Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Sem Controle


As aparências enganam…

Tayra Vasconcelos
Do Rio de Janeiro

Eis mais uma ótima pedida do Cinema Nacional aqui no Festival do Rio e que muito em breve estará no circuito comercial. Com uma temática totalmente diferente do pobreza-favelas-problemas sociais-ditadura militar, Sem Controle, apesar de tratar de internos em um instituto psiquiátrico, não se parece em nada com Bicho de Sete Cabeças, que tem um ar de denúncia, de protesto conta o sistema manicomial brasileiro. Sem Controle é um filme que não é leve, mas é intrigante e bem interessante.

semcontrole.jpgO filme conta a história de Danilo (Du Moskovis), um diretor de teatro, que está em depressão por conta de seu fracasso com a peça à qual se dedicou durante anos, sobre Mota Coqueiro (o caso que foi responsável pelo fim da pena de morte no Brasil — já passou até um Linha Direta Justiça sobre ele, pra quem não lembra de ter aprendido na história). Pra ajudá-lo a sair dessa inércia, sua amiga Márcia (Vanessa Gerbelli), que é diretora de um instituto de psiquiatria, o interna apenas para poder ficar de olho nele. Márcia e Danilo conversam muito sobre ele, e ela ressalta o fato de que Danilo é um homem obcecado pela injustiça e luta contra isso com todas as armas que tem (por isso a peça sobre Mota Coqueiro, que consumiu anos e anos de sua vida na parte da pesquisa). Segundo ela, tudo isso se deve à história de vida dele e da injustiça cometida com seu pai (que fica no ar o filme todo).

No instituto ele conhece uma linda menina, Aline (Milena Toscano), que está sempre acompanhando um amigo que está em tratamento. Depois de muitas conversas literárias, de descobrirem gostos e interesses parecidos Danilo e Aline acabam se envolvendo.

Depois de um tempo, Márcia convida Danilo para fazer uma Oficina de Teatro para os internos, e ele acaba se animando com a idéia. Quando a oficina começa, cheia de interessados, surge também Aline, que confessa que é uma paciente e que já está em tratamento há três anos. Chocado, diz a ele que não podem continuar se envolvendo porque não seria ético e blá-blá-blá.

Daí surge grande conflito do filme: quão normal é Aline e como ela pode reagir a esse rompimento.

O filme é tenso e intrigante, te deixa o tempo todo apreensivo e é, sem dúvida alguma, o papel da vida de Milena Toscano, que embora esteja no ar com Eterna Magia e tenha feito Amazônia no comecinho do ano, não deixa de ser uma modelo, recém-saída das páginas da Capricho para o mundo da interpretação. Não posso deixar de tirar meu chapéu para ela, que além de estar desempenhando muito bem seu papel na novela das seis, aqui está simplesmente soberba. A personagem muda de personalidade muitas vezes, ela é meiga, delicada, dissimulada, cínica, sedutora, agressiva, manipuladora, de acordo com que manda seu momento no filme e ela manipula o mundo a seu redor, como se todos fossem seus marionetes. Uma personagem extremamente complexa, que precisava de uma senhora atriz para dar conta do recado, e Milena Toscano o fez.

Du Moskovis e Vanessa Gerbeli também estão ótimos no filme, mas por conta de seus personagens terem uma personalidade mais simples, mais padrão, com certeza, os holofotes desse filme se voltarão totalmente para Milena Toscano.

É mais um filme daqueles como O Cheiro do Ralo, que me fazem ficar muito feliz com os rumos que o nosso cinema está tomando, fazendo com que possa servir apenas como entretenimento (mas não no estilo digestivo dos Sexo, Amor e Traição da vida), sem precisarmos sair da sala ruminando sobre um assunto. Que venham muitos outros filmes como Sem Controle.

Comentários
Já são 8 sobre esse post -- até agora

  Diego M.

É Moskovis ou Moscovis, no pôster está com c.

2 de Novembro de 2007 às 19h29
  O Professor

Pelo menos não foi o Guto fazendo o review com as suas teorias de JigSaw ser um mocinho do bem.

3 de Novembro de 2007 às 10h54
  Julix

Só pra constar, meu ex-patrão é tio da Milena, e mundinho pequeno de meu Deus.

3 de Novembro de 2007 às 15h37
  Jik

Cara, eu tô completamente perdido com essas notas. Não dá p/ adotar outra classificação. Péssimo, ruim, regular, bom, ótimo e incrível. Ficaria mais fácil pq só ouvi elogios do filme e ele “passou raspando” com nota 6.

3 de Novembro de 2007 às 19h42
  Borbs

@Jik
Não seria melhor LER a crítica também? Talvez facilitasse um pouquinho…

3 de Novembro de 2007 às 19h47
  Jik

Então, é por isso que eu ficava perdido, a crítica da Tayra tava elogiando, mas daí eu vejo uma nota 6. Mas agora eu vi que vai até o 8, li o faq que vc linkou noutra crítica.

Mas, Borbs, imagina um carinha que chega aqui e não conhece o Judão(ou um que conhece, mas é desligado pacas _o/), não vai entender. Acho que seria interessante colocar que é nota 6 de um máximo de 8.

Ah, o faq é muito legal! Explica até como vc conseguiu gostar do HA3! :D

4 de Novembro de 2007 às 0h24
  Aleo [TVMundU!]

Falou bem e anota é 6? Imagina um nota 10!

4 de Novembro de 2007 às 6h09
  Aleo [TVMundU!]

Ah o 8, vai até 8! Explicado!

4 de Novembro de 2007 às 6h10
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