SAN DIEGO ~ Existem zilhões de razões pra vir, pelo menos uma vez, para a San Diego Comic-Con. Seja você fã de quadrinhos, cinema, televisão, videogames, artista, quer entender um pouco mais do mundo do entretenimento, ver cosplay, mulher gostosa, festas, celebridades… Como dizem os banners espalhados pela cidade nessa época do ano, a Comic-Con “celebra as artes populares”.
Minha primeira vez aqui foi em 2007 e eu jamais vou me esquecer do momento em que Jon Favreau exibiu o trailer do primeiro Homem de Ferro. JAMAIS. Aquilo, de verdade, mudou a minha vida — pessoal e profissional.
Mas outro nome inesquecível — e imperdível — pra mim e, com certeza, todos que visitam a Comic-Con e tem o prazer de ouvir esse cara falar: Guillermo Del Toro. A primeira vez que eu o vi/ouvi foi em um painel que eu peguei muito sem querer, em 2010… Em resumo: era só ele e o Joss Whedon falando sobre fazer filmes. SÓ. ISSO. Naquele ano, ele também apresentou Não Tenha Medo do Escuro, mas ouví-lo falando sobre fazer filmes, sobre sua paixão por isso, é SEN-SA-CIO-NAL. É realmente BOM ouví-lo. Faz parecer que todos os nossos esforços trabalhando, de alguma maneira, com essa indústria, vale a pena.
Esse ano o mexicano voltou ao Hall H pra apresentar Pacific Rim, o seu filme sobre robôs gigantescos, aka Mechas, que muita gente, ao ver primeiras imagens e pôsteres, compararam com Neon Genesis Evangelion. Outros tantos (não me perguntem quem, pois não conheço), com Transformers. “Pacific Rim é um filme original. Não é uma homenagem ao gênero de robôs gigantes, é algo que eu quis fazer. Quando a Legendary Pictures falou comigo sobre essa ideia, eu disse que toparia, desde que eu pudesse escrever do meu jeito, que fosse visualmente do jeito que eu acho que deveria. Se viessem com alguma coisa já pronta, eu estaria fora”, disse o cara, parecendo até um pouco irritado. Na coletiva de imprensa, realizada logo depois do painel, ele ainda fechou a cara ao dizer que, se fosse se preocupar com o que as pessoas pensam — especialmente aquela coisa de Transformers — seria magro e não estaria ali.
Foi com a apresentação de Pacific Rim que a Warner/Legendary Pictures mostrou a tela gigantesca de 180 graus. E pareceu pouco pela grandiosidade do filme, que teve um pequeno trailer exibido logo no início do painel — “e essa vai ser a única coisa que vocês verão até o fim do ano, pois ficaremos absolutamente quietos até lá”, disse Del Toro antes de as luzes se apagarem. “Se você é um filho da puta que tem câmera no óculos e essas merdas, por favor desligue ou vai se foder”.
Tem como desrespeitar um cara desse? :D
O vídeo começa na neve, com o que parecem ser um pai e um filho procurando alguma coisa no solo, com detector de metal que, em certo momento, fica completamente maluco apitando. Os dois percebem a presença de algo externo e, ao olhar pra cima, um enorme robô, sem um braço, despenca quase que em cima deles. Dali, começa a ser mais uma colagem de cenas, dos robôs enfrentando os monstros — que, por acaso, surgiram de uma fenda dimensional no fundo do oceano pacífico, por alguma razão que Del Toro afirmou que só saberíamos vendo o filme, dos pilotos controlando os robôs — são dois, cada um controlando um lado do robô, criando a “mente” dele e, sendo assim, sentindo tudo o que acontece com o grandalhão, cenas do pessoal da cidade, Ron Perlman — aplaudido de pé por ter voltado a ser o Hellboy por um dia — e enfim… Como se não bastasse ser um filme sobre robôs gigantescos enfrentando monstros extra-dimensionais tão grandes quanto, toda a produção parece gigantesca.
Ou, se preferir uma expressão mais clássica, grandiosa.
Del Toro mostra e fala porque é um dos principais cineastas dessa nossa geração, dessa coisa de cultura pop. Entendo e compartilho o amor de todos nós por Christopher Nolan, Peter Jackson, Joss Whedon e outros, mas é Del Toro que, pelo menos pra mim, representa e faz tudo o que eu gosto no cinema.
No Q&A com o pessoal da plateia, por exemplo, ele contava com a maior das empolgações — sendo aplaudido, inclusive — ao xingar o motion-capture e dizer que os robôs são muito mais físicos do CGI, que seria impossível um humano imitar os movimentos mecânicos de um robô…
TALVEZ um recado pra um cara chamado Peter Jackson. E pra um estúdio que enrolou e enrolou pra confirmá-lo na direção de o Hobbit. Mas, pelo menos, Pacific Rim marca o retorno do diretor depois de alguns anos longe dos cinemas — e uma enorme decepção que, curiosamente, não se chama O Hobbit. Mas, sobre isso, eu conto depois, com a entrevista na íntegra, vídeos e tudo mais do cara, emocionado, dizendo o quanto o cancelamento de Mountains of Madness o magoou profissional e pessoalmente.
Porque… O Hobbit? Apenas um cara baixinho perto de tudo o que Guillermo Del Toro é capaz. :)
Você já tá seguindo o Judão no Twitter, Facebook, Google+ e Tumblr?! Pois deveria. ;D



