Filmes sobre festas, a gente já viu. Filmes sobre aqueles moleques que não conhecem e não pegam ninguém e fazem uma festa pra tentar mudar isso, a gente já viu. Filme feito como se fosse primeira pessoa, a gente também já viu. Filmes em que um monstro destroi uma cidade durante uma noite, com todo mundo indo atrás tentando acabar com ele, também. Mas o que conseguiram fazer com Projeto X… Eu não me lembro de ter visto. E se vi, não me diverti tanto. :D

“Com qualquer filme, você procura por um jeito interessante de contar a história. Se Beber, Não Case! é um exemplo. Já houve filmes sobre despedidas de solteiro antes, mas o jeito que fizemos aquele foi único. E eu acho que essa é a visão única de uma história de colegial”, disse Todd Philipps, oOOoOooO pródutór, em entrevista realizada em Los Angeles, no mês passado. E é exatamente esse é basicamente sentimento que se tem sobre o filme: não é nada de novo, mas puta que pariu, o que é que fizeram?

E como EU faço pra participar de algo assim? :D

Quando o roteirista Michael Bacall recebeu uma ligação sobre “uma ideia da ‘festa de colegial mais maluca de todos os tempos’”, enquanto Scott Pilgrim (que ele também ajudou a escrever) era rodado, a primeira coisa que ele fez foi colocar no papel “as coisas mais ridículas que poderiam acontecer numa festa”. E ele e Matt Drake fizeram EXATAMENTE isso. “Não vou ser específico, pra não quebrar o efeito desse filme, mas nós fomos além com algumas coisas relacionadas aos personagens”, disse Drake, que, rindo ao lado de Bacall, chegou a confirmar que teria gente morrendo. “Você tem de levar em consideração que é um filme. Você quer divertir e quer chocar, mas não ao ponto de ‘WTF?’. É insano, mas você poderia ver algo desse tipo acontecer. Algumas pessoas ficariam de castigo…”

Thomas Mann, Oliver Cooper, Todd Phillips e Nima Nourizadeh

No material distribuído para a imprensa, havia uma tagline dizendo que o filme serviria como aviso para pais e autoridades sobre o que pode acontecer se você deixa seus filhos sozinhos. Com bastante ironia, Matt Drake disse que eles tem sim uma certa responsabilidade com esse filme, há um ensinamento, uma moral da história. “É um aviso de ‘isso é o que acontece se não existirem ritos de passagens institucionalizados, vamos criar os nossos’”. Não há quem saia da sala de cinema e não comente a vontade de participar de uma festa daquelas. Eu não sei se eu teria coragem de inventar algo desse tamanho, de propósito, mas realmente deve ser do enorme, grosso e veiudo caralho pensar em uma coisa pra se divertir, tentar pegar uma ou outra mulher e terminar a noite com uma casa absolutamente destruída, com uma sensação estranha de “fodeu” e “valeu a pena”.

Aviso pra pais e autoridades? Como disse o diretor Nima Nourizadeh, “os prisioneiros estão controlando a prisão”. :D

HeEEeY we want some puuuussaAAay!

Em 2008, durante uma festa aparentemente inocente, um simples bota fora — que era também um rito de passagem –, Nova York perdeu o controle quando um monstro, do mais profundo nada, surgiu e destruiu a cidade, num dos filmes mais divertidos dos últimos anos — e provavelmente o melhor desse gênero “found footage”. Foi a partir disso que surgiu a ideia para Projeto X. “O conceito desde o início ter uma espécie de Cloverfield onde a festa é o monstro”, resumiu perfeitamente o roteirista Michael Bacall, comentando sobre a ligação que recebeu de Todd Phillips. “A gente achou interessante e começou a pensar no que poderíamos documentar, o que aconteceria…”

Na minha festa, muito mais importante que bebida, pessoas legais e coisas absurdas, eu pensaria em mulheres. São muitas em Projeto X, a grande maioria mostrando os peitinhos — já que, de acordo com uma placa, pra entrar na piscina, era necessário estar nua. Mas o destaque estava em duas: Kirby e Alexis.

A primeira, interpretada por Kirby Bliss Blanton, é a melhor amiga de Thomas, o aniversariante, que o tem naquela área sensacional chamada de friend zone. Loirinha, olhos claros, anjinha, linda, é uma personagem que dá um certo ódio durante o filme.

Já Alexis… AAAAH Alexis. MILF Alexis!

:9

Interpretada por Alexis Knapp, estreando no cinema nesse filme, ela é aquela grande filha da puta, interesseira mas muito, muito, MUITO gostosa. É como se fosse a “nemesis” de Kirby, já que ela quer trepar com o responsável por aquela explosão de popularidade. São poucas as cenas em que ela aparece, são quase zero as suas falas, mas ela aparece pelada e, pelo que deu pra perceber, se leva bastante a sério. “Nem queriam que eu fizesse o teste, já tinham algumas pessoas engatilhadas, mas o meu pessoal ficou enchendo o saco, eles aceitaram e depois de fazer o teste as coisas foram bem rápidas a partir dali”. “Ouço muito que sou muito bonita pra alguns papeis, mas isso é besteira. Se fizeram aquilo com Charlize Theron em Monster, podem fazer qualquer coisa”.

A questão é: até onde ela tem talento pra isso tudo? Eu perguntei pras duas como elas se identificavam com as suas personagens, na esperança de ouvir alguma coisa relacionada a putaria, mas ouvi dela que, assim como Alexis do filme, ela sempre conversa com os homens, é amiga deles, e talvez por isso gostem tanto.

No filme, isso não aparece. E quem é que gosta de mulher porque fala com homem? Pedi que Thomas Mann, Oliver Cooper e Jonathan Daniel Brown se colocassem no papel de Thomas no filme e me dissessem quem é que eles iriam preferir, se fossem o Thomas do filme. O próprio, óbvio, não respondeu. Oliver, o Costa, foi direto: “Alexis, óbvio”. Mas JB, o gordinho, foi o gênio. “Pode ser as duas, ao mesmo tempo?”

Mais um ponto positivo pra esse filme. Chamem do que for, mas em se tratando de uma história com três moleques bobildos, mulher é mostrada como um objeto. Lindo, excitante, necessário, mas objeto. Apenas Kirby não o é — e não à toa é, talvez, a única que não fica pelada AND a única que a gente pede que saia logo da cena, pra voltar pra baixo da piscina, pro pula pula… Enfim. ;D

Party hard

“A festa é um personagem vivo, que respira. É como um organismo”, disse JB. Não é só um monstro, mas é o que cria todo o clima do filme — e por isso mesmo o diretor Nima Nourizadeh colocou DJs no set e a música não parava entre os takes. “Nem tanto a gente, mas isso ajudava os extras a manterem o ritmo, eles tem parte muito importante no filme”. “O diretor escolheu os extras a dedo, justamente por conta disso”, disse Thomas. QUE BOM, porque, uma festa só com três pessoas e duas gostosas não seria lá muito interessante pra um filme comercial, if you know what I mean. :D

“Escolheram casa dentro do estúdio da Warner pra evitar problemas com vizinhos”, contou Michael Bacall. “E as filmagens foram cronologicamente como no filme, porque não teria muito ser aleatório porque os atores precisariam sentir mais o clima, os extras e, principalmente, a casa, que foi sendo destruída aos poucos, de verdade”, disse o diretor.

“Há muito de alguns desejos mais infantis, lá dentro” –Michael Bacall

Todo mundo afirmou que jamais participou de uma festa como aquela. A que chegou mais perto (inclusive da própria personagem) foi a “jogo videogame sou viciada em Star Trek e Battlestar Galactica e quero fazer um filme de ficção científica”, Alexis Knapp. “Houve uma festa que eu dei quando minha mãe viajou, eu tinha uns 16 anos… Não cheguei a colocar fogo na casa, mas um cara colocou fogo na minha varanda. Era pra ele fazer aquele drink com fogo, ele não queria, tava com medo, eu fiquei provocando, ‘não seja mariquinha’ e, no meio disso, o copo quebrou, caiu um pouco de vodka, misturou tudo e a varanda fez puf com fogo. Eu corri pra dentro pra pegar água e a única coisa que tinha pra encher era o copo do liquidificador. Quando eu voltei, o cara já tinha apagado o fogo com as próprias mãos e tava em carne viva, aquele cheiro de queimado e eu disse “é o que você merece por ter sido uma menininha”.

Segundo JB, porém, nenhum daqueles moleques é esse tipo de gente que vai a festas, pega todo mundo. “Nós nos divertimos, e isso não é algo que possa ser inventado.
Não acho que sejamos como aquelas pessoas, mas nos demos bem representando”. FATO. Especialmente você, JB, que já até participou de filme pornô… LOL. :D

Like BOSSES

Pra quem já espera, como eu, uma versão maior e sem cortes do filme, Nima prometeu, brincando, uma versão de “4 horas”. “A gente vai colocar algum material novo, sim, mas a gente tinha tanta coisa que não achamos que valia a pena segurar pra lançar uma versão extendida, ou sem cortes”. De acordo com Todd Phillips, “é isso o que as pessoas gostam no DVD, ainda que como diretores isso irrite um pouco nós gostamos do filme do jeito que ele foi exibido no cinema, mas é divertido adicionar 10, 15mins, de novas cenas”.

Ou seja, ir ao cinema já garante boa parte da experiência que o pessoal quis. E é uma experiência realmente divertida. Diferente, também. Não é simplesmente uma comédia, não é simplesmente um filme sobre “algo que deu errado”, não é simplesmente um monte de gostosas peladas.

Não é nem simplesmente um filme.

A essa altura do campeonato, depois daquele trailer exclusivo, depois da nossa pré-estreia, não há mais nada que eu possa, ou precise, falar. Quando recebi o convite pra ir até Los Angeles realizar essas entrevistas, não sabia direito o que esperar do filme. Estou, até agora, meio que de ressaca dele. Sabe aquela bebedeira da noite mais sensacional do mundo? É tipo isso. Não é a melhor coisa do mundo, nem a mais saudável, mas puta que pariu, como é foda. :)

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