|
|
Sábado, 27 de Outubro de 2007 | Atualizado em 27.10.07 às 11h08 88 FM: O Manifesto do BregaAntes mesmo de trocar e-mails acalorados com alguns leitores sobre o papo em questão, me lembro que venho tendo este tipo de conversa e defendendo este mesmÃssimo ponto de vista desde a época da faculdade (como os formandos de comunicação adoram este tipo de pauta, né?): o Brasil é mesmo o paÃs do brega? Não tenha [...]
Não tenha pressa para responder antes de tentar entender o que diabos significa a palavra “bregaâ€. O Aurélio (pai dos burros, mas que não é pai ou mesmo avô do Chico) define brega como sendo algo “cafona, acaipirado, deseleganteâ€. Para muitos, música brega seria tudo que o Brasil produz para o “povoâ€, para o “populachoâ€. Há quem entenda por “brega†os sertanejos, pagodes, forrós e demais gêneros constantes das programações de rádios como a Nativa FM. Existe quem use “brega†como sinônimo de música ruim e pronto. Mas os grandes estudiosos do mundo da música tentam definir o brega como um tipo de canção rasgadamente popular e romântica, tÃpica de nomes como Amado Batista, Reginaldo Rossi, Wando e Sidney Magal (Nota: minha esposa diz que “Is This Loveâ€, do Whitesnake, é brega pra caramba, e acho que portanto a canção se encaixaria nesta definição. Mas não vou entrar no mérito…).
Retornando à questão levantada inicialmente: o Brasil é mesmo o paÃs do brega? Sim. Mas brega é necessariamente e automaticamente o mesmo que “música ruimâ€? E eu vos digo: NÃO! (pois é, neste ponto é que eu costumo arrumar as maiores confusões…) Nem tudo que é considerado brega dentro desta definição mais, digamos, acadêmica, é sensacional, tudo bem, admito. Mas existem pérolas que devem ser enxergadas com outros olhos, longe do pensamento excludente de “música brasileira é só Marisa Monte e Maria Ritaâ€. Entenda: o brega deve ser compreendido dentro de seu próprio contexto, falando sobre o povo e para o povo com uma linguagem de composição e musical totalmente única e particular. Nomes como Odair José e Agnaldo Timóteo sempre foram considerados “submúsicosâ€, de péssima qualidade, tratados de maneira preconceituosa pela intelectualizada elite da “música popular brasileiraâ€. O fato é que, pensando na ambientação da música brega e no público para o qual ela se destina, ela vem sendo feita com uma qualidade bem interessante por aqui e por ali, em alguns cantos. Magal é tão popular, despretensioso e dançante quanto um Calypso da vida – e bem mais divertido. A música é feita para aquilo, e cumpre muito bem o seu papel, sem pré-conceitos. Pelo menos, na minha opinião. O mesmo vale para Caetano e Chico, já citados na coluna anterior: são mesmo bons letristas, compositores de qualidade impecável, coisa e tal. Mas no que isso desvalorizaria e tornaria menor o trabalho de um Altemar Dultra, de um Vicente Celestino, de um Biafra, de um Jessé ou de um Amado Batista – o Roberto Carlos do Nordeste, que reúne muito mais gente em seus shows do que Skank, Charlie Brown Jr., Nando Reis e Sandy & Júnior juntos! Eles são menos inteligentes, menos importantes, menos dignos de apreciação só por que se destinam a um outro tipo de consumidor e não fazem poesia concreta como o Arnaldo Antunes? Para maiores informações sobre o tema e esta discussão, recomendo a leitura de “Eu Não Sou Cachorro Nãoâ€, escrito por Paulo César Araújo – o mesmo daquela polêmica e proibida biografia do cantor Roberto Carlos. Na obra, ele mostra como estes mesmos artistas foram perseguidos durante a ditadura militar, exatamente como os próprios Gil e Caetano, tratados como cantores de esquerda pelo conteúdo incendiário de suas letras. “Eu Vou Tirar Você Desse Lugarâ€, do Odair José, é sobre um homem apaixonado por uma prostituta – pense nisso nos anos 60, pela cabeça dos conservadores da época? Um escândalo! O brega é o máximo. O brega é lindo. O brega é a cara do Brasil. O brega é divertido. O brega é cultura. E quem foi que disse que um roqueiro não pode gostar de brega? Aliás, o que é brega pra você mesmo? :-))))) PS: Uma pequenina observação. Lendo a coluna anterior, um amigo recém-chegado ao Judão indagou: “Cara, por que um texto com tantas interrogações? Você mais faz perguntas do que chega a algum ponto!”. E eu digo que, para determinados assuntos, eu prefiro que seja assim: levanto diferentes perspectivas sobre um mesmo assunto sem oferecer saÃdas fáceis e o que seria uma resposta óbvia e padrão. Isso qualquer um faz. Eu poderia chegar aqui e dizer: o pop é isso, aquilo e aquilo outro. E tá acabado. Mas não gosto que seja desta maneira. Eu quero é ver o circo pegar fogo entre vocês, quero ver as discussões, os debates, as argumentações - todos civilizados, por favor. Porque isso torna a internet diferente das outras mÃdias. Os comentários de vocês muitas vezes servem de complemento para o meu texto. A minha coluna cresce a cada dia, fica mais rica e interessante, o tema se desenvolve ainda mais. Isso é um tanto daquilo que os pesquisadores gostam de chamar de internet colaborativa, não?
» A apresentação única do Led Zeppelin em Londres, no dia 26 de novembro, deve ser mesmo “única” no sentido de “memorávelâ€. Além da própria banda principal, o que por si só já é um acontecimento daqueles (por mais que o Ãlvaro Pereira Júnior discorde), a abertura deve ser daquelas de encher os olhos. Já estavam confirmados shows de Pete Townshend (The Who), Foreigner, Paolo Nutini e Bill Wyman and The Rhythm Kings (um doce para quem disser quem é o Wyman SEM olhar no Google ou na Wikipédia). Mas agora parece que os fãs de progressivo estão salivando com a presença de um supergrupo formado pelos tecladistas Rick Wakeman (Yes) e Keith Emerson (Emerson, Lake & Palmer), pelo baixista Chris Squire (Yes) e pelo baterista Simon Kirke (Free, Bad Company). » E por falar no Led, o show histórico será seguido de uma iniciativa igualmente histórica: finalmente o grupo vai colocar o seu catálogo de músicas para venda na internet. Até então, eles eram um dos últimos bastiões que resistia bravamente à compra de sua obra por meio de downloads pagos. Os tiozinhos estão tirando o pó, tá pensando o quê? :-))) » A porta de uma casa na qual Jim Morrison (The Doors) morou entre os anos de 44 e 47 e 61 e 63 está sendo leiloada no eBay. Exato, uma porta. A tal casa era do avô de Jim, e o valor arrecadado vai direto para a conta de uma instituição que auxilia artistas do jazz na região de Nova Orleans. Comprar uma porta é definitivamente o ápice da realização de um fã, não? » Realmente uma pena. O guitarrista e vocalista Nicke Andersson liberou uma nota confirmando o fim das atividades da banda sueca The Hellacopters. “Após quase treze anos, estamos tristes em comunicar que estamos nos separando. As razões para isto são muito pessoais para serem explicadas aqui”, comenta ele. “Tocar em uma banda de rock ‘n’ roll nem sempre é como caminhar no parque, mas agradecemos a todos que nos apoiaram por todos estes anos, seja indo a pequenos clubes, festivais chuvosos ou em casa ouvindo nossos discos. Foi uma viagem fantástica, nunca esqueceremos de vocês”. Quem viu a apresentação dos caras no Kaiser Music, abrindo para o Sepultura e para o Deep Purple, sabe que a perda será mesmo marcante. Eles mereciam mais um último show por aqui. » Outros que vão pendurar as chuteiras são os músicos do The Mission. O vocalista Wayne Hussey escreveu um comunicado oficial no qual afirma: “Eu amo essa banda e passei a melhor parte da minha vida adulta dedicado a essa causa. No entanto, acho que hora de eu tentar algo diferente”. Para sair de cena com chave de ouro, a banda fará uma turnê de despedida pela Europa, encerrada por quatro shows em Londres, cada um contando com uma diferente banda convidada. “Essa é uma ótima maneira de terminarmos. (…) Trata-se de uma oportunidade de nós tocarmos para você, que tem sido tão fiel comigo e com a banda ao longo desses anos, e é um jeito de dizer adeus de forma adequada e apropriadaâ€. » Encerrando o bloco de “bandas que vão para o vinagreâ€, o ruivo Mick Hucknall, do Simply Red, deu data para que eles deixem a música de vez: 2009. Você vai sentir falta? » Ah, não, peraê, tem mais uma. Para bom entendedor: o vocalista e guitarrista Chris Cester afirmou que os indies australianos do Jet decidiram parar “por algum tempo†para que eles possam se dedicar a “outros projetosâ€. Você entende o que isso significa, não? » Alex Turner, vocalista dos Arctic Monkeys, deve lançar disco solo no ano que vem, em um projeto paralelo ainda sem nome. Segundo o produtor James Ford (Simian Mobile Disco), que também é o baterista da banda, a bolacha já foi gravada e estaria praticamente pronta para sair do forno. » “Rock ‘n’ roll-glam-electro-soulâ€. É assim que o guitarrista Keith Strickland descreve o novo álbum de estúdio do B-52s, o primeiro em 15 anos. O tÃtulo está definido: “Funplexâ€. Entenderam o que eu quis dizer naquela coluna sobre gêneros musicais?
» Esqueçam as especulações sobre os Fratellis ou mesmo o Beck abrindo o show do The Police no Maracanã. O esquisito Beck será “opening act†do grupo no Chile e na Argentina, enquanto os Paralamas do Sucesso farão este papel por aqui. Nada mais natural, já que Herbert Viana e sua turma são um power trio nitidamente influenciado por Sting e sua trupe. » Vejam só que estranho: entre as atrações do Motomix 2007, que desta feita vai rolar em diversos clubes espalhados pela cidade de Sampa, foi alardeada a chegada do Eagles of Death Metal, projeto-paralelo de Josh Homme, do Queens of The Stone Age. Mas…ele não vem para o show no Brasil. Veja se você entende. Enfim: o grupo desfalcado toca no dia 28/11, lá no Clash Club. » Possivelmente seguindo os conselhos dos conterrâneos do Rattus, os também finlandeses do Riistetyt confirmaram a sua turnê conjunta ao lado dos belgas do Agathocles (que é um baita nome de banda de black metal da Noruega, mas tudo bem), trazendo muito punk e hardcore para as nossas terras. Em São Paulo, eles tocam no dia 2 de dezembro…no Hangar 110, mas é claro. Outras datas devem ser anunciadas em breve. » Chamem os elfos, anões e guerreiros de todas as partes: o site da Ticketmaster indica que, no dia 9 de dezembro, teremos um show dos italianos do Rhapsody of Fire em plena casa de shows paulistana Credicard Hall. Particularmente, esperava de coração que os boatos acerca de uma pernada brazuca conjunta com o Manowar para o ano que vem fossem verdadeiros, mas acho interessante a oportunidade de vê-los — no meu caso, pela primeira vez. Estarei lá. » Ex-Soundgarden e ex-Audioslave, Chris Cornell desembarca no Brasil também em dezembro para dois shows de divulgação de seu álbum solo, “Carry On”. Além de cantar sucessos de suas duas ex-bandas e também do trabalho recente, espera-se que ele faça uma performance ao vivo de “You Know My Name”, canção-tema de “Cassino Royale”, último filme do agente secreto James Bond. Cornell toca no dia 12 no Citibank Hall (Rio de Janeiro) e, no dia seguinte, no Credicard Hall (São Paulo). » O site oficial de Gilby Clark (ele mesmo, ex-guitarrista dos Guns ‘n’ Roses) também dá como certa a passagem do sujeito por aqui com seu projeto solo no mês de dezembro, nos dias 12 e 13 (mesmos dias do Cornell, você notou?). Ainda não foram liberadas maiores informações acerca de possÃveis locais das apresentações. » Outro ex-guitarrista, Bruce Kulick (Kiss), também revela em sua página oficial duas datas de performances tupiniquins: dia 6 de dezembro em Belo Horizonte e, dois dias depois, em Curitiba. Os locais ainda serão confirmados. Obrigado ao site Agenda do Headbanger pelo toque! » Como não podia deixar de ser, uma nota de cancelamento: os alemães do Rage não vão mais tocar por aqui em dezembro, conforme anunciado anteriormente inclusive pela 88 FM. “Infelizmente, a turnê da América do Sul foi novamente cancelada pelos promotores”, diz uma nota curta, porém de tom bastante irritado, no site oficial do grupo. “Estamos realmente tristes pelos fãs, mas não é nosso culpa. Quando os promotores não fazem seus trabalhos de determinadas formas, os concertos de bandas estrangeiras realmente acontecem”. Verdade, verdade… » Esta veio de última hora: o Suicidal Tendencies terá duas datas no Chile, dias 5 e 6 de janeiro. Será que vão rolar outros pontos de parada pela América do Sul? » E um boatinho sobre o futuro só para encerrar do jeito que começou: e-mail da gravadora Nuclear Blast mandando ao fã-clube “A New Age Dawns” confirmaria nova apresentação do Epica no Brasil em 2008, para a promoção do disco “The Divine Conspiracy”. Os fãs de Simone Simmons começam a suspirar desde já…
» Um paredão sonoro com influências que variam do funk ao reggae, passando até pelo barulho do heavy metal, os punks do Bad Brains são uma verdadeira instituição do gênero no cenário norte-americano por sua postura polÃtica ativa e sempre presente. Baixe a canção “Give Thanks and Praisesâ€, do último disco “Build a Nationâ€, e entenda como se fazer um caldeirão sonoro com apenas três (ou quatro, vá lá) acordes.
» E em se tratando de encontros históricos, vejam só a dica do leitor Rodrigo Moreira: “um vÃideo do Dream Theater e mais alguns convidados tocando ‘Cemetery Gates’ do Pantera. O bacana é a unanimidade quanto ao fato do Dave Mustaine ter arregaçado o solo e feito uma grande m*!!! Agora, eu não consegui descobrir quem é o vocalista que entra depois do Russel Allen do Symphony X!â€. Alguém adivinha? » Falamos no Deris em parceria com o Saxon, e não dava para deixar de lado o clipe de “As Long As I Fall”, primeiro single do novo álbum do Helloween, “Gambling With The Devil”. » Tá curioso para ver como se sai a substituta de Tarja Turunen frente ao Nightwish? Então confira este vÃdeo que registra, na Ãntegra, uma performance de cerca de 30 minutos realizada pelo grupo, já com a nova moçoila aos vocais, na Vintage Vinyl da cidade de Nova Jersey, nos EUA. » Completando a série de clipes do universo heavy metal (não foi intencional, eu juro), fiquem com o vÃdeo de “Separate Ways”, cover do Journey que o brasileiro Andre Matos (ex-Angra e Shaman) gravou como faixa-bônus para o seu primeiro trabalho solo, “Time To Be Free”. Reparem nas muitas caretas que o Dedé, como o chamamos carinhosamente eu e o Carlos “Delfos” Corrales desde o último Live ‘n’ Louder, faz sem parar! Performático é pouco!
Muitas vezes, as canções não têm uma letra plenamente reconhecÃvel, já que trechos em inglês se misturam a outros falados na lÃngua de uma das muitas tribos estudadas por Denison para este projeto. Se em “Roots†tivemos o Sepultura buscando as sonoridades dos Ãndios brasileiros para incorporar ao seu som, imagine que em “Anonymous†o Tomahawk ensinou os peles-vermelhas a tocarem suas próprias canções em formato roqueiro. Se “Run To Hills”, do Iron Maiden, convocava os indÃgenas a se esconderem e correrem por suas vidas contra a ameaça do homem branco, “Anonymous” funciona justamente ao contrário, como uma espécie de invocação para o contra-ataque. É hora de mandar o invasor de volta para casa. Pinte o seu rosto com os sÃmbolos da guerra e peça proteção aos seus deuses. A batalha vai começar.
• “Seven Doors Hotel” (Europe) • “Super Duper Love” (Joss Stone) • “Epic” (Faith No More) • “Rehab” (Amy Winehouse) • “She’s Got The Drugs” (Nashville Pussy) • “Send Me An Angel” (Scorpions) • “Raining Blood” (Slayer) • “Every Rose Has Its Thorn” (Poison) • “More Than A Feeling” (Boston)
Comentários
Já são 35 sobre esse post -- até agora
Deixe o seu comentário!
Mas, por favor, que seja útil! =D
ANTES DE POSTAR, LEIA COM ATENÇÃO!
Comentários que contenham palavrões gratuitos ou desnecessários, ofensas, textos totalmente em caixa-alta, miguxês e/ou comentários que não tenham relação com o assunto tratado no post (off-topic) podem ser deletados sem nenhum aviso e o autor proibido de postar outros comentários. Bom-senso e educação às vezes fazem bem. Lembre-se: este não é um espaço democrático, com liberdade total de expressão. É apenas um espaço para que se discuta sobre o assunto tratado no post -- não sobre o site em geral, quem, onde, quando, por que escreveu e etcetera. Quer falar alguma outra coisa, tem alguma dúvida? Leia o nosso FAQ ou mande um e-mail e não atrapalhe a galera! =] Os campos com * são obrigatórios, mas seu e-mail não será mostrado, pode ficar tranqüilo. Se quiser um avatar, click aqui!
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||