Atualmente, criar algo e inovar em um jogo de tiro, seja em primeira ou terceira pessoa, não é muito fácil. Quase tudo já foi feito. Só que isso não impede a criatividade de funcionar, de alguma forma. Por isso a ousadia de Spec Ops – The Line é uma das suas principais qualidades — e necessidades, sendo o nono jogo da franquia e o primeiro após dez anos.

No Brasil, o título chegou agora em julho oficialmente pela Ecogames para Xbox 360, PS3 e PC. A única versão disponível é a Premium, que acrescença o FUBAR Pack – com algumas vantagens no modo multiplayer. O preço é de R$ 179,90 para os consoles e R$ 79,90 na versão para PC.

O jogo

Spec Ops – The Line chega como um jogo de tiro em terceira pessoa totalmente novo, sem qualquer ligação com anteriores, até porque a franquia está agora com uma nova publisher, a 2K Games. A história, baseada no livro O Coração das Trevas e com umas pitadas de Apocalypse Now (que tem origem no mesmo livro), acontece a partir de uma grande catástrofe em Dubai, que é engolida pelas areias do deserto e fica isolada do resto do mundo por conta de uma ~parede formada por estas tempestades de areia. Os políticos e mais ricos fugiram da cidade, mas o resto da população acabou presa.

No entanto, uma unidade do Exército dos EUA, comandada pelo coronel John Konrad (dublado por Bruce Boxleitner, o Tron!), estava retornando do Afeganistão e estava na região quando as tempestades começaram. Sendo assim, a unidade se voluntariou a ajudar na evacuação do país. Só que o caos na cidade foi piorando, bem como a comunicação com o mundo externo. Depois de algum tempo, se tornou impossível qualquer comunicação com Dubai, além da evacuação nunca ter acontecido. Assim, os Emirados Árabes Unidos declarou o local “Terra de Ninguém”.

Porém, cerca de dois meses e meio depois, uma transmissão de rádio consegue ultrapassar a barreira das tempestades de areia. Nela, Coronel Konrad relata que a evacuação deu errado e muitas vidas se perderam. Para investigar o que está acontecimento, o Exército envia uma equipe de três homens da Delta Force para reconhecimento. São o sargento Lugo, Tenente Adams e o capitão Walker, que é aquele que, a partir de então, passa a ser controlado pelo jogador.

O jogo desenvolve a história a partir do reconhecimento dos três militares – que chegam em Dubai para descobrir um conflito armado entre agentes da CIA e as tropas de Konrad. Eles acabam no meio desse fogo cruzado e, eventualmente, se tornam inimigos da facção que está controlando a cidade.

Esse roteiro é bem desenvolvido, utilizando de forma inteligente as velhas pistas pelo cenário, relatando os acontecimentos das semanas anteriores de forma a criar certo mistério do que levou Dubai até o estado de caos. Além disso, a destruição de Dubai cria um ótimo cenário para o game, com prédios destruídos, caos e areia, muita areia. Em vários momentos o jogador é atrapalhado com o brilho do Sol nos olhos e com as constantes tempestades, que tornam impossível ver o que está acontecendo, além do vento atrapalhando na mira.

Só que esse não é o principal atrativo do jogo. O melhor é que os acontecimentos vão se desenvolvendo, botando os personagens principais contra pessoas que deveriam ser aliados. A situação vai deteriorando, obrigando VOCÊ (sim, VOCÊ mesmo, no sofá da sua sala) a cometer crimes brutais. Coisas que, com toda a certeza, você se arrependerá.

Isso também fica marcado nas pequenas reações, na agressividade crescente e tudo mais.

De certa maneira, isso já aconteceu antes em Call of Duty: Modern Warfare 2, mas a forma como essa coisa de enfrentar quem não tem nada a ver com a história do novo Spec Ops é surpreendente, além de ser BEM pesada. No final, fica aquela pergunta: “Do you feel like a hero yet?”.

Gráficos e cenários

Óbvio, uma boa história de nada adianta se o game não tiver bons gráficos. Nesse sentido, Spec Ops está dentro do padrão de outros shooters atuais, como Modern Warfare 3. O caos em Dubai está muito bem retratado, com alguns dos importantes prédios da cidade real presentes.

Em alguns momentos você entrará em hotéis, spas, prédios comerciais, parque aquático e outras construções comuns em grandes cidades – só que tudo arrasado e cheio de areia.

Nas várias horas que joguei Spec Ops só vi um bug perceptível, próximo do fim do jogo, quando Adams começou a ~andar sozinho, virado pra parede. Mas só foi seguir o jogo que tudo voltou ao normal. De resto, o game funcionou da forma como era esperada.

Jogabilidade

Spec Ops – The Line se assemelha muito a outros TPS, até porque em fórmula consagrada não e deve mexer. Já a dificuldade é bem calibrada em quatro níveis. O mais fácil não é daqueles ~ridiculamente fácil, apenas te facilitando um pouco a vida. Assim fica uma dificuldade sincera para os novatos. Já o mais difícil, o FUBAR, é para quem já é profissional em TPS.

O bom é que, independente da dificuldade, os adversários têm uma inteligência artificial elaborada. Eles não ficam atirando a esmo ou são “burros”, sabendo onde devem atirar e como te encontrar.

No decorrer do game o jogador encontrará uma boa variedade de armas, incluindo pistolas, metralhadoras, rifles e tantas outras, como a AK-47, Micro Uzi, Browning M2A2 e o destruidor lança-mísseis RPG-7. Agora, o MELHOR mesmo é quando os três embarcam em um helicóptero com uma General Dynamics GAU-17/A. PQP!

Multiplayer

Talvez aqui esteja o maior problema – ao menos para nós, brasileiros. Em Spec Ops – The Line, o modo multiplayer foi desenvolvido pela Darkside Games Studios, enquanto o resto do jogo foi feito pela Yager Development. Não que isso seja, inicialmente, ruim, até porque os cenários são bem grandes e com vários pontos que ajudam na jogatina.

Há ainda várias opções de armas, níveis de crescimento, melhorias para o jogador e tudo mais – como convém num bom TPS.

O problema é que encontrei alguns bugs e não se sei foram necessariamente provocados provavelmente pelo lag de estar usando a Xbox Live aqui do Brasil – e isso com uma conexão teórica de 10 mbps. Eram inimigos que sumiam e reapareciam, o meu soldado que se teletransportava sem motivo aparente, comandos para correr ou levantar que eu não ordenava, enfim…

Ok, isso pode ser um GRANDE problema se você pensar que, em algumas horas, você fechará o modo single player e o grande barato será o mutiplayer, só que não dá pra ser conclusivo sobre estes problemas — afinal, não sei se são do jogo ou da conexão. Pode ser que ai na sua casa, com a sua internet, isso não aconteça (ou seja pior).

Spec Ops – The Line é, por si só, um PUTA JOGO, que te fará sentir a emoção e os verdadeiros horrores da guerra, trazendo opções e escolhas das quais você fatalmente se arrependerá. Isso te faz pensar. E, vamos ser sinceros, fazer pensar é o melhor de TUDO.

PS. Só pra constar, o jogo tem cinco finais possíveis. Vai lá descobrir quais são. ;)

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