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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007
Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia
Quando assisto a filmes como Proibido Proibir (Brasil / Chile / Espanha 2005), e isso é uma regra geral, eu me sinto muito mal depois que tudo acaba. Porque, embora eu seja uma pessoa extremamente ciente das mazelas do mundo, das injustiças que acontecem por aà e tenha a plena consciência de que faço tudo que está a meu alcance pra mudar aquilo com que eu não concordo, eu fico me sentindo uma inútil, impotente, porque parece que tá tudo na minha cara e eu não movo uma palha pra mudar as coisas.
A temática desse filme é aquela mais que manjada do Cinema Nacional, tratar da pobreza e das injustiças sociais. E eu não acho isso ruim, muito pelo contrário, até acho isso bem legal, porque num paÃs como o nosso, onde as pessoas não tem acesso a informação “refinada” — ou por falta de oportunidade, ou por falta de interesse — acho legal quando a crueza da realidade é abordada em filmes ou em novelas. Porém, eu acho que não precisa ser sempre assim, não há nenhuma necessidade de se fazer apenas filme sobre problemas sociais, sejam eles de qualquer ordem. É legal, é muito válido, mas acho que o cinema pode ir muito além de tudo isso.
Proibido Proibir conta a história de dois amigos, Leon (Alexandre Rodrigues) e Paulo (Caio Blat) , que moram juntos, para dividir o aluguel de uma casinha perto da faculdade. Leon é carioca, mas morava em BrasÃlia e estudante de Ciências Sociais, e Paulo, de São Paulo e estuda Medicina. Na própria universidade, Leon conhece LetÃcia (Maria Flor), que estuda Arquitetura, e os dois começam a namorar.
Os três estão ótimos em seus papéis, autênticos bichos-grilo, com visual e comportamento de FFLCH (pra quem não conhece o termo, a sigla lê-se “fefeléche” e é o nome pelo qual é conhecida a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e que aqui em São Paulo acabou virando sinônimo de uma pessoa meio-hippie, militante, idealista e por aà vai). Pelo jeito, os estudantes dessas áreas são iguais no paÃs inteiro. A casa que os meninos dividem é exatamente igual ao apartamento que uma colega minha, da época em que eu estudava História, morava — estantes repletas de livros e CDs do chão até o teto, e cheia de pôsteres de grandes obras-de-arte ou de fotografias de Ãdolos da esquerda.
Com o tempo, Paulo se apaixona por LetÃcia e daà desenrola-se o dilema do triângulo amoroso com namorada de amigo. Mas o cerne da questão não é esse, e sim a confusão em que se envolvem quando Paulo decide ajudar Rosalina (Edyr Duque) — paciente terminal do hospital onde ele faz residência — a ter contato com seus filhos. Quando entram no universo onde Rosalina vive, eles se deparam com um mundo totalmente diferente, cheio de preconceitos sociais e raciais, justiçamento, corrupção, violência e muitos outros problemas que, embora conheçam muito bem na teoria, eles não tinham noção que eram tão cruéis na prática.
Proibido Proibir é um filme simples, sem muitas firulas, totalmente gravado em locações, sem nenhuma cena ter sido feita em estúdio (por uma questão financeira). Todo rodado nas periferias e longe dos cartões-postais do Rido de Janeiro, o diretor, Jorge Durán, acabou explorando um lado da Cidade Maravilhosa que muitos dos próprios cariocas desconhecem: a periferia, o subúrbio, a Zona Norte. O filme foi rodado todo em Vila da Penha, na cidade de Mesquita (que fica na Baixada Fluminense) e no Fundão (local como onde fica a Universidade Federal do Rio de Janeiro — principal palco do longa). Durán conseguiu um feito, pois tinha um orçamento muito pequeno, R$ 1,2 milhão, mas ainda assim foi extremamente premiado. Até porque, um bom elenco aliado a um bom diretor acaba conseguindo tirar leite de pedra. Com uma temática interessante, ferina, embora lugar-comum, Proibido Proibir vem conquistando seu espaço, através de 10 prêmios nacionais e internacionais.
E sim, Judão RECOMENDA, mas só pro pessoal que gosta de fato de filmes-cabeça e estejam cientes de que não estão indo ao cinema para se divertir e sim para ver um pouco de realidade na telona. Só pra vocês terem uma noção, o Borbs também assistiu ao filme, mas não curtiu tanto. Lembrando que o filme estréia apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e BrasÃlia.
Comentários
Já são 17 sobre esse post -- até agora
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Luis "xild" Vieira
>:D
vou ver se consigo assistir
um errinho: “Rido de Janeiro” :p
26 de Abril de 2007 às 22h58
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Felix
26 de Abril de 2007 às 23h41
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LUSHCLASH
É como disse, temática repetida, mas parece valer a pena.
Filmes-cabeça podem divertir sim, se a história for boa. É uma diversão consciente que causa reflexão, pesamentos, idéias, o que para quem gosta de pensar é um prato cheio, diversão pura.
26 de Abril de 2007 às 23h56
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André
O Triangulo amoroso parece meio clichezão, mas num ambiente um pouco diferente.. parece valer a pena. O Cinema Nacional vem amadurecendo muito, está quase num nÃÂvel ideal!
27 de Abril de 2007 às 11h54
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Seu Judas
Me lembra um filme com o Gael Garcia Bernal que eu naum to lembrando o nome agora….
27 de Abril de 2007 às 16h28
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mosaias
Como, FFLCH? Rsrs, que pouco prático! ^_^
Aqui em Minas a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas chama-se FAFICH. Então, “faficheiro” pra nós… Hehe, é mais fácil de falar… Mas a idéia é a mesma bicho-grilo-hippie-esquerdista, não necessariamente nesta ordem.
27 de Abril de 2007 às 19h40
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LUSHCLASH
SEU JUDAS, o filme é “E a tua mãe também”
27 de Abril de 2007 às 23h30
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Danilo
É uma pena que as pessoas que, assim como eu, não tenham em sua vizinhança um grande MultiPlex ou um cinema especializado em filmes “cabeça” dificilmente conseguirão ver esse filme, assim como eu não consegui ver O Labirinto do Fauno, entre tantos outros que não passaram nem perto de onde eu moro. =(
30 de Abril de 2007 às 14h48
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Abu Nidal
Alguém disse aàatrás:
“O Cinema nacional está evoluindo”…
Também se não evoluÃÂsse! O [des]governo “investe” mais de R$ 800 MILHÕES do nosso suado dinheirinho nestes “experimentos” cinematográficos.
O povo assistindo ou não, estas porcarias dando lucro ou não, pouco importa: FODA-SE! É dinheiro do povão mesmo!
R$ 20 MILHÕES,em média, são retirados dos cofres públicos para produzir estas porcarias tendenciosas, onde põe na cabeça dos poucos que vão assistir (poucos mesmo, graças a Deus!) a idéia de que a culpa da pobreza do brasileiro não é a preguiça crônica, mas do “capitalista fdp”, que explora, paga mal, etc… E a “bilhetereia” não retorna nem 1/3 do “investimento”.
Piada mesmo!
2 de Maio de 2007 às 21h33
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Ivan Sá
1 - Tayraa: O filme é muito bom…Mas o Borbs não gostou porque é um filme-cabeça? huahuahuahuauhauhahuahua…O filme tá longe de ser lento, difÃÂcil de acompnahar ou algo parecido. Talvez tenham faltado explosões ou super herois.
2 - Abu Nidal: Culpa da pobreza é a “preguiça crônica”? Ah, tá bom…Imagino que você deva pegar 1 trem e dois ônibus pra chegar no trabalho de segunda a sexta. Sua opinião sobre o cinema é válida para discussão, mas a mera citação do previamente destacado por mim já evidencia sua ignorância frente a realidade, então não me alongarei
6 de Maio de 2007 às 22h01
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Borbs
@Ivan Sá
Ela disse que foi por isso que eu não gostei do filme?! =D
Ele é apenas “mais do mesmo”. Fora que eu resolvi ler a sinopse antes de assistir ao filme, e, nela, parece um filme policial. Fiquei esperando. ALÉM DO MAIS, li uma cara do diretor do filme que, em resumo, explicava o filme.
Se um diretor precisa EXPLICAR o filme, é porque algo tá errado. =D
7 de Maio de 2007 às 13h48
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Abu Nidal
Para os que se derem ao trabalho de buscar a verdade:
A versão de “um lado”:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/bellini-e-esfinge/bellini-e-esfinge.asp
A versão do “outro lado”:
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5686&language=pt
Engraçado que estes filmes ganham “prêmios” de clubinhos fechados, alinhados no mesmo pensamento “de esquerda”.
Antes que alguém me acuse de “burguesinho”, “de direita” ou “liberal”, sou assalariado (R$ 1.920,00 mês); vou de buzão para o trabalho: (8h de trabalho + 3h de buzão); então são 11h servindo “as zelite”.
Dos meus treze meses de salário, CINCO são confiscados pelos “cumpanheiros” para dar bolsa famÃÂlia, vale-gás e, PIOR DE TUDO, financiar estas porcarias…
Enquanto isso, os senhores BANQUEIROS NÃO PAGAM IMPOSTO NENHUM. E quando “financiam” um filmeco destes, ainda podem deduzir do INSS, e etc e tal…
Em que planeta vocês vivem?!!!
7 de Maio de 2007 às 15h28
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Lili
Abu Nidal…
Parabens, continue assim… Realmente és um poço de sabedoria! Pessoas como você que abrem as portas do Brasil para tudo que entra aqui de ruim vindo de fora, com a desculpa de que não temos capacidade de nos virar sozinhos.
Pois bem, continue assistindo seus enlatados hollywoodianos… Mas tem que ser daqueles bem tendenciosos, tipo Rambo e similares. Ou então vá ver o Vin Diesel matar um enfiando uma caneta no peito do coitado… Isso sim é cinema de qualidade, não?
7 de Maio de 2007 às 16h56
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john
@ Abu Nidal
O problema não está nas leis de incentivo àcultura… é ótimo saber que, no lugar de pagar imposto de renda (colocar dinheiro na mão dos polÃÂticos) eu posso contribuir com projetos como esse. O problema está numa praga chamada corrupção, que não existe somente em brasÃÂlia, está em todo lugar.
Se você não gostou do filme, ótimo, sua opinião. Mas, pelo visto, sua revolta tá mais
pra polÃÂtica do que cinematográfica… sendo assim, este site visa o entretenimento, portanto, não há espaço pra esse tipo de coisa. Descarregue seu desafeto em outro lugar.
8 de Maio de 2007 às 14h51
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Abu Nidal
k-k-k-k-k-k-k, “descarregue seu desafeto em outro lugar”. Muito boa!
“Pois bem, continue assistindo seus enlatados hollywoodianos…”
huuum, eu prefiro o cinema europeu e o oriental. Verdadeiras obras de arte, que fazem a gente pensar (não vem enlatado, como os de hollywood, nem com as linhas traçadas numa só direção, como os brasileiros).
E realmente me desculpem, não deveria estar “destoando” da maioria, da unanimidade.
Vou procurar um lugar mais adequado para me manifestar.
Fui…
8 de Maio de 2007 às 18h41
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Uba Nadil
Abu… Vá tomar coca-cola…
Êta coisa chata… a “minoria” gritando pra todos: “Eu sou a minoria diferente de vcs, seus merdas”…
Quer saber…
Abu… Vá peidar…
:*
8 de Maio de 2007 às 20h41
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john
rapaz… eu gosto de cinema. desde a comédia romântica água-com-açúcar
até às obras de arte. cinema é diversão e emoção… desencana, cara.
8 de Maio de 2007 às 20h50
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