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Sábado, 6 de Outubro de 2007 88 FM: Pra que servem os críticos?Nas últimas semanas, os temas abordados nesta coluna têm surgido quase como num passe de mágica, caindo no meu colo bem no meio da correria do dia-a-dia justamente quando eu estava mais desesperado em busca de inspiração. “Uau, como não pensei nisso antes?”. No caso do texto desta semana, no entanto, a coisa deu-se de [...]
A pergunta que me chegou por e-mail dias atrás era: “Pra que servem os críticos?”. O sujeito parecia incomodado com o que eu falei sobre o Nirvana (e olha que não disse nada de tão grave assim, entenda) e levantou a bola não só sobre os críticos de música, mas de cinema, de teatro, de literatura e demais manifestações culturais. Tenho ouvido (e recebido) demais esta pergunta em diversos fóruns pela internet afora, assim como as questões que seguem abaixo e que eu tento responder pacientemente –- mas cuja decisão sobre o que está certo ou errado eu deixo para vocês, leitores-ouvintes da 88 FM. Vamos como Jack, por partes: Qualquer um pode ser crítico? Não basta saber se você gostou ou não deste filme ou daquele CD para se achar crítico e sair escrevendo das suas por aí, se achando a última bolacha do pacote. Pode parecer uma postura arrogante, mas é a verdade. Não custa nada considerar o assunto por um momento. Para trabalhar com textos, você precisa escrever minimamente bem. Ter bom domínio da língua portuguesa, ter fluidez na redação e saber construir uma estrutura textual atraente para o leitor. Além, é claro, de ter personalidade. De saber construir um estilo de texto de maneira que as pessoas se identifiquem com ele e, mais do que isso, identifiquem-no de bate-pronto como sendo seu. Como dizia um professor meu: “Todo mundo escreve. Então, todo mundo acha que sabe escrever bem”. Existe uma diferença considerável aí no meio do caminho. A outra coisa é que um crítico, de qualquer meio, precisa ter excelente argumentação para expor suas opiniões (pois o “porque gostei” é muito mais importante do que o “gostei”) e um forte embasamento cultural no assunto. Para fazer críticas de música, o cara tem que entender de história da música, de teoria, tem que ter ouvido muita coisa na vida (dos mais variados gêneros) para poder identificar sutilezas, influências, referências, cruzamentos, experimentações…Pode parecer fácil, mas não é. Os críticos devem ser imparciais? Esta é uma questão que divide profissionais e teóricos da comunicação. Eu tenho a minha postura de que, se o jornalismo noticioso já é carregado de uma farta dose de opinião (e interesse) pessoal, o que esperar então do papel de um crítico? Muitos defendem que não, mas para mim é impossível dissociar uma coisa da outra. Quando eu ouço um disco, eu gosto dele ou não gosto. Não existe meio-termo. Posso gostar menos ou mais, mas a coisa é bem no esquema do “sim” ou “não”. Somos todos humanos. Como impedir que isso reflita no nosso texto? O que eu acho que não pode existir, e aí existe uma diferença muito grande, é o pré-conceito. Veja: eu posso não gostar, como ouvinte, da banda X ou do estilo Y. Mas quando me cai um trabalho relacionado em mãos, não posso ligar o automático “não gosto” e dane-se. Nops. ISSO é errado. Vou escutar de coração aberto, pronto para ser surpreendido, de verdade, tentando ao máximo evitar concepções anteriores que possam deturpar a audição daquela obra. Posso não gostar da banda X, mas ouvir o disco e achar interessante. E aí? O que acontece? Vou dizer que o álbum é ruim só para manter a minha posição anterior? Todo crítico é um artista frustrado? Isso é um baita papo-furado, numa boa. “Ah, todo crítico de música é um músico frustrado”. Discordo. Como eu disse antes, o crítico deve ser, antes de tudo, um estudioso e especialista em sua área. É um teórico. Mas não precisa necessariamente ter o talento natural para a música, que é coisa com a qual a gente nasce (pelo menos em 88% dos casos). O crítico de música não precisa ser músico –- ele precisa é ENTENDER de música, transfigurando-se em alguém que possa servir de ponte entre o músico e seus ouvintes. E eu já conheci muito crítico que entende muito mais de música do que determinados músicos de cabeça-vazia e olhos injetados. Todos os críticos são pentelhos/arrogantes? Toda generalização é burra. Julgar que uma pessoa qualquer, só porque exerce o trabalho de crítico, vá ser imediatamente um pentelho de carteirinha, é bobagem das grossas. Ou vá me dizer que você não conhece um pentelho que não seja crítico? Uma coisa não é pré-requisito para a outra. Não se deixe levar por meia-dúzia de críticos mal-humorados e que aparentemente não gostam de nada. Sei que muitos destes malas estão nos principais veículos de massa do Brasil e mesmo do mundo. Mas você precisa aprender a ignorá-los. Faça como eu e finja que eles não existem, que a página deles na revista é somente uma falha na Matrix. Então…pra que servem os críticos? Para servirem como uma espécie de bússola, uma orientação, uma opção, mas nunca como verdade definitiva. É isso que os leitores precisam entender. Se você está lendo a MINHA crítica para um CD, saiba que ela está imbuída da MINHA opinião, que pode não ser necessariamente a sua. A diversidade de mídias existe para que você possa colher as opiniões mais variadas sobre qualquer tema. Internet, rádio, revista, jornal, TV, você escolhe onde encontrar suas opções de informação. Se você costuma se identificar com as opiniões daquele crítico, você sabe que existe a possibilidade de gostar de alguma coisa que ele diz que é boa. Mas se o que acontece é o contrário, tenha em mente que você possivelmente não gostará daquela obra que o crítico diz ser excelente. Mas CUIDADO: ele pode surpreender você ao elogiar uma coisa que é realmente boa. De qualquer forma, não seja preconceituoso. Leia muito mais do que uma crítica sobre aquele CD recém-lançado ou sobre o filme da semana. No fim das contas, a opinião que mais importa é a SUA. Aprenda a formá-la de maneira sólida e não deixe que qualquer outra opinião contrária à sua abale o quanto você gostou (ou não) daquele CD, filme, livro, peça, exposição…Seja o juiz de si mesmo. Você consegue.
» Você já deve estar sabendo desta, mas não custa avisar: Thom Yorke e a trupe do Radiohead pegaram todo mundo de surpresa ao lançar a pré-venda, no último final de semana, do seu novo disco, “In Rainbows”, sucessor de “Hail To The Thief” (2003). O mais interessante é que você pode comprar todas faixas da bolacha, em formato download, no site oficial da banda. O preço? “Você é quem sabe”, anunciam eles. Isso mesmo. Você paga o quanto achar justo pela produção. Para não deixar a gravadora ainda mais descabelada, o Radiohead lança “In Rainbows” também em formato físico, em uma caixa especial com fotos, letras, sete canções adicionais e demais badulaques para enlouquecer os colecionadores. Lembra daquela coluna na qual eu falava sobre a morte do CD? Então… » Martin Scorsese planeja continuar no ramo dos documentários musicais. Depois de contar as vidas de Bob Dylan e dos Rolling Stones, o cineasta agora planeja dirigir uma película a respeito do guitarrista dos Beatles, George Harrison. A pré-produção, incluindo as primeiras entrevistas, começa este ano. A viúva do músico, Olívia, deve colaborar ativamente com o projeto, ao lado dos outros besouros remanescentes, Ringo Starr e Paul McCartney. » A guerra de palavras entre as bandas inglesas Blur e Oasis pode enfim ter acabado. Rivais declarados durante a década de 90, os grupos musicais dos irmãos Gallagher e de Damon “Gorillaz Me Dá Muito Mais Dinheiro” Albarn detonavam umas às outras sem perdão por meio da imprensa, apostando em uma série de declarações polêmicas. A mais recente, no entanto, vem justamente do mal-humorado Liam Gallagher: “Eu superei essa coisa de rivalidade. Foi engraçado, um negócio que você faz quando é jovem. Quando eu vejo Damon Albarn, fico tranqüilo. Se eu ainda estivesse nessa, eu seria um perfeito babaca”. Não que ele tenha deixado de ser babaca, mas… » Depois de 11 anos, o Placebo sofreu uma grave baixa em sua reduzida formação: citando as clássicas “diferenças musicais e pessoais”, o batera Steve Hewitt deixou Brian Molko e Stefan Olsdal para trás. A dupla restante, no entanto, promete que deve começar a trabalhar em seu 6º disco de estúdio em 2008. » O site “Metal Blast” publicou uma crítica do primeiro show da turnê de retorno do Van Halen, desta vez com David Lee Roth no comando dos vocais. A performance aconteceu no dia 27 de Setembro, na Charlotte Bobcats Arena em Charlotte, Carolina do Norte. “Dave está ótimo, e Eddie está em chamas”, afirma a publicação. “Grande show, a platéia adorou. O Van Halen está de volta. Tranquem suas filhas e esposas”. Diamond Dave, traga os camaradas para festejar novamente conosco!
» Depois de uma bem-sucedida turnê recente por aqui, com direito até à gravação de um DVD ao vivo, parece que os escoceses do Nazareth estão marcando o seu retorno para maio de 2008. Por enquanto, existem duas datas adiantadas: 16 (Curitiba/Hellooch) e 17 (São Paulo/Via Funchal). Quando rolar aquela confirmação oficial, eu dou um toque. » Considerados uma das maiores recentes revelações mundiais do hardcore, os estadunidenses do Have Heart saem da cidade de Boston para fazer uma turnê em território sul-americano, passando, é claro, pelos palcos brasileiros. Eles vão mostrar o trabalho do disco de estréia “The Things We Carry” em quatro datas confirmadas: 15/11 (Piracicaba/Local a confirmar), 16/11 (Curitiba//Local a confirmar), 17/11 (Belo Horizonte/Matriz) e 18/11 (São Paulo/Positive Fest). “Estamos muito empolgados com essa tour. Tocar para o público da América Latina será uma experiência única. Queremos ver de perto toda a fama que esse público conquistou entre as bandas dos EUA que já passaram por aí”, comenta o vocalista Patrick Flynn. » Por falar em hardcore, mudamos de Boston para Nova York e colocamos os holofotes sobre o Madball -– que, veja só, também retorna ao Brasil em novembro depois de uma explosiva e histórica noite em 19 de novembro de 2006. Todas as datas serão confirmadas em breve (embora seja certo que em SP eles se apresentam dia 10 de novembro), mas sabe-se que eles vão destilar toda a sua fúria para divulgar o recém-lançado “Infiltrate the System” » Para quem curte um bom hard rock, os ianques do Firehouse vão pintar com tudo no Circo Voador, lá no Rio de Janeiro, em 17 de novembro. O site oficial do grupo deve confirmar novas apresentações brasileiras em breve. » Para quem reclama de só ver notícias de turnês nacionais, saiba que, nesta última quarta (3), os Paralamas do Sucesso e os Titãs anunciaram uma turnê em conjunto para comemorar os 25 anos das respectivas bandas. Com início previsto para o próximo dia 27, eles devem passar por cidades como Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. O mais legal é saber que os integrantes devem se misturar no palco, tocando uns os maiores sucessos dos outros. » E para encerrar, o colega Lúcio Ribeiro revela que os britânicos do Muse devem ser atração do Personal Fest, que rola em dezembro na cidade de Buenos Aires. Conversas de bastidores indicam que isso pode significar uma esticadinha por aqui…ou não?
» Os lendários nova-iorquinos do Agnotic Front postaram duas canções inéditas, “Dead to Me” e “For My Family”, em seu MySpace oficial. As faixas estarão presentes em “Warriors”, lançamento dos sujeitos que chega em novembro via Nuclear Blast Records. Hardcore da mais pura violência e ignorância.
» O link abaixo é para um trailer, mas como se trata de um documentário sobre música, achei que seria bem apropriado. Com um circuito BEM reduzido, estréia no Brasil o esperado Metal: A Headbanger’s Journey, que disseca a sonoridade barulhenta favorita dos cabeludos de todo o planeta por meio de entrevistas com ícones como Bruce Dickinson (Iron Maiden), Tony Iommi (Black Sabbath), Alice Cooper e Lemmy Kilmister (Motörhead). Como o diretor Sam Dunn é tão headbanger quanto as pessoas que vão assistir ao filme (apesar de ser um antropólogo de 30 anos), pode ter a garantia de que o material é tratado com muito respeito. Acesse: www.MetalHistory.com/
O que percebi é que, pelo menos desta vez, concordei com o que diz parte da imprensa gringa. Este é fundamentalmente um Foo Fighters diferente daquele que pode ser ouvido nos primeiros discos, que pode não agradar quem espera um sucessor grunge para o Nirvana -– e, veja, este é um Foo Fighters que ainda consegue se dividir em dois! As FMs vão adorar as baladas adociçadas e de altíssimo poder radiofônico, tão bonitinhas e pop quanto o hitmaker Grohl conseguiria fazer: veja, por exemplo, a quase country “Stranger Things Have Happened”, a setentista “Summer’s End” (Janis Joplin pura), e a simpática “Statues”. Todas umas gracinhas. Do outro lado, no entanto, é possível identificar uma banda que foi buscar um quinhão de fúria e rancor do hard rock dos anos 70, quase como viagem no tempo. O single ”The Pretender” tem um baita cheiro de passado, com seus vocalistas barbudos e cabeludos em tons sépia (mas o próprio Dave não está com esta cara?). E o que dizer da trinca, ”Long Road To Ruin”, “But Honestly” e ”Let It Die” – que misturam as duas coisas, por mais estranho que possa parecer? E o diabo do negócio funciona!
• “Steal My Kisses” (Ben Harper) • “Ziggy Stardust” (Bauhaus, cover do David Bowie) • “Meu Caro Amigo” (Chico Buarque) • “Walk” (Pantera) • “Rádio Blá” (Lobão) • “Ace of Spades” (Motörhead) • “Wish I Could Believe” (Europe) • “Sledgehammer” (Peter Gabriel) • “Balada do Louco” (Mutantes)
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