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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008 Superman Crônicas: Volume 1Álbum de luxo reúne as primeiras histórias do primeiro super-herói do mundo
Praticamente 70 anos depois, a Panini lança um ótimo álbum, com aquelas primeiras histórias que marcaram a cultura pop dos Estados Unidos e, por que não dizer, de todo o mundo. São as primeiras histórias do Superman, agora reeditadas em Superman Crônicas: Volume 1 (Panini Comics, R$ 56,00). Com capa dura, impressão e papel de qualidade, o lançamento se une aos recentes álbuns da Biblioteca Histórica (que já teve edições com X-Men, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Vingadores) e a Batman Crônicas. Ao se abrir o álbum percebe-se que não é apenas o mundo que mudou durante todo este tempo. O Superman era outro em 1938. Em Action Comics #1, que marca a primeira aparição do primeiro super-herói das histórias em quadrinhos, somos apresentados a um Superman que cresceu em um orfanato e, talvez por isso, atua com rancor e sem compaixão pelo próximo. Para este Homem de Aço que não voa, mas salta entre os prédios, mais vale deixar um bandido agonizando do que salvá-lo e entregá-lo a justiça. Ao menos, o famoso S, apesar de ser bem diferente, ainda está lá, assim como a famosa ceroula vermelha, absurdamente colocada por cima da calça azul. E as diferenças vão além das características do herói. A narrativa ainda era um esboço do que vemos hoje, apesar de já ter vários elementos característicos. A principal diferença é o uso bem menor da linguagem do cinema no roteiro e na arte das histórias, até porque o cinema de então era bem diferente daquilo que conhecemos. No que se refere ao conteúdo dessas primeiras HQs, a principal característica que se nota é a necessidade que o Superman tem de fugir dos holofotes. É comum o super-herói camuflar-se e, como um cidadão comum, resolver o problema em que está metido. O que pode parecer um absurdo para os leitores de hoje até se justifica já que, até então, os quadrinhos eram o lar de heróis mais detetivescos, como O Sombra. Ao escrever essas primeiras histórias, Siegel ainda não compreendia bem o potencial do que estava criando. As curiosidades são inúmeras, é claro. Lois Lane, o eterno par romântico do super-herói, estava lá presente em Action Comics #1. Nessa primeira revista também é revelado que Clark Kent, o alter-ego do Homem de Aço, trabalha no Estrela Diária, que mais tarde teria o nome alterado para Planeta Diário para evitar problemas legais com um jornal que já possuía esse nome. Porém, em Action Comics #2, Clark Kent vai até a república de San Monté, que está em guerra, e escreve uma matéria para o jornal Notícias Noturnas, de Cleveland, Ohio, cidade natal de Jerry Siegel. Também é interessante notar o rápido crescimento do personagem. Em Action Comics #1 o super-herói foi a estrela da capa, mas a história de Siegel e Shuster ocupou apenas 14 páginas da revista. Outros nove personagens, incluindo o mago Zatara e até Marco Polo (sim, aquele que viveu muitos anos na China) dividiram a revista com o Homem de Aço. Nas edições seguintes do gibi, o super-herói não apareceu na capa, apesar de continuar com as histórias no miolo do gibi. Só na edição de número 7 que Superman voltou a aparecer na capa, que ganhou até um destaque no canto inferior, que avisava ao leitor que o herói estava presente na revista. Ainda em 1939 o Homem de Aço apareceu no gibi oficial da Feira Mundial de Nova York (que também está presente no especial) e, em julho do mesmo ano, o herói passava a ter uma revista própria, chamada simplesmente de Superman. Até então era raro um personagem de HQs ganhar um título com seu próprio nome. Superman #1 basicamente republicou a história vista anteriormente em Action Comics #1. Só que, no começo, introduziu a primeira grande modificação na vida do personagem. Ao invés de ter sido criado em uma creche, a nova introdução mostrava que Clark Kent tinha adotado por um casal idoso, que o criou. Essas primeiras páginas também estão republicadas em Superman Crônicas. O único super-vilão a aparecer nas histórias do álbum especial é o Ultra-Humanóide, que surgiu em Action Comics #13 ainda em sua forma humana. Só que mesmo esta história ainda está longe de ser uma HQ igual àquelas que os leitores de hoje estão acostumados. Ainda de brinde, Superman Crônicas traz um fac-símile (cópia fiel ao original) da primeira revista do Superman (na época chamado de Super-Homem) no Brasil, que foi publicada no Brasil em 1947 pela Ebal. O fac-símile traz nos mínimos detalhes não só a história do Superman, mas também a de personagens como Joel Ciclone (o Flash original) e Batman, entre outros. Para os saudosistas da época da Ebal, talvez a republicação de Superman #1 valha mais até do que o álbum em si. É claro que nem tudo é perfeito. A alta qualidade de Superman Crônicas cobra um preço. E alto, diga-se. Serão poucos aqueles que conseguirão pagar os 56 reais pedidos. Para se ter uma idéia, com 25 reais um leitor pode comprar uma edição importada de Showcase Presentes: Superman Vol. 1 que, apesar de ser em preto-e-branco, possui quase o triplo de páginas. Outro fato importante que precisa ser revisado pela Panini é a distribuição dos especiais. Neste primeiro momento, o álbum está disponível apenas em algumas bancas selecionadas. Para as livrarias, locais onde este tipo de lançamento tem lugar, o especial só chegará mais tarde. Se você encontrar, Superman Crônicas: Volume 1 pode ser um ótimo presente para aquela pessoa especial que foi esquecida no Natal. Ou até para você mesmo, que deu presente para todo mundo e não ganhou nada que gostasse. Sim, pode ter certeza que o Judão RECOMENDA.
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