Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 | Atualizado em 06.02.08 às 19h05

Mulher-Gato: Um Crime Perfeito


Ótimo álbum da Panini reúne três histórias que reinventaram a personagem, mas traz tudo fora de ordem cronológica…

Renan Martins Frade

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Como Joe Quesada diz, os quadrinhos são democráticos. Nós, os leitores, votamos com o nosso dinheiro. Ou seja, se um título ou personagem vai mal, os editores mandam logo reinventar tudo. Mata-se o personagem, cria-se outro herói ou voltasse com o anterior. No pacote, novos conceitos são introduzidos.

Em 2001 a DC decidiu que era a vez da Mulher-Gato, clássica antagonista das histórias do Batman, passar por uma remodelação. No entanto, o roteirista Ed Brubaker e o desenhista e também roteirista Darwyn Cooke não escolheram o caminho fácil para essa transformação. Ao invés de simplesmente matá-la e reinventar totalmente o personagem, introduziram uma lenta mudança na parte psicológica da Mulher-Gato. E são justamente essas histórias que lançam a base da “nova†Mulher-Gato que estão presentes em Mulher-Gato: Um Crime Perfeito (Panini Comics, R$ 42,00).

As mudanças começaram em pequenas histórias publicadas entre as edições 759 e 763 de Detective Comics. Nessa série de HQs, chamada Slam Bradley na Trilha da Mulher-Gato, o detetive particular Slam Bradley é contratado pelo prefeito de Gotham para encontrar não só a Mulher-Gato, mas também Selina Kyle, que é o alter-ego da vilã e havia sido dada como morta. Investigando, Bradley junta as peças e descobre a ligação entre as duas, mas se defronta com uma Selina amargurada, porém ainda sedutora.

Na segunda história, que dá nome ao título, Selina descobre uma grande jogada da família Falcone e, como está mal financeiramente, volta para a carreira de crimes junto com um antigo amor, chamado Stark. A HQ, que é inteiramente assinada por Cooke, é eletrizante, com bastante ação e seqüencias mais cinematográficas, que não ficam devendo para nenhum bom filme do gênero.

Em o Crime Perfeito, Cooke aproveita para acrescentar mais elementos na nova personalidade da Mulher-Gato, que percebe o quanto se distanciou de seus ideais iniciais. Além disso, novos elementos são adicionais na origem da personagem via flashback. No final o leitor realmente sente que Selina Kyle é uma outra mulher. E nem precisou morrer para isso acontecer…

A última história do álbum é Sem Dor, publicada nas primeiras quatro edições da nova revista Catwoman, que saiu nos Estados Unidos no começo de 2002. Nessa HQ, Brubaker volta a se unir a Cooke, que agora conta com a ajuda de Mike Allred na arte. Nessas primeiras quatro revistas, Selina volta a usar o nome de Mulher-Gato, mas aposenta o velho uniforme em troca de um mais moderno.

Em Sem Dor, a Mulher-Gato volta ainda mais para as origens, reencontrando antigas companheiras e tentando agir mais pelas pessoas que ela acha que merecem a sua atenção, não apenas pensando em si mesmo. Por isso, nessas primeiras histórias a outrora vilã passa a enfrentar um maníaco assassino de prostitutas, que são abandonadas pela polícia e esquecidas pelo Batman.

Todas as histórias são coloridas por Matt Hollingworth, que dá cores fortes, escuras e pesadas para o álbum. É como se o leitor estivesse dentro da realidade caótica de Gotham. Se a arte de Cooke não é uma das mais realistas, mas é ótima.

Apesar da ótima qualidade do papel, da capa e da edição, a Panini deu uma furada enorme em Mulher-Gato: Um Crime Perfeito. Nenhuma das histórias foi colocada na ordem cronológica, como fiz nessa resenha, ou na de publicação. Simplesmente o especial abre com Um Crime Perfeito, que é a segunda HQ na ordem cronológica, passa para as pequenas histórias com Slam Bradley e chega nas quatro primeiras edições de Catwoman. Para o leitor desavisado, fica a sensação que há algo muito errado no enredo da história.

É, nem tudo é perfeito. Mulher-Gato: Um Crime Perfeito é ótima, basta apenas que você comece a ler a partir da página 95…

Mulher-Gato: Um Crime Perfeito
(Selina’s Big Score #1-4 [2001], Detective Comics #759-763 [2001], Catwoman #1-4 [2002])

Roteiro: Ed Brubaker e Darwyn Cooke

Arte: Darwyn Cooke e Mike Allred

Nota do JUDÃO

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Comentários
Pelo menos um comentou -- até agora

  Rodrigo

Que bom que a Panini está publicando o trabalho do Darwyn Cooke. Neste mês ainda deve sair a ed. do Batman/Spirit.

6 de Fevereiro de 2008 às 22h15
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