No começo do mês, noticiamos aqui no JUDÃO que a 89 FM, conhecida nos tempos áureos como a “Rádio Rock”, vai deixar de existir. A partir do próximo mês, uma programação religiosa vai entrar no lugar. Fim. Acabou. Ou não.

Se você é de São Paulo e sintonizou durante o fim de semana nos 89.1, reparou que a programação estava meio diferente… E, no meio disso, uma surpresa: o nome “A Rádio Rock”.

CALMA, CALMA. Não é um grande mudança no destino da rádio. Tanto é que, hoje, segunda-feira, se você colocar nos mesmos 89.1 vai ouvir Planta & Raiz e essas coisas que estavam, nos últimos anos, na programação da rádio. De acordo com o Tudo Rádio, a 89 FM vai realmente morrer em novembro. A diferença é que o grupo que controla a emissora resolveu aproveitar estes últimos dias para lançar um novo projeto. O de uma rádio online chamada a Rádio Rock.

Se acessar agora o site que foi divulgado durante o fim de semana (e ainda aparece na programação da emissora eventualmente), www.radiorock.com.br, poderá voltar uns anos no passado e ouvir algo próximo do que foi a programação da 89 FM, incluindo Guns, Kiss, Foo Fighters, Pearl Jam, Gorillaz, entre outras bandas. Nada que vá reinventar a roda, nem nada disso. Mas é um caminho…

Vítima do mercado

Para entender os rumos da 89 FM e do rádio como um todo, é só analisar os números de audiência em São Paulo. Hoje, quem domina esse mercado são as rádios populares como Transcontinental, Tupi e Nativa. Mix FM, a “rádio jovem” mais ouvida, é apenas a 8ª, de acordo com a última pesquisa do Ibope, divulgada no começo do mês. 89 FM e Metropolitana, as duas do mesmo segmento, vêm logo a seguir em 10ª e 11ª, respectivamente. Isso conquistado, em parte, com a abertura da programação para gente como Luan Santana, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Michel Teló, entre outros. Só assim para aumentar os índices, trazer mais anunciantes e pagar os custos de uma estrutura cara, fora o lucro…

A Kiss FM, que seria a emissora que, mesmo sem uma relação direta, mantém o espírito de “rádio rock” na cidade, é a 13ª em audiência. Não é um resultado de se jogar fora para uma emissora mais enxuta, mas ainda assim…

Não que rádios religiosas, gospel ou whatever tenham uma audiência espetacular. A Vida FM, a melhor do “segmento”, é a 7ª em audiência no geral. Ainda assim, tem mais gente ouvindo eles do que a Mix, por exemplo.

Estúdio da 89 FM em São Paulo

Nesse mercado pulverizado e popular, há outro fenômeno que chama a atenção: o de “outras emissoras”. A cada pesquisa do Ibope elas crescem. São as rádios piratas? Também. Mas também são as rádios online. Um segmento que, ainda, não foi explorado de uma forma mais engajada por nenhum grupo de mídia. E é nisso que a nova Rádio Rock está apostando.

Como uma estrutura menor e sem custos altos com transmissão e antenas, a Rádio Rock pode reviver como uma alternativa para o público que, hoje, quer realmente ouvir esse conteúdo. Um público que não é maioria. Resta saber se esse pessoal vai mesmo recorrer à internet e se será suficiente para atrair anunciantes. Afinal, nem anúncios, NADA sobrevive.

Até porque, hoje em dia, ouvir rádio online não é complicado. Sem falar que logo logo devem surgir aplicativos para Android, iOS e afins, facilitando tudo. E o melhor: a transmissão não fica presa a uma cidade ou onde está uma rede de rádios.

É, a 89 FM morreu. Vida longa à Rádio Rock!

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