Você provavelmente não sabe, mas ontem foi o domingo mais importante do ano – automobilisticamente falando, claro. No mesmo dia aconteceram o Grande Prêmio de Mônaco da F1 e as 500 Milhas de Indianápolis da F-Indy. Muito dinheiro, mulheres, e corridas chatas. Ok, mas com final emocionante, no caso da Indy.

Lotus Angry Bird de Kimi Raikkonen

Ao menos teve, na F1, Kimi Raikkonen correndo com a sua Lotus Angry Bird e com capacete em homenagem ao James Hunt, o campeão mundial mais judônico da história da categoria. Isso já valeu por tudo. Sem contar que, no final das contas, tivemos o sexto vencedor em seis corridas, um recorde histórico que faz deste ano o mais competitivo da história da Fórmula 1.

Acha pouco? Bom, então ao menos teve a Nicole Scherzinger para ~movimentar~ o paddock…

Anteriormente, no sábado

Nas ruas do Principado, entre iates e gostosas, os carros da F1 correram no sábado para o treino oficial. E, pela primeira vez no ano, Felipe Massa ameaçava andar mais rápido que o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso. Também, sendo comido por toda a equipe, pelo presidente Luca di Montezemolo, pela imprensa brasileira e italiana e por todos os torcedores, o cara tinha que se movimentar UM POUCO. Resultado: melhor tempo do Q2 do treino. Mas o bom desempenho parou por aí.

No final das contas, Michael Schumacher, da Mercedes, foi o pole – mas não levou. O alemão teve aquela PRESEPADA com o Bruno Senna na corrida passada e, por isso, levou uma punição de cinco posições no grid de largada em Mônaco. O primeiro lugar caiu no colo de Mark Webber, da Red Bull, que, antes desse GP, pouco havia feito no campeonato. E em Mônaco uma pole é meia vitória…

Em terceiro – quer dizer, segundo – ficou Nico Rosberg, mostrando que a Mercedes, ao menos nessa corrida, voltou a ter um puta carro, seguido por Lewis Hamilton (McLaren) e Romain Grosjean (Lotus). Massa ficou em sétimo, logo atrás do Alonso e do penalizado Schumacher. Em oitavo largou nosso ídolo etílico, o Kimi.

Já lá nos EUA estavam todos de boa. Afinal, o grid das 500 Milhas é definido UMA SEMANA antes da prova. A pole – que já vale uma bela grana – foi de Ryan Briscoe, da Penske, seguido por dois pilotos da Andretti na primeira fila: James Hinchcliffe e Ryan Hunter-Reay. Mas, na real, o grid não importa tanto na Indy: em 200 voltas tuuudo pode acontecer. Principalmente você se tornar um só com o muro.

Corrida chaaaaata

Podemos estar vivendo uma temporada competitiva da Fórmula 1, com carros com desempenho parecido e com a qualidade dos pilotos sendo o diferencial, mas isso POUCO importa em Mônaco. Essa corrida é meio que como andar nas ruas estreitas do Centro de São Paulo, quando aquela carroça na sua frente fica atrapalhando sua vida e é impossível ultrapassá-la.

Talvez sabendo do SACO que é Mônaco e aproveitando o glamour da corrida, a Globo finalmente se movimentou DEPOIS DE 40 ANOS e mudou o esquema de transmissão. Acabou aquela história de iniciar a cobertura da corrida cinco minutos antes, com um repórter no circuito apenas para ouvir três entrevistados. A partir deste domingo as transmissões dos GPs começam 20 minutos antes da largada, mostrando bastidores, entrevistando pilotos, celebridades e chefes de equipe. E não é só isso: mesmo durante o treino oficial ou a corrida há uma câmera no paddock, registrando os bastidores da prova, além de oito câmeras on board que podem ser ~sintonizadas~ a qualquer momento pelo diretor de TV global, independentemente da transmissão da FIA.

Beleza, as TVs europeias fazem isso HÁ SÉCULOS, mas é bom ver a Globo se movimentando – talvez pela queda de audiência que a F1 vem sofrendo desde 2008…

(Aliás, no meio do ~pré-show~, a FIA ainda mostrou que Will Smith estava lá, em Mônaco. Será que todos os pilotos são… ALIENS!? =O Isso explica muita coisa!)

Bernie Ecclestone, Will Smith e a Nicole com o cabelo no lugar errado =/

Ah, sim, a corrida. Todo mundo largou e, como esperado, teve confusão logo na primeira curva, a Saint Dévote. Alonso tocou no Grosjean, que rodou e bateu. Mais atrás, Kamui Kobayashi, da Sauber, bateu em Jenson Button, da McLaren, mas ambos continuaram na prova. Já Pastor Maldonado, que venceu na Espanha com a Williams, enroscou com o Pedro de la Rosa, da HRT, e ambos abandonaram. Hugo Chávez já analisava a possibilidade de entrar em guerra com a Espanha depois de tal ato hostil, mas aí avisaram pra ele que foi culpa do venezuelano e ficou por isso mesmo.

Com tanta confusão, o safety car entrou na pista. Duas voltas depois, o carro saiu. Só que todo mundo continuou em fila indiana. É que com desempenhos parecidos, ninguém disparou.

As voltas foram passando, passando… E Mônaco seguia nessa CHATICE sem igual. Ainda bem que tínhamos Sérgio Pérez, que largou em último após problemas nos treinos e foi ultrapassando os carros mais lentos onde não havia espaço. Mas quem disse que a TV dava muita atenção para o cara? E, pra piorar, Pérez fez uma enorme burrada, impedindo que o Kimi parasse nos boxes junto com o mexicano. Aí veio o drive through, recuperação pelo ralo. CUÉN.

Se nas ultrapassagens estava difícil, o jeito era fazer a diferença na tática. Sebastian Vettel, da Red Bull, fez isso. Ele largou em nono com pneus mais duros que o resto, fez um primeiro trecho longo e, quando todo mundo viu, o cara apareceu lá na frente. E poderia ter vencido a prova, se tivesse chovido na hora certa.

Aliás, e a chuva, ein? Foi a nossa única esperança de uma boa corrida. Pelo jeito, essa era a GRANDE esperança dos engenheiros dos pilotos, também. De tempos em tempos aparecia na transmissão algum rádio de engenheiro avisando “óia a chuva aí em cinco minutos”. Os cinco minutos passavam e nada… Apenas Mark Webber e seu engenheiro não comentavam tão fato.

Ou seja, aqueles xamãs que todos os dirigentes da F1 contrataram não serviram PRA NADA! Dança da chuva não faz efeito em Mônaco, pelo visto. O máximo que conseguiram, segundo nos informa a Lotus, foi isso aqui, ó:

E assim foram se arrastando as voltas em Mônaco. Nossas esperanças por emoção não adiantaram muito. Além da chuva que não veio, Kimi Raikkonen parecia estar de ressaca e nada fez. Hamilton teve corrida razoável. Schumacher teve problemas mecânicos e abandonou.

Enquanto isso, babávamos no sofá de casa sonhando com o almoço de domingo.

No final, os pilotos acordaram e resolveram realmente disputar posições lá na frente, já que os seis primeiros formaram uma fila e os poucos pingos de chuva que caíram deixaram a pista um pouco melada. Só que nada mudou e Webber liderou a fila indiana, ganhando em Mônaco e se tornando o sexto vencedor em seis corrida no ano – um recorde. Nico Rosberg foi segundo, seguido por Fernando Alonso. Agora o espanhol lidera o campeonato sozinho, um grande feito para quem tinha um carro horrível, como falavam.

Webber comemorando na piscina da Red Bull. E CHEIO DE CACHAÇA NA CABEÇA!

Felipe Massa pela primeira vez pilotou como gente no ano, ficando só um pouco atrás do companheiro – que é o máximo que ele vai conseguir – e foi sexto. Bruno Senna ficou em décimo.

A classificação final:

Na Indy, Japão bate NA TRAVE!

Pouco depois do fim do GP de Mônaco, hora dos carros aceleraram em Indianápolis, nos EUA – uma corrida que prometia, já que a F-Indy estreia esse ano um novo chassi, feito pela Dallara, que melhora não só a segurança, mas também as disputas de posição no vácuo.

Só que são, claro, 200 voltas. DUZENTAS. Que valem pelas disputas, várias ultrapassagens e tal, mas é só. Liderar no começo da corrida, por exemplo, não é sinal de vitória. O que vale é passar os ~primeiros~ 150 giros na mesma volta do líder e ter sorte na estratégia de paradas. A partir da 151ª volta começa a corrida, mas você pode, ainda, estar em décimo que tá tudo certo. O pulo deve acontecer no momento do último pit stop – umas 35 voltas antes do fim. Se você estiver na frente, pise. PRA CACETE. Quem sabe você ganha e leva US$ 3 milhões pra casa.

E a Indy 500 deste domingo foi neste esquema – tirando, claro, pros dois carros com motor Lotus, de Jean Alesi (Fan Force) e Simona de Silvestro (HVM). O desempenho deles era tão ruim, mas TÃO RUIM que foram excluídos da corrida depois de dez voltas. CUÉN.

Will Power após se envolver com a PORRADA do Mike Conway no muro

De resto a corrida foi seguindo com as bandeiras amarelas – que foram poucas no começo – batidas, pit stops… Will Power, da Penske e líder do campeonato, abandonou cedo e os carros da Chip Ganassi, os melhores de motor Honda, foram mostrando que estavam com desempenho melhor na corrida do que nos treinos.

(O que deve ter deixado o pessoal de motor Chevrolet bem PUTO, já que os japoneses pediram para a organizadora do campeonato, a IRL, uma brecha para mexer no turbo de seus motores, ganhando desempenho).

Depois de umas três sonecas pós-almoço de domingo, os carros já haviam completado 150 voltas. Na frente, Scott Dixon e Dario Franchitti, da Chip Ganassi, revezavam na liderança. Revezavam mesmo, até para economizar combustível enquanto um ficava no vácuo do outro. Em terceiro estava Takuma Sato, da Rahal-Letterman-Lanigan, que só ficava de olho. O cara já havia sido o primeiro japonês a liderar a Indy 500 voltas antes e ele aguardava o momento de atacar… LIKE A SAMURAI!

Ed Carpenter, o único estadunidense entre os primeiros e nascido em Indianápolis, começou a progredir nessa hora. O cara foi de sexto para terceiro. A torcida vibrava. No rádio, Carpenter gritava: “Caralhooooo, vou liderar essa porra e vencer em casa com a minha própria equipe!”. Aí ele se empolgou MUITO e rodou. Já era. Bandeira amarela.

Volta 184. Relargada. E AÍ SIM A CORRIDA COMEÇOU! O brasileiro Tony Kanaan, da KV, fez uma grande largada e pulou para primeiro. Dario Franchitti deu o troco, voltando à liderança na volta seguinte. Duas depois, Kanaan tirou NO BRAÇO o desempenho pior do seu carro e ultrapassou o escocês. Nesse momento, Marco Andretti rodou e bateu. Bandeira amarela. Brasil na liderança. E faltavam 13 voltas. TREZE! CHAMA O ZAGALLO!

Volta 194. Na bandeira verde, Kanaan não teve potência e foi abocanhado por quem estava logo atrás. As duas Chip Ganassi ultrapassaram o brasileiro, assim como o Sato. Nesse momento, o Japona pilotou como NUNCA na vida. COMO NUNCA. Com a espada na mão, Sato ultrapassou Dixon e começou a disputar a ponta com Franchitti. Parecia que naquele momento o Dallara do japonês estava melhor e que os carros dos concorrentes da Ganassi. TAKUMA SATO IA VENCER!

IA.

Ao abrir a volta 199 – a última – Takuma Sato botou por fora na curva um. O carro escapou e… BOOM!

Bandeira amarela. Vitória de Dario Franchitti, a terceira na Indy 500. E nos 50 anos da Target, principal patrocinador da Chip Ganassi desde a criação da equipe. Festa em Indianapolis com a vitória do time da casa.

Entre os brasileiros, Tony Kanaan ficou com um FODÁSTICO terceiro lugar, enquanto o companheiro Rubens Barrichello (que fez uma boa corrida para um estreante em ovais) foi 11º, logo atrás do Helio Castroneves, em 10º. Já a Bia Figueiredo teve problemas e chegou a até ter que correr com a asa traseira do companheiro Marco Andretti e ficou em 23º, dez voltas atrás do Franchitti.

Assim ficou a classificação final:

No campeonato, pouca coisa mudou. Will Power segue liderando com 200 pontos, seguido por Castroneves e Hinchcliffe, ambos empatados com 164. Com a vitória Dario Franchitti foi pra sexto lugar, com 136. Mas, na real, o cara tá nem aí pro campeonato. O mais importante ele já conseguiu.

~Comemoração~ na Target

Na GP2…

Lá em Mônaco também aconteceram duas provas da GP2, a ~categoria de acesso~ da F1. Na primeira prova a vitória ficou com Johnny Cecotto, da Addax. Já na segunda corrida quem venceu foi Jolylon Palmer, da iSport. O campeonato é liderado Davide Valsecchi, com 141 pontos, enquanto o brasileiro Luiz Razia é o segundo, com 110.

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