Eu não sou velho. Mas sou da geração que viveu o mundo em dois momentos muito distintos. Como o assunto dessa coluna que nasce agora é cinema, vou me concentrar nisso.
Antes da implementação desse demônio chamado internet, acontecia uma coisa bastante bacana. Você ia ao cinema, via o filme e decidia, por conta própria, o que você achava dele. No máximo dividia sua opinião com a galera que tinha te acompanhado até o shopping. Cara… Isso era foda.
Lembro quando fui ver o primeiro Batman, de 1989. Para mim, no momento em que saía da sala, nada mais importava. Eu nunca tinha vista nada sequer parecido com aquilo. O Batman era o melhor filme do mundo.
Posso partir para um exemplo mais complicado. Duro de Matar 3. (Eu sei que o filme não se chama assim. Não enche.) Caralho. Era a primeira vez que eu via John McClane numa tela de cinema. E ainda por cima tinha o Samuel L. Jackson. Naquele dia, para mim, “Duro de Matar 3″ era o melhor filme do mundo.
Agora corta para o mundo pós internet. O mundo do excesso de opiniões. Excesso de cinismo. Excesso de má vontade. Hoje, por mais que você se isole, se tranque num bunker anti-nerd, é impossível não ser contaminado pela opinião alheia antes de sentar sua bunda numa sala de cinema. E cada filme é desintegrado em cada detalhe por uma multidão de especialistas, fãs, críticos, nerds, blogueiros, tuiteiros…
Meu ponto é: será que o Batman de 1989 teria sobrevivido se tivesse sido lançado hoje? Será que a Duro de Matar 3 teria divertido tantos adolescentes se sofresse uma avalanche de análises ultra detalhadas ainda antes de chegar aos cinemas?
A resposta é SIM.
Preste muita atenção numa coisa: ninguém realmente se importa com o que você diz sobre os filmes que você assiste. Sério. Proporcionalmente, a quantidade de pessoas que se desloca para o cinema baseado no que alguém possa escrever — tipo eu — é ínfima.
Você achou que Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é cheio de furos de roteiro? “Como o Bruce Wayne voltou para Gotham?”, “Por que os vilões não inundaram logo a porra toda ao invés de ficar fugindo com a bomba?” Sabe o que a plateia que estava na sessão IMAX do filme ontem, enquanto eu assistia e chorava pela segunda vez com o Alfred, pensa sobre isso?
“PUTAQUEPARIU! QUE FILME FODA!”
Simples assim.
Ninguém se importa. Porque para a imensa — quase total — maioria da população, cinema é diversão. E ponto! Então, você que senta sua bunda no cinema para procurar pelo em ovo e sair falando groselha na internet, só peço uma coisa: TIRA ESSE CU DO MEU DEDO.
Vamos olhar para as coisas com um pouco menos de má vontade, beleza? Eu fico com uma sensação bizarra de que as coisas estão saíndo um pouco de controle. Você pode, é claro, seguir fazendo a linha “mão no queixo e sorrisinho irônico”. Mas saiba que você estará falando para meia dúzia de virgens!
E assim, criticando basicamente o que eu vou fazer daqui pra frente, chamando a internet de “demônio” e diminuindo meu trabalho — e até o site em que escrevo — começo a minha coluna WAR ROOM.
O que? Você não concordou com o que eu escrevi? Ficou ofendido? Bravinho? “Gentlemen. You can’t fight in here. This is the War Room!”
Você já tá seguindo o Judão no Twitter, Facebook, Google+ e Tumblr?! Pois deveria. ;D


