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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007 O Homem que desafiou o DiaboHumor nordestino de alto nÃvel e sem falsos estereótipos.
Cheguei bem cedo à cabine de O Homem que Desafiou o Diabo — o que é raro devido ao trânsito de São Paulo — e estava bem empolgada, como já é de costume quando se trata de filme nacional, e ainda mais ser uma adaptação de literatura nordestina, com um ar de cordel. Aproveitei o fato de chegar cedo para devorar o presskit e então minha empolgação começou a escorrer pelo ralo — isso graças ao currÃculo do diretor (que estava no presskit como sÃmbolo de orgulho). Especialista em Xuxa, Angélica e Padre Marcelo, entre seus filmes estão Xuxinha e Guto contra os monstros do Espaço, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, Xuxa Abracadabra, Maria, mãe do filho de Deus, Irmãos de Fé, Trair e Coçar é Só Começar e, pra fechar com chave de ouro, Dom, a pior adaptação de uma obra literária para a telona que eu já vi na minha vida. Alguns minutos de apreensão depois, então, o filme começa. Ufa! A má impressão, graças a Shiloh, parou lá no currÃculo do diretor, porque o filme é assaz legal.
O tempo passa, e um dia Zé Araújo descobre que virou motivo de chacota em toda cidade por conta de seu comportamento subserviente diante da mulher e do sogro. E então acontece a grande virada. Ele se revolta com essa situação, quebra a mercearia do sogro, dá uma surra na mulher, se veste de roupa de couro e vai até o escrivão (Lúcio Mauro) para mudar seu nome para Ojuara (Araújo ao contrário) e sai pelo sertão a procura de desafios, de defender os injustiçados e em busca do caminho para São Saruê. Nesse meio tempo ele se apaixona por Genifer (Fernanda Paes Leme) e por ela enfrenta alguns valentões. Enfrenta o Diabo (Heldér Vasconcelos) em pessoa mais de uma vez, derrota Mãe de Pantanha (Flávia Alessandra) e doma um boi mandingueiro que aterrorizava toda uma população. Sem dúvida alguma, o diretor Moacyr Góes pode considerar o “O Homem que desafiou o Diabo” como sua obra-prima. O filme é muito bem adaptado para o cinema. Como a maioria das obras da literatura nordestina, o filme conta com várias mini-tramas, e ainda assim não se perde e nem fica cansativo. É extremamente divertido e incrÃvel que você consegue notar que aqueles personagens, na sua imensa maioria, deve existir de fato na imensidão que é o sertão nordestino. A direção merece os louros por conseguir fazer um filme divertido e real, e que se distancia abissalmente de qualquer comparação que possa sofrer com O Auto da Compadecida. Sem falar que o elenco é incrÃvel, porque todos os atores estão muitÃssimo bem em seus papéis, sem falar que os sotaques e maneirismos estão incrÃveis, naturais, não parece aquele sotaque falso, forjado pela Globo. Quem teve a oportunidade de conferir o filme no Festival do Rio sabe do que eu estou falando e quem não teve essa sorte, é só aguardar sexta-feira para conferir o filme no Brasil todo. E pode ir que Judão RECOMENDA!, boas (e inteligentes) gargalhadas virão.
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