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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008 | Atualizado em 24.07.08 às 17h37 [Especial CAVALEIRO DAS TREVAS] A Era de BronzeA série dos anos 60 foi boa para a DC. Mas novos rumos esperavam pelo Homem-Morcego…
![]() Apesar de ser negativa para a imagem do Batman, a famosa série dos anos 60 foi muito benéfica para a DC. Além de trazer muito dinheiro, trouxe algo ainda melhor. Em 1967 a então National (nome oficial utilizado pela editora até então) foi comprada pelo grupo Time Warner. Uma das primeiras atitudes do novo “proprietário” foi dar carta branca ao editor Julius Schwartz, que teria carta branca para salvar o Homem-Morcego da queda vertiginosa das vendas causada pelo fim da série. Schwartz então chamou os roteiristas Denny O`Neil e Frank Robbins, além dos artistas Irv Novick, Bob Brown, Jim Amparo e Neal Adams. Com o novo rumo, o Batman abandonou de vez o ar infantil, com roteiros realmente sombrios. Também foi nessa fase que a Dupla Dinâmica foi realmente desfeita, já que os roteiristas fizeram o Robin cursar a universidade em Nova York, o que impedia qualquer interação com o Batman. Na mesma época surgiram personagens mais profundos, como Ra’s Al Ghul, mais soturnos, como Morcego-Humano, ou mesmo personagens antigos foram reformulados, como foi o caso do Duas-Caras. Infelizmente, a dupla O’Neil e Adams acabou se afastando do Batman durante a década de 70, criando histórias memoráveis para outros personagens. Isto foi nada bom para o Homem-Morcego, que continuou com o tom sombrio, mas sem a mesma qualidade nas histórias. Porém, já na segunda metade dos anos 70, a DC trouxe dois nomes de peso para a revista Detective Comics: Steve Englehart (roteiros) e Marshall Rogers (desenhos). A dupla conseguiu imprimir na revista o mesmo estilo “noveleiro” que a Marvel tinha e trouxe finalmente um par romântico para o herói, a promotora de eventos Silver St. Cloud.
O romance entre os dois durou até 1978. Silver, que já havia descoberto a dupla identidade de Bruce Wayne, presenciou uma grandiosa luta entre Batman e o Coringa. Ao ver o amado em risco, ela percebeu que nunca mais poderia viver ao lado do amado com tanta angustia. Após um último beijo, a personagem deixou a vida do herói para nunca mais voltar. Coincidentemente (ou não), esta foi a última história roteirizada por Englehart. Na mesma época, em Nova York, a carreira solo de Dick Grayson ia muito bem, obrigado. O herói continuou atuando sob o nome Robin e conheceu novos heróis, como Kid Flash, Cyborg, Moça-Maravilha, Mutano, Estelar e Ravena. Com os novos companheiros, Grayson recriou os Jovens Titãs, agora conhecidos como os Novos Titãs. O grupo, que tinha roteiros de Marv Wolfman e arte de George Pérez, alcançou um grande sucesso. Por fim, Grayson assumiu a identidade de Asa Noturna, nome usado por Superman quando agia, sem poderes, dentro da cidade engarrafada de Kandor e procurava imitar os métodos utilizados pelo Batman.
Tudo ocorreu de forma pacífica, mas Bruce Wayne não ficou muito tempo sem um Robin. É que a DC temia a falta do personagem trouxesse algum prejuízo para o Homem-Morcego. Foi então que a editora criou Jason Todd, que possui um background praticamente idêntico ao de Grayson: era um trapezista-mirim que teve os pais assassinados durante uma apresentação e foi adotado por Bruce Wayne. Tudo para evitar possíveis rejeições pelos leitores. Na mesma época (ou seja, no começo dos anos 80), o Batman também rompeu com a Liga da Justiça, que se negou a ajudar o fiel amigo de Bruce Wayne, Lucius Fox, que estava preso no obscuro país chamado Markovia. Sem saída, Wayne foi sozinho em busca do amigo e teve a ajuda de outros heróis, que se reuniram em um novo grupo, chamado Os Renegados. Batman ficou nos Renegados por quase três anos, quando finalmente voltou para a Liga da Justiça, na época formada por jovens heróis da DC. A volta de Robin contrastou com o retorno de Denny O’Neil, que assumia a editora dos títulos do Morcego. A pedido do novo editor, um Batman mais dark e carrancudo foi colocado nas páginas das HQs. Vale lembrar que o Batman retratado até aqui não foi o único a ter espaço nas HQs da DC. É que, desde os anos 70, a editora passou a investir muito no chamado Multiverso. De acordo com o conceito das Infinitas Terras, o Batman da Era de Prata vivia na chamada Terra-1 (ou Ativa, como foi chamada no Brasil). Já o Batman da Era de Ouro, que surgiu em 1939 e lutou durante a Segunda Guerra Mundial, vivia na Terra-2 (ou Paralela). Este segundo Homem-Morcego envelheceu, se casou com Selina Kyle (a Mulher-Gato), teve uma filha chamada Helena Wayne (conhecida como a heroína Caçadora), se aposentou e morreu. O Robin da outra Terra nunca abandou a identidade original, vivendo sempre na sombra do Morcego.
Para acabar com a infinidade de versões do mesmo personagem e trazer novos leitores para a DC, a editora percebeu que era hora de matar todo mundo e simplificar. Com essa premissa, em 1985 chegou a maxi-série Crise nas Infinitas Terras. Mais detalhes no próximo texto…
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