Quem viveu a infância no final dos anos 80 ou começo dos anos 90 se lembra com toda a certeza do He-Man. Afinal, a linha de brinquedos da Mattel marcou época por aqui, principalmente por causa da série animada que era veiculada na Rede Globo. Os anos foram passando e, infelizmente, a marca He-Man perdeu força – mesmo com uma nova série animada na década passada. Como 2012 marca os 30 anos da franquia, a Mattel está voltando mais uma vez suas atenções para o personagem naquele que foi o seu primeiro “lar” na ficção: os quadrinhos. E tudo isso começando em He-Man and the Masters of the Universe #1 (DC Entertainment, 32 páginas, US$ 2,99).
Claro que está é uma iniciativa muito maior da DC com a Mattel. Esta minissérie em cinco edições é, basicamente, a tentativa de reconstruir o herói para um novo público – e para quem o acompanhava antigamente. Junto disso, a editora está lançando uma série de especiais bissemanais, focados em personagens de apoio ou vilões importantes.
A maior atenção é mesmo para essa minissérie estrelada pelo He-Man, lançada mês passado nos EUA e que pude botar minhas mãos no tempo que passei por lá. Logo ao abrir a edição, é possível perceber nas primeiras páginas que o roteirista James Robinson e o desenhista Philip Tan queriam criar um link com o passado, trazendo flashes de conflitos que nos fazem lembrar da série animada. Pena que é tudo um sonho.
Um sonho do jovem Adam, que, dessa vez, não é um príncipe. Ele é um lenhador, assim como foi o pai dele, Fedor – que agora não é mais rei. No entanto, essas visões de uma vida que não é a de Adam acabam por perturbar o lenhador. Um enigma sem resposta, mas que pode ter uma explicação na jovem águia que passa a acompanhá-lo.
Ao botar Adam, a identidade secreta do He-Man, em uma nova situação, Robinson deixa todos os leitores no mesmo nível. Ou seja, quem nunca leu/viu nada sobre o herói estará no mesmo patamar de conhecimento dos antigos fãs. E isso é interessante.
É bom que se diga que o He-Man nunca foi príncipe. Quando a primeira linha de bonecos foi lançada pela Mattel em 1982, ela veio acompanhada das famosas minicomics, HQs curtas com histórias no universo do personagem. Nelas, He-Man era um bárbaro. Foi apenas no desenho animado da Filmation que Adam ganhou o status de príncipe.
De qualquer forma, a história apresentada nessa primeira edição, por mais que ainda não traga Adam se transformando em He-Man pela primeira vez, aparenta ter alguma ligação com essa antiga versão. Vamos ver onde isso vai levar.
Apesar de ser ainda uma primeira edição, é possível notar que estão levando a HQ para um bom caminho, que pode sim construir um universo interessante para futuras minisséries da DC, ou quem sabe uma revista mensal. A única ressalva é o fato que a editora se viu obrigada a tirar o James Robinson dos roteiros já na próxima edição, sendo substituído pelo Keith Giffen. A troca, ocasionada provavelmente pela grande carga de trabalho do Robinson por conta do relançamento da Terra-2 do Universo DC, não deve fazer o nível cair, mas o fato é que o roteirista britânico sempre demonstrou ser muito bom na introdução e consolidação de novos personagens.
Bom, nada contra o Giffen, pelo contrário. É só lembrar que o cara co-escreveu a Saga das Trevas Eternas, da Legião dos Super-Heróis, além da fase cômica da Liga da Justiça Internacional.
Deixando a mudança de roteirista de lado, é bom poder ler uma HQ inédita do He-Man nessa comemoração dos 30 anos do personagem. E também poder comprar action figures clássicas. Para ficar melhor, só um desenho animado novo e interessante na TV. Como não tem, vou lá conferir meus boxes da série da Filmation… ;)
Para quem se interessou, He-Man and the Masters of the Universe #1 está também disponível para a venda online diretamente com a DC ou via ComiXology. A edição número dois será lançada apenas em setembro.
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