Neste fim de semana o circo da Fórmula 1 chegou a um dos circuitos mais sensacionais da temporada Monza, fazendo um Power Hit Combo com a corrida anterior, Spa. Além de ser a casa da Ferrari e pelos italianos sempre invadirem a pista para comemorar – e um pódio da equipe vermelha já é o suficiente para eles invadirem a pista e comemorarem – Monza é uma pista histórica. Isso se deve, em parte, às grandes velocidades do circuito (que está lá até hoje) e as curvas inclinadas (que também estão lá, apesar de não serem mais usadas).

Alonso, curva inclinada e um coração... Presságio de quem teria sorte no domingo? (Fonte: Instagram / @alo_oficial)

Como o Galvão Bueno gagá mencionou as tais curvas inclinadas antes da corrida, quando elas foram mostradas rapidamente, vale um registro melhor delas no começo desta V8 – até porque o tio as chamou de “antigas Parabólicas”, o que não é uma verdade, até porque a Parabólica sempre existiu…

Um pouco de história

As tais curvas inclinadas, que formavam o que os italianos chamavam de “Anel de Velocidade”, foram inauguradas com o resto de Monza em 1922 – só que elas nunca foram seguras, principalmente por conta da alta velcidade e da grande inclinação. Os italianos fizeram através das décadas uma série de reformas no traçado, incluindo nesses curvas, mas sem muito resultado.

A F1 correu em Monza em um traçado que envolvia as duas curvas inclinadas (e duas passagens pela reta principal por causa disso, por isso a reta é larga até hoje) em quatro oportunidades, a última em 1961 – quando o alemão Wolfgang von Trips escapou antes da Parabólica, causando a morte dele e de 15 espectadores. Ainda assim, as curvas podem ser vista no filme Grand Prix, de 1966.

Se quiser sentir como era, aqui está um trecho desse filme:



Sobre Grand Prix, se você gosta de automobilismo, DEVE VER. Só relaxe que é um filme longo e chato… =/

Entendeu agora um pouco da mítica do circuito e porque Lewis Hamilton pode ficar honrado por colocar no currículo a primeira vitória em Monza? =D

Anteriormente, no sábado

O treino no sábado já começou com algumas surpresas. Se a McLaren comprovou o grande momento e o bom desempenho nos circuitos de alta com uma dobradinha de Lewis Hamilton e Jenson Button, foi surpreendente ver Felipe Massa em terceiro. Não parecia, inicialmente, que a Ferrari teria um bom desempenho em casa – principalmente com o brasileiro, que, convenhamos… =/

Mais surpreendente foi ver Fernando Alonso comentando, depois do treino oficial, que tinha carro pra fazer a pole position e só não fez porque o Ferrari apresentou problema na suspensão, deixando o piloto em décimo. Zica de Luca di Montezemolo, presidente da FIAT e da Ferrari, que diz abertamente ser pé-frio. Ainda bem que o cara só aparece nos treinos, nunca na corrida…

Também foi surpreendente ver Paul di Resta fazendo o quarto tempo. Claro, beneficiado pela força do motor Mercedes e pela pista exigir pouco de pressão aerodinâmica, mas pô, é uma Force India em quarto! Pena que o inglês levou uma punição pela troca de câmbio e perdeu cinco posições no grid de largada. =/

Os pilotos da Red Bull, que disputam o título, confirmaram o mal momento da equipe: Vettel foi sexto (quinto com a punição do Di Resta), enquanto Webber ficou em 11º. Cadê aquela coisa de “Red Bull te dá asas”, gente? =D

O incansável Kimi Raikkonen ficou com sétimo tempo, enquanto (guarde isso!) Sérgio Pérez foi o 12º com a ajudinha do penalty dado ao Pastor Maldonado.

Hora de acelerar

No domingo, a corrida começou tranquila. Lewis Hamilton largou e partiu como um Sunday Driver, para tocar de boa rumo à vitória. No entanto, quem se deu mal foi o Button. O inglês até que largou bem, mas se deu mal achando que tinha uma galinha morta do lado… Quer dizer, pelo menos NESSA corrida não foi galinha morta. Massa partiu MUITO BEM, forçou pra cima do Button e passou o inglês – que tentou dar o troco, mas não conseguiu.

BOUA, MASSA!

Mais atrás, sem o Montezica por perto, Alonso também começou a prova de forma excelente e, no final da segunda volta, já era sexto.

DELÍRIO DOS TIFOSI!

Bruno Senna, mostrando que este poderia ser o dia dos brasileiros, também largou bem e ganhou várias posições no começo da prova.

Vettel, que apresentava um bom ritmo de corrida, logo ultrapassou Schumacher no início da prova – a Mercedes, pelo que parece, não conseguia tirar um bom desempenho da usina que tem em Monza. Em seguida, Alonso já colava o bico da Ferrari na caixa de câmbio do alemão em poucas voltas. Nove títulos mundiais em disputa, gente!

A diferença é que o heptacampeão está em baixa e o bicampeão aparenta estar no melhor ano DA VIDA. Seis voltas foram o suficientes pro Alonso passar o Schumi em plena Parabólica. Mais uma vez DELÍRIO italiano nas arquibancadas.

O bom dia brasileiro começou a ruir nessa hora – efeito Brazuca? Bruno Senna passou a errar mais, se enrolou com o Nico Rosberg e perdeu várias posições. CUÉN.

Ao menos o Massa continuava em segundo. Por enquanto.

Na 14ª volta começaram os pits, principalmente entre aqueles com a estratégia de duas paradas – quem queria fazer apenas uma precisava segurar um pouco mais os pneus macios. Quando caras como Schumacher, Kimi e Massa começaram a parar, teve um que ficou na pista: Sérgio Pérez. O Checo já colocava as mangas de fora…

O Massa, aliás, ficou na pista o máximo possível antes de parar, tentando manter a estratégia de uma parada. Não deu lá tão certo – ao menos do que se refere ao desempenho. Com facilidade, Button foi lá e devorou o brasileiro. Nos boxes da Ferrari, entre balançar de cabeças, chamaram o brasileiro pro pit…

Alonso, que vinha muito mais agressivo que o Massa, tinha pneus mais inteiros que o brasileiro naquele momento…

Após o pit, hora do Massa mostrar garra, já que o brasileiro voltou atrás de carros mais lentos, no meio do bolo da confusão… E aí ele se saiu bem, mesmo com Vettel e Alonso aparecendo atrás do brasileiro depois da parada de ambos.

Ah, lembra do Pérez? Bom, depois dos pits do pessoal da McLaren, ele liderava… Era a 23ª volta.

Bicampeão versus bicampeão!

Sentindo que dava pra beliscar um pódio – ou quem sabe a vitória, Alonso partiu para cima do Vettel após o pit stop, favorecido por um carro mais rápido que o da Red Bull. Vale lembrar também que esta é uma briga pelo título, afinal o alemão ainda tem chances…

Tenta de um lado, do outro… Força aqui, força ali… Usa DRS, Kers… Alonso faz de tudo que pode para passar o alemão, mas aí Vettel faz o que não devia: fecha a porta do espanhol, que vai com as quatro rodas pra terra. OLÉ!

Quer dizer, Vettel fez o que DEVERIA fazer. Em outros tempos Vettel teria sido elogiado pela fechada e Alonso condenado por tentar passar onde não dava. Só que estamos em uma época mais coxinha, na qual alegam que o Alonso já tinha botado o carro no espaço pra passar antes do Vettel fechar a porta.

Ah, e a corrida era na Itália, com o senhor Alonso reclamando no rádio e fazendo pressão. Esse espanhol sabe TUDO, até apelar. Impressionante! =D

Pronto, Drive Thru pro Sebastian Vettel. De baixo do capacete, Alonso sorria.

Na 29ª volta, Pérez ainda liderava… Só que já sem pneus, após alongar muito a primeira perna da corrida, o Checo foi ultrapassado por Hamilton ainda antes de parar. Acabou voltando em 8º, atrás do Kimi Raikkonen – que, até aquele momento, fazia nada de interessante na corrida.

It’s a kind of magic!

Na aquela altura da corrida, parecia que a zica de Montezemolo era intransponível. Alonso, líder do campeonato, até que fazia uma corrida justa, em quarto lugar, mas via os dois pilotos da McLaren fazendo a dobradinha lá na frente. Pelo menos os pilotos da Red Bull haviam se dado mal – o Webber sozinho, o Vettel com uma ajudinha do espanhol…

Mas aí El Brujo fez mais uma mágica. De repente, Button começa a andar devagar na pista, ser ultrapassado… BOOM, a McLaren quebrou!

Mais uma vez, delírio dos Tifosi.

Neste momento, Massa andava muito bem, girando mais rápido que Alonso. Aí o espanhol desceu o pé, fazendo uma volta mais rápida que o brasileiro. No rádio, o engenheiro Rob Smedley avisava o brasileiro: “Alonso is behind you”.

EU, pessoa física e sem salário milionário, responderia o rádio com um sonoro: “AND?”. Mas vamos ser frios: é uma equipe. Felipe Massa fez PORRA NENHUMA no campeonato até agora. Alonso, por outro lado, pegou um carro que diziam ser ruim e hoje lidera essa bagaça com uma grande vantagem. Se alguém fez alguma coisa pela Ferrari esse ano, foi o Alonso. Por que então Massa iria ficar na frente do espanhol e tirar pontos importantes do cara, principalmente em um ano que as vitórias não vêm facilmente?

Assim, Felipe tirou o pé. Fernando passou. Um pódio vermelho, pelo menos nas segunda e terceira posições. Alegria italiana. Quer dizer, nem tanto.

O fator Checo

Sérgio Pérez, da Sauber, tinha na parte final da prova o melhor carro. Pensa bem: pneus mais novos, motor Ferrari gritando alto, tanque vazio… Pra começar, ele disputou com o Kimi, que até tentou fechar a porta e fez uma boa disputa, mas deixou o mexicano passar. Em menos de três voltas a Sauber já estava colada na Ferrari do Massa. Na 44ª volta, de boa na lagoa e suave na nave, Pérez passa o brasileiro. Duas voltas depois, Checo passava o Alonso.

A essa altura, o mexicano arruinava a primeira chance de pódio no ano do Felipe.

Após passar o Alonso, Pérez virava mais de 2 segundos mais rápido que o Hamilton – que, convenhamos, também nem forçava o carro.

Antes do final da prova, o Alonso ainda teve mas duas tacadas mágicas: na 48ª volta, Vettel foi parando, parando… E parou. No rádio ouvíamos o engenheiro falando “save the engine!”. Preferiam que o alemão poupasse o motor do que deixasse estourar. Ao que parece, a Red Bull sabia de problemas de temperatura do motor do carro desde a volta de apresentação.

Mais atrás, Webber era ultrapassado pelo Schumacher. Sétima posição pro australiano? Que nada! MAIS UM RABO PRO ALONSO! O Mark Webber escapou logo em seguida, sozinho… E abandonou.

ALONSO CU DE OURO.

Um dos motivos do Alonso ser O cara...

Depois disso tudo só dava tempo de ir pro abraço. Hamilton venceu, mostrando que também pode ser homem e ganhar uma corrida sem Nicole Scherzinger vibrando nos boxes ou com dirty talking no rádio. Em segundo, um pouco mais de quatro segundos atrás, ficou o Sérgio Pérez. Em terceiro, Fernando Alonso – que saiu da Itália com mais pontos de diferença pro segundo colocado do que quando entrou.

No pódio, festa. Afinal, italiano faz festa pra tudo e eles invadiram a pista. A parte bizarra é ter visto o Niki Lauda APRESENTANDO o pódio. Sério, apresentando, fazendo perguntas… ONDE ESSE MUNDO VAI PARAR?

Tenho medo de quem podem convidar pra fazer isso no Brasil…

Com vocês, a classificação final:

É, o Bruno Senna ainda beliscou um pontinho no final da prova. Até que não foi ruim, além de ter ficado na frente do companheiro de equipe…

Na classificação do campeonato, Alonso lidera agora com 179 pontos. O novo segundo colocado é Lewis Hamilton, com 142. Surpreendente MESMO é ver Kimi Raikkonen em terceiro, com 141 pontos – um atrás do Lewis e um a frente do quarto colocado, Sebastian Vettel.

Não sei se você lembra da temporada de 2003, mas o Kimi deu trabalho pro Schumacher (ainda na todo-poderosa Ferrari) com uma fraca McLaren. Com apenas UMA vitória no ano, o finlandês terminou o campeonato apenas dois pontos atrás do alemão. A diferença é que naquele ano a pontuação favorecia mais a regularidade do que as vitórias, algo diferente do que acontece agora. De qualquer forma, apenas na regularidade e sem vitórias, Kimi está 38 pontos atrás do Alonso – o que pode ser superado com uma vitória e um terceiro lugar. É difícil, mas vai que a Lotus acerta o carro e deixa a disputa pelo título ainda mais acirrada?

Mark Webber, ex-vice-líder, agora é apenas o quinto, com 132 pontos. Button, já longe da disputa pelo título, continua com 101 pontos na sexta posição.

Nos construtores, a Red Bull lidera com 272 pontos contra 243 da McLaren. A Ferrari (com a ajuda do Massa) demonstra uma boa recuperação é já é a terceira, com 226 pontos. A Lotus agora é a quarta colocada, com 217.

Como este ano está engraçado: a líder dos construtores tem seus pilotos apenas na quarta e quinta colocação do Mundial de Pilotos.

A F1 agora irá para o Oriente, disputando o GP de Singapura no dia 23 de setembro.

Zanardi É o cara!

Apenas um detalhe que NÃO pode ser esquecido. Alessandro Zanardi, ex-piloto de F1 e bicampeão da CART (categoria da época da divisão da F-Indy) disputou as Paraolimpíadas no Ciclismo H4 e garantiu nada menos que duas medalhas de ouro e uma de prata (sendo essa segunda em equipes mistas).

Zanardi perdeu as pernas em um acidente em 2001, em um circuito oval na Alemanha, quando liderava uma prova da finada CART. Ele, infelizmente, perdeu as pernas.

Apesar de ter ficado paraplégico, Zanardi não desistiu do esporte. Em uma grande história de vida, o cara voltou a competir no automobilismo em carros de GT, principalmente da WTCC – da qual se aposentou em 2009. Em 2006, Alessandro também fez um teste com um carro de F1 da BMW Sauber especialmente adaptado para ter acelerador e freio nas mãos do piloto.

As três medalhas de Londres coroam uma carreira também grande ciclismo. Agora, Zanardi revela: o próximo objetivo é volta aos carros de fórmula e disputar as 500 Milhas de Indianápolis em 2013.

Depois disso tudo, eu não duvido mais de nada…

Você já tá seguindo o Judão no Twitter, Facebook, Google+ e Tumblr?! Pois deveria. ;D