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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008 | Atualizado em 22.02.08 às 0h53 Senhores do CrimeQuando o assunto é violência, ninguém melhor que os russos da Vory V Zakone. Eles são o assunto da vez nas lentes de David Cronenberg, nosso velho conhecido de A Mosca, e da atuação de Viggo “Aragorn†Mortensen, que poderia socar o Daniel Day-Lewis e levar a estatueta pra casa!
![]() Um homem morto. Uma garota que morre no parto. Uma criança. Um diário. Uma parteira. Um motorista. E toda a violência velada e explÃcita que um filme sério pode ter. Esses são os elementos de Senhores do Crime, que, embora chegue bem tarde ao Brasil, é obrigatório para quem acompanha o Oscar e, claro, gosta de bons suspenses. A direção de David Cronenberg já chamava a atenção antes mesmo de sua estréia mundial, no ano passado, mas ninguém imaginava que o resultado final fosse ser tão marcante. Em especial pelo trabalho de Viggo “Passolargo” Mortensen, que foi até mesmo indicado ao Oscar de Melhor Ator, prêmio que poderia levar sem o desmerecer nenhum dos outros concorrentes. A parceria Cronenberg/Mortensen (que começou em Marcas da Violência) é violenta, sem meias palavras e tem um objetivo: mostrar que nada tem limite, especialmente quando esse nada está no caminho de mafiosos do Leste europeu. Naomi Watts interpreta Anna, uma parteira que traz à luz (que bonito!) uma garotinha, filha de uma jovem prostituta. Além da pequena, a falecida deixa um diário, que deveria ter ido pro Limbo. Lendo o que não deveria ler, Anna chega até o restaurante de Seymon (Armin Mueller-Stahl). Ao cruzar a porta de entrada, ela nem imagina que entrou no coração da Vory V Zakone, a máfia russa que age em Londres. Ela só queria encontrar a famÃlia da tchutcha e entregar a criança… Mas o passado da moça tem relações mais do que profundas com as práticas sombrias do clã de Seymon. Nada vai impedir os interesses de Seymon. Não há ameaça que vai botar medo em Anna. E, no meio disso tudo, Nikolai (Viggo Mortensen), que se considera “apenas o motoristaâ€, é o maior ponto de conflito da trama. Ele é o único que parece saber sua verdadeira função no meio de tanta falsidade, interesse e ingenuidade. Exatamente por isso Viggo conseguiu entregar uma performance ao mesmo tempo fria e memorável como de seu Nikolai. No pano de fundo, a polÃcia investiga os mafiosos, mas sem conseguir comprovar seus vÃnculos e crimes. Aos poucos, a gente vai mergulhando nos meandros da Vory, em seu código de tatuagens e em sua hierarquia. Cronenberg sabe bem como trabalhar esses temas, cria contrapontos lógicos entre seus personagens e não tem medo de mostrar violência extrema, seja uma gargantinha cortada, seja na memorável luta de Mortensen, peladão numa sauna. Saber expor a violência é algo Ãmpar, e para isso não é necessário exagero. Nem armas de fogo, que não existem em Senhores do Crime. Na visão de Cronenberg, é muito mais violento destruir a vida de uma garotinha sonhadora do que sacar uma pistola e assassinar um bandido. Há a violência maior, a de continuar sendo violento e deixar isso claro a cada nova tomada. E ele o faz como poucos. O trabalho de Viggo Mortensen é exemplar há anos e, finalmente, é reconhecido pela Academia, porém, num ano ingrato, disputando com Daniel-Day Lewis e Tommy Lee Jones. Seria uma grata surpresa vê-lo no palco recebendo a estatueta, mas o páreo é duro. De qualquer forma ele faz por merecer, assim como Senhores do Crime, o melhor entre os thrillers de Cronenberg, o que já é um ótimo tÃtulo para que ele ostente.
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