É fantástico ver, depois de 12 anos, o que Brian Michael Bendis construiu para o Homem-Aranha Ultimate. Em 2000, quando o personagem foi criado, era apenas uma tentativa da Marvel para atrair mais leitores para um Cabeça-de-Teia deixando o personagem sem amarras cronológicas e o casamento, além de ser novamente adolescente. Era, acima de tudo, um retorno às origens.
Depois de mais de uma década, não vimos Peter Parker chegando à faculdade e namorando as duas garotas mais lindas da Marvel, como aconteceu com o personagem original, mas nos apaixonamos por um garoto desengonçado, inexperiente e com um grande coração – e que namorou com as duas das garotas mais lindas do colégio, as mesmas Gwen Stacy e Mary Jane. Neste Ultiverso, algumas coisas continuaram a existir, como clones e perigos inimagináveis, mas o curso da história correu de forma diferente. Gwen Stacy morreu, mas voltou à vida. No entanto, o próprio Peter Parker perdeu a batalha e nos deixou.
Em parte, isso aconteceu para que a Universo Ultimate não se prendesse ao mesmo perigo das cronologias extensas. Era o momento de termos um novo Homem-Aranha Ultimate. E mais uma vez nos apaixonamos, mas agora por Miles Morales.
Sendo assim, depois de 12 anos, Bendis criou – e matou – um Peter Parker com uma vida bem diferente do original, o do Universo Marvel mainstream, também chamado 616. Afinal, escolhas diferentes trazem acontecimentos diferentes. E se, então, o bom e velho Peter Parker pudesse olhar para o que esta versão mais jovem de si mesmo fez? E se ele pudesse encontrar com aquelas pessoas que tanto ama e adora, mas de uma forma diferente? E se ele pudesse reencontrar, mais uma vez, a Gwendy?
Pois é sobre isso tudo que se trata Spider-Men #1 (Marvel Comics, 23 páginas, US$ 3,99), a primeira parte de uma minissérie de seis edições que foi lançada ontem (13/06) nos EUA.
Como esta será uma viagem muito maior de Peter Parker do Universo Ultimate, a equipe criativa de Spider-Men é a mesma de Ultimate Comics Spider-Man, com Bendis no roteiro e a arte de Sara Pichelli.
Na primeira edição, os dois tentam explicar como este crossover entre universos pode acontecer. Assim a HQ começa com Peter Parker circulando por Nova York, pensando nos foras que andou levando recentemente, sendo perseguido pela polícia e… encontrando o vilão Mystério.
Só que este não é, exatamente, o Mystério que ele conhece. E aí…Bom, você já sabe o que acontece.
Já no Ultiverso, Peter vai descobrindo aos poucos que há algo de estranho. Ao salvar um cidadão de um assalto, ele escuta que “não é de bom gosto usar o uniforme do Peter Parker”. Antes de ter todas as respostas, o Homem-Aranha encontra pelos telhados de Nova York alguém familiar. É o Homem-Aranha. Na realidade, Miles Morales. Aí é quando a edição acaba.
Como é apenas uma introdução, ainda não há muito que avaliar de Spider-Men. Apenas a arte da Sara Pichelli, que, aparentemente, ficou mais contida que o normal ao retratar o Universo Marvel 616. Em Ultimate Comics Spider-Man, Sara estava com um estilo um pouco mais dinâmico e interessante.
Para quem quiser acompanhar daqui do Brasil, Spider-Men #1 está à venda nos aplicativos digitais da Marvel para PC, iOS, Android e afins. A segunda edição – que com certeza terá um pouco mais do inusitado encontro entre Peter e Miles – será publicado no dia 27 de junho.
Quem sabe, nesse dia, podemos avaliar um pouco desta que é a principal publicação das comemorações dos 50 anos do Homem-Aranha.
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