma forma, fui um dos poucos que não chamou Kai Haisen de “infiel” quando o Gamma Ray gravou um delicioso cover para “It’s a Sin”, clássico dos pop-eletrônicos do Pet Shop Boys. O resultado ficou impecável e, por que não dizer, histórico. Não consigo entender porque sorrisos e rock ‘n’ roll não podem conviver em harmonia. Quer dizer então que as letras sacanas e despudoradas de grupos como Camisa de Vênus, Ultraje a Rigor e Velhas Virgens (três de minhas bandas nacionais favoritas, por sinal) ou mesmo a inocente poesia-humorística do Tubaína ou do Karnak os desqualificam como “o verdadeiro rock”? Quero ver alguém ter coragem de declarar isso na cara do Marcelo Nova. Admito que adoro canções engajadas, de protesto social, viva la revolución, Rage Against The Machine. Tudo muito “punhos erguidos para o céu”, pura testosterona. Mas também gosto de soltar uma sonora e despretensiosa gargalhada ao ouvir uma letra de humor inteligente e cujo único objetivo é sacanear alguém. Aliás, vamos combinar que uma das melhores formas de demonstrar sua indignação ou fazer uma crítica direta e reta ao status quo é mesmo através do humor. Os cartunistas do “Pasquim” que o digam. E isso porque eu nem comecei ainda a falar dos Mamonas Assassinas, maior ícone do “rock engraçadinho” do qual é possível lembrar nas últimas décadas. É bem verdade que o humor deles era quase pueril e adolescente, mais “peito-bunda-arroto-peido-palavrão” do que algo com o requinte e sutileza de um Premeditando o Breque. Mas não dá para negar que os caras eram bons no que faziam. E como tocavam, aqueles caras! Instrumental de primeiríssima linha. O guitarrista Bento Hinoto soltava uns riffs pra virtuoso nenhum colocar defeito, fazendo nítidas referências a grupos tão diversos quanto The Clash (“Chopis Centis”) ou Dream Theater (“Bois Don’t Cry”, que também traz uma passagem inspirada no Rush). Se, para ser considerado roqueiro, é preciso estar sempre de mal com a vida e com a cara fechada de pit bull ameaçando morder quem passar pelo caminho, estou precisando arrumar um novo rótulo pra mim.
Gente mais chata, eu hein?
Comentários
Já são 19 sobre esse post -- até agora
Concordo plenamente. Acho ridículo essa galera q curte metal e é metida a malzão. E só o q ele escuta é bom e o resto não presta. O pessoal tem q ter a cabeça mais aberta, claro que não sair escutando qualquer porcaria que aparece por ai. Mas não é porque eu escuto Testament e Symphony X que eu não posso escutar Dead Billies.
PS-> foi por causa do cover de it’s a sin que eu conheci Gamma Ray.
concordo com tudo el cid! também estou numa fase de experimentação, mas a minha dura há muito mais tempo hehe! como você, sou mui fã de metal mas ultimamente não tenho suportado muito bandas e fãs TROO, os quais acabam se limitando por agir da maneira como agem.
vou aproveitar pra dizer que é mui bom ver você e o zarko aqui no judão. já gostava demais do site, e agora com os textos de vocês o site ficou melhor ainda!
“Como assim, fazer um heavy metal com maracas e uma melodia inspirada nos sons do Caribe? E ainda com uma letra engraçadinha?”
Metal Progressivo =D
Ah, por isso que eu me orgulho de gostar tanto de Dream Theater, os caras são uma exceção foda no mundo do metal! São divertidos, fazem piadinhas durante os shows, fazem cover de Elton John for god’s sake!!!
E isso sempre com um instrumental foda demais.. Metal Progressivo =D [2]
e o spinal tap?hahahahahah,o rock é divertido por natureza,quem não acha engraçado aquelas bandas de black metal todas vestidas a carater,os irmãos Marx achariam tudo muito cômico no bom sentido,Alice cooper é a prova viva do humor roqueiro
Parei de ler no primeiro parágrafo. Não tinha nada alí que me animasse a continuar.
Er… pra você conhecer, se já não conhece: Porcas e Borboletas, uma banda aqui de Uberlândia.
Eu gostava muito, mas acho que era mais por prestígio de ser da minha cidade. tem tudo no site.
E eu pensando que eu era o único que ia do rock ao pagode…
Concordo!
Mas isso não é restrito ao rock não. Lembra quando o De Leve surgiu na cena Hip-Hop? O estardalhaço que foi?
Não concordo com o texto, mas respeito sua opinião.
Há apenas um porém, quando você diz que “Música é, essencialmente, diversão”. Música é arte, o resultado pode ser diversão, mas é sobretudo arte. Esquecer isso é se colocar no mesmo patamar de um funkeiro.
ahahahahahaha docarvalho esse artigo…eu curto velha virgens, De leve e tals mas confesso que as vezes eu disse As vezes me incomodao lance do estereotipo que o massacration faz..mas eu disse as vezes,….abs judão o mais fodão e sem BR
Po**a eu queria ler sua crítica sobre o In Rainbows, já que achei extremamente foda, por sinal.
Ontem eu vi na televisão o filme “Hooligans”. Aquele com o Elijah Wood.
O filme conta a história desses torcedores que são tão fanáticos que não respeitam o direito de outras pessoas a torcerem pra outros times. É só, por exemplo, o Corinthians e acabou. Se não for o Corinthians, você não é nada. O que acontece na cena metal, por parte de muitos headbangers, é a mesma coisa. Se você não escuta tal banda, se você não tem um cinto de bala ou cabelão ou, por exemplo, não escutou ainda o primeiro bootleg do Gorgoroth pelo menos umas 10 vezes…você “não tem direito” de se chamar headbanger. O que é no mínimo contraditório, quando na verdade o que se deve fazer é respeitar os gostos e bandas do outro cidadão do seu lado, seja ele headbanger ou emo, ou punk, que seja. Os poucos que seguem essa linha de pensamento - “respect me, respect you” - pra mim são os verdadeiros headbangers. Eu tenho o direito de ouvir metal mesmo não tendo cabelo comprido. (Eu já tentei deixar crescer, não deu muito certo não xD) Falou, e saudações.
Concordo plenamente, pra variar, em gênero, número e grau, Cidão!
Evil Papagali wants to kiiiill, he ordered me to putaquipariiiiiiu! Hehehehe! Aiai, até hoje me acabo! Fiz questão de comprar o cd!
Sério mesmo, se esses headbangers ultra-extremistas não conseguem rir daqueles caras pintados, parecendo a Elke Maravilha, é pq não tem NENHUM senso de humor mesmo.
Verdadeiros Trolls de Mordor hehe…
Ahm, eu também achei no começo o In Rainbows meia boca, e olha que o Radiohead é top 3 bandas pra mim… mas faz esse teste… escuta o OK Computer e depois o In Rainbows e depois escuta qualquer coisa que tenha saído nesse meio tempo… tirando alguns clássicos, como o Diorama do Silverchair por exemplo… aí tu vê que o Thom Yorke e trupe são verdadeiros gênios… vide NUDE, a melhor música desse novo milênio até agora (pra mim né) hehe
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