É, faz parte do meu trabalho conhecer um monte de gente que muita gente sabe quem é, mas pouca gente pode ter acesso. Também faz parte do meu trabalho viajar pra vários lugares do Mundo pra poder fazer essas entrevistas. E, quem vê de fora, deve achar que é a coisa mais legal que se pode fazer…
De fato, é. Mas não é fácil. Cansa, exige muito de você em muitos níveis e, muitas vezes, você se arrepende por ter encarado uma classe econômica por mais de 12h só pra ouvir um sim ou um não de alguém… Porque lá em Hollywood as coisas são assim: o que você vê é lindo, maravilhoso, legal. Mas até chegar ali, é um verdadeiro pé no saco.
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Quando The Miz veio a São Paulo pra divulgar o WWE RAW World Tour, eu me preparei pra entrevistá-lo dessa maneira. Sabia que teria um cara de saco preenchido de viajar, de responder tantas vezes as mesmas perguntas e os assessores de um dos principais superastros de uma das principais empresas de entretenimento do Mundo. Horário marcado, ligações e preocupações com atraso e uma pauta de oito perguntas, a serem feitas em vídeo. Como sempre, seria esperar numa salinha, cumprimentar, tentar ficar o mais dentro possível daquela pauta e sair, agradecendo e, se tudo desse certo, comemorando mais uma entrevista que tenha ficado legal.
Quando cheguei no hotel aqui de São Paulo onde ele estava hospedado AND rolaria a entrevista, no horário exato em que tinha marcado, o assessor já estava lá no lobby me esperando. Fiquei até preocupado… “Como vai ser?”, perguntei. “Você tem uma hora com ele. E ele é muito gente boa”. Entrei na tal da sala e lá estava Mike “The Miz” Mizanin no seu iPhone numa ponta de uma mesa de reuniões, ao lado de um intérprete; do outro lado da mesa, um pessoal da própria WWE, que iria ficar ali, de longe, acompanhando a entrevista — no maior dos silêncios sem, em nenhum momento, falar qualquer coisa. NEM MESMO sobre o tempo… E ainda tiraram uma foto minha (tremida pra cacete!) com ele no final. :D
Fato é que a pauta que eu havia levado, feita a trocentas mãos, não seria suficiente. E seria a primeira vez que eu ficaria de frente com alguém de tamanho GARBO pra poder falar o que eu quisesse. Pra poder, muito mais do que uma entrevista, conversar com “The Awesome One”. Não só falar sobre o que tá acontecendo NESSE MOMENTO na WWE, o evento no Brasil, sobre tudo. Tentar entender como funcionam um pouco mais as coisas, como ele chegou onde ele quem chegou, QUEM É ESSE CARA. Mas… Que cara? The Miz? Mike Mizanin? WWE Superstar ou um ator, atleta, um cara qualquer?Aí embaixo você confere o resultado da que, pessoalmente, foi uma das entrevistas mais legais que eu já fiz — com colaboração, ajuda, criatividade e muito <3 do Guto Guimarães, Leonardo Alcalde e André Luiz de Mello. :)
The Miz ~ Claro! E eles vão me entender, porque eu falarei em português. Nós estivemos na Rússia, Polônia, Alemanha, Itália, França e Inglaterra (fizemos um tour de duas semanas na Europa) e eu falei em russo, alemão, polonês, BELGA, italiano, francês… eu nunca falei nada em português, mas eu planejo fazê-lo quando vier pra cá.
The Miz ~ Nada, nenhuma palavra. O que eu farei é o seguinte: vou até lá, escreverei algo que eu quero dizer, entregarei para alguém que fale português e inglês, pedirei para traduzir para mim… aí vou até o ringue e, se tudo der certo, falarei tudo errado.
The Miz ~ Ele poderia! Deveria recrutar o Blanka, do Street Fighter! Mas sério, isso poderia acontecer…
The Miz ~ Não, não conheço… aliás, em todas as entrevistas que eu estou fazendo, onde me perguntam “e aí, o que você sabe sobre o Brasil?” eu respondo: bom, eu sei algo sobre as churrascarias – aliás, fui numa ontem. Fantástico! – sei sobre o carnaval – sempre quis ir, mas nunca tive tempo por estarmos sempre na estrada – e sei sobre as modelos da Victoria’s Secret. Aliás, procurei algumas delas por aqui e não encontrei nenhuma.
The Miz ~ Ah, é?
The Miz ~ É, agora eu percebi! Tudo bem…
The Miz ~ Não, não sabemos! É a primeira vez que a WWE vem pro Brasil, então estamos todos curiosos. Nós acabamos de ir para a Rússia pela primeira vez, e os fãs lá eram insanos. Todos têm me falado sobre quão apaixonados são os brasileiros, então… cai dentro! Eu quero é ser tão vaiado que eu seja expulso do ginásio, e isso será ótimo.
The Miz ~ Eu adoro! Não é todo trabalho que te leva ao redor do mundo. Eu já fui pra China, Japão, Filipinas, rodamos por toda a Europa, pudemos vir pra cá… eu já fui pra todo lugar. Posso falar todas esses idiomas diferentes, que eu nunca achei que falaria… e massacrá-los, porque é assim que eu rolo.
The Miz ~ Eu achei a China muito interessante, porque eu não imaginava que fosse tão limpa, tão rica. Abu Dhabi, mesmo… você vai até lá e pensa: ok, tem os ricos e, acima deles, tem Abu Dhabi. Foi incrível. Enfim, cada cidade é diferente, é única.
The Miz ~ Wrestlemania 27. Eu era o main event, lotamos o George Dome com 70 mil pessoas. Foi a coisa mais incrível do mundo, pra mim.
The Miz ~ É mais ou menos isso, na verdade. Vindo de um reality show, eu não fui aceito pelo Universo WWE (os fãs), os lutadores e demais logo de cara, porque todos achavam que eu só estava lá por conta do reality show. Isso não poderia estar mais longe da verdade, porque eu treinei em uma escola independente de wrestling – UPW (Ultimate Pro Wrestling) – treinei lá por três anos. De lá, fui para o Tough Enough – e não ganhei, mas impressionei tanto os executivos da WWE que eles me deram um contrato pra área de desenvolvimento da empresa. Fiquei lá por um ano e finalmente estreei na WWE. Quando cheguei lá, todos me odiavam. Mas eu sou o tipo de pessoa que trabalha o quanto puder para ganhar o respeito de todo mundo… e eu acho que consegui. Se eu não consegui, dane-se. Não ligo. Eu já fui WWE Champion, e você? O que já conseguiu na sua vida?
The Miz ~ Olha, por enquanto eu estou numa fase em que posso dizer que não faço ideia do que vai acontecer. Eu sempre quis ser WWE Champion – acho até que é o objetivo principal de todo mundo. Aliás, nem é só isso: você também quer a maior reação do público possível. Eu acho que Cena e Lesnar – que virou a face da WWE por conta do John Laurinaitis – conseguem isso… e é isso que eu quero. É lá que quero estar. Eu sou o tipo de pessoa que trabalha o máximo que puder pra ganhar essa confiança, porque… bom, analisemos: fui EU quem conseguiu o emprego pro Laurinaitis. Fui eu quem deu a vitória para o Team Johnny no Wrestlemania 28, fui eu quem fez o pin no Zack Ryder. Sou eu quem deveria estar aproveitando os benefícios disso tudo. Eu deveria ser a face da WWE. Laurinaitis não fez isso. Ele está tão preocupado com o Cena – ele quer uma luta contra o Cena no Over The Limit – enquanto deveria estar me colocando no lugar de “o fodão da WWE”. Talvez eu deva ir até ele e ver o que é que está acontecendo…
The Miz ~ Elas meio que acontecem sozinhas, na verdade. Elas surgem e vão criando vida própria, crescendo… e é assim que funcionam. E o público gosta.
The Miz ~ Claro! Mas a WWE tem roteiristas. E são eles quem fazem a brincadeira acontecer.
The Miz ~ O tempo inteiro! Toda vez que eu tenho uma luta acontece algo que eu não esperava. Eu contava uma história, hoje… eu tava indo em direção ao ringue e uma garota tinha um cartaz, escrito “Case comigo, Miz”. Eu olho pra ela e penso “Caramba por que diabos ela tá chorando?” Os seguranças foram até ela, enquanto eu voltava da minha luta… eles tiveram que tirá-la dali, porque ela não conseguia respirar. Ela estava hiperventilando, passando mal mesmo. Aí, eu pensei… “É, é isso aí. É isso mesmo que tem que acontecer quando mulheres olham para mim”.
The Miz ~ É! Chorar, engasgar, soluçar de felicidade… eu entendo, mesmo. Eu me vejo no ringue e penso “meu deus, que perfeição”…
The Miz ~ Você meio que vai lá fora e vê como o público é, como eles reagem a você e o que você fala… então, você vê seu oponente e pensa “ok, eu farei isso, contra-atacerei com aquilo etc”.
The Miz ~ Eu não, ô! Por que eu sentiria falta daquela época?! Eu não quero levar cadeiradas na cabeça e ficar sangrando daquele jeito, tá louco? Eu gosto da PG Era porque você tem que ser mais criativo. Tem mais história envolvida… e é disso que eu gostava quando criança. Nem era pela violência, eram os personagens. Quando você pensa na época, você lembra dos “Stone Cold Steve Austins”, dos “The Rocks”, dos “Mankinds”, dos “Undertakers”… você não lembra da brutalidade, você lembra dos personagens. É disso que eu sempre gostei e é por isso que eu sempre amei a WWE.
The Miz ~ Eu acho que ela já veio e já foi. Existem “Eras” que poderão vir que nem sequer cogitamos, por enquanto. Poderiam começar amanhã, até. Você não tem como saber quando uma “Era” começa. Isso simplesmente acontece, enquanto você aproveita o que acontece. É o que eu faço: eu aproveito o “agora”.
The Miz ~ Cara, tá de brincadeira? Quando criança, eu adorava Hulk Hogan, Ultimate Warrior, Andre The Giant, The Rockers (a tag-team do Shawn Michaels), Demolition… eu era um patcha fã quando criança. Aí chego na WWE e vejo, tipo… Hulk Hogan? Eu ficava sentado ali, pensando… “Caramba, por que esse cara tá falando comigo?” Sabe, me dando algumas dicas, conversando sobre várias coisas… eu cheguei pra ele e falei: “Você consegue entender que eu só tomava vitaminas porque eu via você na TV, dizendo ‘Crianças, tomem suas vitaminas!’?” Caramba, eu pude lutar com Bret “The Hitman” Hart! Eu me lembro quando eu queria aqueles óculos dele, uma criança da primeira fila pedindo e ganhando… e eu pensando “Eu quero ser aquela criança!” Sabe? E agora eu pude lutar com Marty Janetty, que… eu e meu amigo nos vestíamos como os The Rockers – ele era Shawn Michaels, eu era Janetty – e aí eu pude lutar com Janetty (e ganhar dele)! Isso foi fantástico.
The Miz ~ Olha, nós viajamos tanto, estamos tanto tempo na estrada… acho que dá pra dizer que é uma enorme sessão de treino. Eu tenho lutas de 40 minutos numa noite, às vezes. Isso me mantém em forma. Sabe, você fica na estrada por 300 dias por ano, fazendo mais ou menos 150 shows no ano… isso acaba sendo parte do seu treinamento. Mesmo assim, ainda encontramos tempo pra ~malhar~.
The Miz ~ Nah, eu não acho que exista. A WWE tem mais valor como entretenimento, é mais amigável para as famílias, é o show que mais faz valer o dinheiro que você pagou. Quando você vier pra São Paulo, assistir o nosso primeiro evento ao vivo, você vai testemunhar o entretenimento. As histórias novelescas, os personagens… os fãs interagem, o evento principal não vai durar cinco segundos. Seu dinheiro vai valer a pena. Você vai poder ver as pessoas que gosta, os superstars que te intrigam, vaiar quem você odeia, torcer pra quem gosta… essa é a melhor parte da WWE. Por isso não acho que haja competição. Beleza, o UFC é legal, fantástico pra audiência deles. Mas nós temos um público-alvo bem diferente.
The Miz ~ Olha, eu não sei. Não faço nem ideia. Talvez alguns deles até possam… eu sei de lutadores de MMA que tentaram ser WWE Superstars, mas não conseguem. Tem lutadores da WWE que foram pro MMA e não deram certo… são duas coisas completamente diferentes. Mesmo assim, se eles conseguirem aceitar/aguentar a nossa rotina de viagens, nosso treinamento e tudo que convivemos diariamente, então… as portas estão abertas!
The Miz ~ Cara, Chuck Norris é fodão… mas eu não acho que ninguém conseguirá acabar com a streak. Da mesma forma que ninguém conseguirá acabar com a minha streak no Wrestlemania. Eu já tenho 3-0! Já estou quase lá. Só preciso de mais dezessete vitórias para ganhar do Undertaker. Além disso, eu acho que eu chutaria a bunda do Chuck Norris. Eu o chutaria na face. Faria mesmo. Machão, eu.
The Miz ~ Eu gostaria de poder me duplicar, pra poder ver como eu lutaria comigo mesmo.
The Miz ~ Sim, verdade! Eu tenho os jogos pra poder fazer isso… mas é isso que eu gostaria de fazer: me clonar e fazer uma batalha contra mim mesmo.
The Miz ~ Claro que sim. Mas eu acho que o meu clone diria que pode ganhar de mim também, então… eu não sei se o mundo conseguiria lidar com dois Miz, na verdade.
The Miz ~ Olha, é assim… o Chuck Norris. Estamos falando dele quando estava no seu auge, ou Chuck Norris hoje em dia?
The Miz ~ Ah, tá! Na época do Walker: Texas Ranger? Pô, aí é outra coisa completamente diferente! Mas mesmo assim eu ainda acho que ganharia. Eu bateria tão forte nele que sua cabeça iria cair do corpo.
The Miz ~ Olha, eu nunca vou me esquecer do Undertaker jogando o Mick Foley de cima da gaiola, no Hell In a Cell. Eu fiquei pensando… “caramba, como isso aconteceu? Esse tipo de coisa não é pra acontecer! Eu morreria se fosse comigo!”. É por isso que sempre falamos para as crianças: “Não tentem fazer isso em casa”. É o esporte mais perigoso em que eu já me envolvi.
The Miz ~ É, Mick Foley é um cara durão. Ele pode aguentar muita dor.
The Miz ~ Se eu já lutei com o Foley…? Bom, eu já estive no ringue com ele. Ele me atacou com o Socko, e aquilo fede. Tem um gosto horrível, também.
The Miz ~ The Miz, claro. Eu sou o mais chato, arrogante, insuportável… e eu não acho que isso seja ruim, pra ser bem honesto com você. Mas você diz chato no sentido de ME irritar, assim?
The Miz ~ Sei lá… olha, no momento ninguém me incomoda. Amanhã, talvez, tenha algum cara novo na brincadeira que me faça sentir isso. Mas agora, por enquanto, tá tudo bem. Por um tempo, Cena foi esse cara. Depois, CM Punk esteve nessa vaga… quem sabe quem será o próximo?
The Miz ~ É, ele catapultou. Está numa ótima sequência, mais ou menos como o Daniel Bryan, que aprendeu tudo o que sabe comigo. Na minha opinião, essa é a única razão pela qual ele tem tanto sucesso, hoje em dia. Se ele souber aproveitar isso, pode se transformar num dos melhores talentos da WWE, assim como eu. CM Punk também, aproveitou a onda e foi além de qualquer expectativa.
The Miz ~ Não, não vejo isso acontecendo. Aliás, nem ele, nem nenhum outro superstar, jamais vai conseguir pegar o meu lugar. Eu sou bom demais pra isso acontecer. Se eles acham que conseguiram pegar o meu lugar, bem… tamos aí pra provar o contrário. Ele era o meu “calouro”, sempre vai ser. Ele não sabe nem metade das coisas que eu sei.
The Miz ~ Bom, eu vejo da seguinte maneira: muitas pessoas ficam dizendo “Ah, ele não tá na estrada com a gente, ele vem e vai quando quiser, não é apaixonado de verdade pela WWE…”. No meu ponto de vista, o cara é uma estrela de cinema do mais alto garbo. Ele tem toda uma nova legião de fãs, que conseguiu por conta dos seus filmes. E aí ele diz: “Eu estou voltando para a WWE”. Adivinha? Aqueles fãs, que gostam dele nos filmes, vão voltar junto e assistirão a WWE. Nossa audiência vai subir. E adivinha só quem mais estará naquele show? Eu. Então, mais pessoas poderão me ver, também. Mais pessoas continuarão assistindo, só por minha causa. Então, se The Rock quer ir e voltar uma, duas vezes por ano, ótimo! Traga todos os seus fãs para que eu os pegue pra mim!
The Miz ~ Eu não acho que alguém realmente planeje algo assim. Se acontecer, claro… por que não? Mas eu fico com a WWE porque eu sou apaixonado por isso tudo. Eu curto isso, de viajar pelo mundo inteiro, de entreter as pessoas… estou empolgado para vir pra SP, no dia 23, porque eu realmente acho que esses fãs terão algo bem especial – é a nossa primeira vez aqui. É sempre uma honra estar num show que acontece pela primeira vez. Porque é nesse show que ninguém vai se conter, ninguém vai se segurar. Todos vão dar o máximo de si.
The Miz ~ Sim, pro The Marine: Homefront! Eu vou começar a gravar em pouco tempo. Provavelmente será uma ótima experiência.
The Miz ~ Claro, o tempo inteiro! Quando eu consigo calar a boca e desligar o meu cérebro… é fantástico!
The Miz ~ Eu gosto ficar no meu sofá… meu pai sempre fala “Caramba, por que você não sai de férias?” E eu: “Pai, minhas férias são sentar no sofá, ver TV e brincar com meu cachorro – que é desse tamanho, aliás.
The Miz ~ Um mini pinscher.
The Miz ~ Aí sim, hein?
The Miz ~ O que eu tenho curtido, nesse momento, é Breaking Bad, Dexter, Eastbound and Down… esses são os shows que eu mais tenho visto.
The Miz ~ Ah, eu assisto sempre que posso… os filmes que eu mais gosto são “Nem Tudo É O Que Parece”, “Os Garotos Perdidos”, “Quase Famosos”, “Rock Star”… eu também gosto de comédias. Gosto de todos os filmes do Will Ferrell, mesmo sabendo que as pessoas o achem irritante, às vezes… eu não acho.
The Miz ~ Arrã!
The Miz ~ Cara, Mickey Rourke fez um trabalho fantástico. Eu não acho que seja sobre os lutadores da WWE de hoje em dia, talvez do passado – as coisas talvez fossem daquele jeito – mas hoje em dia eu acho que nós somos mais espertos em relação ao nosso dinheiro, as finanças… e agora nós usamos ternos. Bom, EU uso. Não uso regata e pochete, como alguns deles faziam. Nem aquelas calças estampadas…
The Miz ~ Eu tenho Mortal Kombat no meu iPhone, tenho jogado bastante ultimamente. Estou no terceiro nível, se não me engano… e eu acho que não consigo chegar até o final com um personagem só, sabe? Se eu trocar, eu sei que chego lá. Tipo, com o Sub-Zero eu ganho dos caras mais fodões, mas… às vezes, a Kitana me enche o saco com aqueles leques. Aí eu escolho o Scorpion pra ficar teleportando, tals. Ou até mesmo com o Cyrax, enfim.
The Miz ~ Eu gosto dos jogos da WWE, porque são fantásticos. Claro, eu estou neles… mas eu gosto de jogos antigos. Lá em casa eu tenho um videogame antigão onde eu posso jogar Ms. Packman, Galaga, Centipede… eu gosto de todos esses jogos oldschool, da década de 80. São muito divertidos.
The Miz ~ Sabe, eu gosto de ver mulheres sendo atléticas. Lindas, lutando… vê-las desse jeito? Claro, pô! Gosto pra caramba!
The Miz ~ Cara, eu não poderia concordar mais com você. Quando as divas vierem pra São Paulo, eu garanto que vocês as verão mais do que dois minutos. Serão no mínimo quinze, então… joinha pra isso!
The Miz ~ Eu era um deles! A Ultimate Pro Wrestling (UPW), em Los Angeles, era uma dessas. Nós lutávamos em colégios e em qualquer lugar que eu tivesse a oportunidade de me apresentar. Então, quando você chega à WWE é maravilhoso, porque você percebe o quão legal é se apresentar pra milhares de pessoas. Quando você tá numa escola e só a sua família e amigos assistem pra te dar aquela força e, de repente, você tem fãs por todo o mundo… eu era um desses caras.
The Miz ~ É, eu comecei com o Ultimate Pro Wrestling, que fazia shows em tudo que era lugar. Então, depois que você começa na área de desenvolvimento da WWE, você luta em colégios, centros comunitários… uma vez nós lutamos num lugar que parecia um celeiro, fizemos um show lá pra dez pessoas. Só pra ganhar mais experiência.
The Miz ~ Não, não fomos pagos pra aquilo. Tipo, no UPW eu ganhava US$25 por show.
The Miz ~ É, eles não queriam que eu fizesse isso. Meus pais queriam que eu tivesse ficado na faculdade ao invés de participar do The Real World. Eu falei que ia fazê-lo. Eu vou trancar a faculdade por, tipo, um semestre pra fazer isso. Aí fui pra Nova York e aprendi lá mais do que já tinha aprendido em todo tempo de faculdade que cursei. Aí pensei: “Quer saber? Eu vou me mudar pra Los Angeles e vou ser um WWE Superstar”. Então, meus pais olharam pra mim e disseram “Você só pode estar de brincadeira. O que tá acontecendo de errado com você? Você vai pra faculdade!” e eu “Não! Eu vou pra LA e vou ser um WWE Superstar!”. Tipo… qualquer pessoa que chegue pros seus pais e fale algo assim não pode esperar que entendam de primeira, né? Isso não acontece fácil, assim. Sonhos não são feitos pra serem realizados… por isso que são sonhos. Mas eu sou um daqueles caras que diz “eu farei isso, não importa o que aconteça”. Quando eu estava no The Real World, todos me falavam que eu não conseguiria. “O que é que você vai fazer na frente de quarenta mil pessoas?” E eu dizia “Sei lá, alguma coisa!”. E eu cheguei lá. Então, uma coisa que sempre vai acontecer é que pessoas virão pra te por pra baixo, pra dizer que você não vai conseguir ser o que você quer ser… porque eles querem fazê-lo, mas tem medo. Então, eu disse: eu vou lá. Eu vou conseguir. Se eu não conseguir, pelo menos eu tentei. Fiz tudo que podia pra isso, ao menos. Aí que eu consegui e hoje meus pais são apaixonados pela WWE. Meu pai me liga TODAS AS NOITES, depois do show, pra me dizer o que eu fiz de errado – bem típico de pais, isso. Ele nunca entrou no ringue, nunca fez nada de entretenimento, nada tão físico quanto aquilo, mas mesmo assim ele acha que sabe tudo sobre isso.
The Miz ~ Negócios.
The Miz ~ Bom… sabe o meu “Really? Really?”? Então. Foi de lá que eu tirei. Foi basicamente essa a reação. Eles não queriam que eu fosse… assim: eles não gostavam da ideia de eu estar no The Real World até que começaram a ser notados por eu estar lá. As pessoas ligavam pra eles e diziam “Hey, o Mike está no Real World!”… e a mesma coisa aconteceu com a WWE. Assim que as pessoas começaram a ligar pra eles pra falar sobre isso, eles começaram a ficar felizes com isso.
The Miz ~ Não… Quando eu estava na faculdade, não planejava fazer parte da WWE. Na verdade, eu tava seguindo o caminho que todos da minha cidade (Parma, Ohio) seguem: quando você termina o ensino médio, vai pra faculdade. Quando você termina a faculdade, volta pra cidade, consegue um emprego, constrói uma família e fica lá, porque é isso que você tem que fazer. Mas quando eu cheguei no The Real World eu percebi que conseguiria fazer qualquer coisa que quisesse. Então… “O que eu quero fazer com a minha vida? Eu quero ser um WWE Superstar”.
The Miz ~ Ah, sim… acho que todo mundo que vive na indústria do entretenimento pensa “é, eu posso atuar, posso fazer outras coisas”… mas agora, eu estou apaixonado pela WWE e aproveito demais o meu trabalho. Meu trabalho é ter gente me vaiando, não tem como não gostar. Mas se eu tivesse um plano B… eu faria algo na área do entretenimento. É o que eu gosto de fazer. Então eu seria um apresentador, ator, comédias de improviso… é o que eu acabaria fazendo, se a WWE não existisse.
The Miz ~ Claro! Eu sempre tenho alguma coisa na manga.
The Miz ~ Bom, eu tenho tipos diferentes de fãs, no twitter. Fãs e haters, na verdade. Eu os chamos de “MizFits” e “MizTakes”. Os MizFits são sempre muito positivos, tipo “Caramba, você estará no próximo The Marine! Isso vai ser ótimo, mal posso esperar pra assistir! Vai ser o melhor filme do mundo!”… e aí você tem os MizTakes, tipo… cara, pra que me seguir lá se é só pra me odiar? Eles ficam twittando coisas como “Ah, isso vai ser o pior filme do mundo”. Aí, quando eu apareço na TV, ficam reclamando… Caceta, pra que me seguir então? Não me sigam! Não falem comigo! Me deixem em paz, sabe?
The Miz ~ Olha, qualquer hora… sabe, qualquer hora… isso te afeta, independente de qualquer coisa. Não importa o quão confiante você é, o quanto você sabe quem é… sempre tem aqueles tweets que te fazem pensar: “Você só pode estar brincando”. Mas aí aparecem uns outros três que te jogam pra cima, te deixam positivo de novo. É por esse tipo de coisa que nós temos a campanha “Don’t Be a Bully, Be a Star”. Nós vamos até as escolas e tentamos motivar as crianças a não ser bullys. Se vocês sofrem com isso, que contem pra alguém. Claro, na TV eu interpreto alguém que incomoda o tempo inteiro, mas eu sei que existem pessoas que passam por isso na vida real. Eu passo por isso o tempo inteiro, no twitter e no facebook. Então, nós tentamos motivar as crianças a fazerem coisas mais positivas com a sua vida, com a campanha Be A Star.
The Miz ~ Não… eu era o cara que defendia as crianças que sofriam com isso. Mas eu tinha um grupo de amigos que passava por isso. Sabe, eu não entendo. Por que você quer fazer uma pessoa se sentir mal em ter que ir pra escola? Eles meio que não tem escolha, sabe? Tem que ir pra aula. Então, por que fazer isso ser horrível?
The Miz ~ Eu gosto!
The Miz ~ Eu acho que recebo mais notícias pelo twitter do que qualquer outra mídia, hoje em dia. Mais do que jornais, TV… eu encontro mais notícias no twitter do que em qualquer outro lugar. Eu acho fantástico, por isso. Você consegue as coisas assim, num estalar de dedos. Todo mundo sabe que eu estou no Brasil agora porque, adivinha… eu twittei sobre isso.
The Miz ~ Sim, eu acho que faz as pessoas me conhecerem de uma forma mais pessoal. Saber exatamente o que eu estou fazendo, podem ver que eu estou fazendo coisas positivas, legais, além das coisas que eu faço na TV. Nós dá uma relação mais pessoal com os fãs.
The Miz ~ É por isso que o meu twitter é @MikeTheMiz. Porque algumas vezes você vai ler o The Miz, outras vezes vai ler o Mike.
The Miz ~ Bom, eu tinha acabado de me separar da dupla que fazia com John Morrison e a nossa catchphrase era “Be Jealous!”… aí eu me vi indo pra “carreira solo” e pensei “Cara, eu preciso de uma catchphrase. Sempre gostei dos superstars que tinham uma. Eu preciso inventar uma. Caramba, o que eu vou fazer…” e um dia eu tive que fazer uma promo pro John Cena. Tipo, ele tava no ringue… e eu “Caramba, o que eu posso falar?” e eu lembro de uma promo que eu queria ter dito, mas por alguma razão não era a hora certa, o momento certo pra fazê-lo. Tipo, depois de tudo que eu disser, eu falarei “I’m Awesome”. Assim: “Eu sou o campeão de duplas: I’m Awesome”. “Eu tenho mais dinheiro que você: I’m Awesome”. Aí eu peguei aquela promo e pensei: “Vou fazer disso a catchphrase mais fácil de toda a história: “I’m The Miz and I’m Awesome”. Tipo, “quem sou eu? Sou o The Miz. O que eu sou? Awesome”. Pronto, tá resolvido! É exatamente quem eu sou e o que eu sou. É a melhor coisa do mundo.
Você já tá seguindo o Judão no Twitter, Facebook, Google+ e Tumblr?! Pois deveria. ;D


