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Tuesday, 23 de October de 2007 | Atualizado em 31.10.07 às 16h30
Não a toa, foi o melhor filme do Festival do Rio.
Infelizmente, na maratona que foram as nossas duas semanas de cobertura do Festival do Rio, acabamos não tendo a oportunidade de conferir o filme Mutum, que foi extremamente elogiado pela crÃtica e acabou vencendo o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Oficial. Fiquei aflita por não ter conseguido ver esse filme tão comentado mas, para minha sorte, assim que cheguei em São Paulo já tinha um e-mail marcando a cabine do mesmo para a Mostra de São Paulo. Ufa! Eu estava salva…
No elenco, de conhecido temos apenas o sensacional João Miguel — que definitivamente foi o grande vencedor do Festival do Rio, uma vez que só não tinha vÃnculo com o prêmio de Melhor Atriz. Mas o incrÃvel nesse filme não é nem a atuação dele no papel do pai, e sim o elenco como um todo, repleto de excelentes atores (principalmente as crianças), na sua maioria estreantes. Adaptado da obra Campo Geral, de Guimarães Rosa, o longa conta a história de Thiago (interpretado pelo sensacional ), e a sua percepção de mundo e do local que você vive. Diferente da maior parte dos filmes que já vi, nós vemos apenas as coisas e cenas que ele já viu e viveu — não há nenhuma cena no filme em que Thiago não esteja presente no fato, ou ele é mostrado pela câmera para o entendermos naquele contexto, ou vemos aquilo que ele está vendo; não existe o recurso de uma cena alheia a ele pra explicar melhor a história, é sempre ele e apenas ele. Thiago é um menino de 10 anos, que vive no interior de Minas Gerais, isolado do resto do mundo, em Mutum. Lá ele vive com seus pais, a avó, um tio, uma espécie de empregada/amiga da famÃlia e seus quatro irmãos, com ênfase para Felipe (Wallison Felipe Leal Barroso) que além disso é também seu melhor amigo. E aà a trama se desenrola dentro dos conflitos dessa famÃlia, o pai que é seco e violento, a mãe carinhosa, um suposto adultério, morte, dor, abandono, injustiça, tudo isso sob o olhar de uma criança que vive no meio do nada.
Lindo de ver, sensÃvel, tocante e mais uma infinidade de adjetivos louvatórios (?! o_O) podem definir Mutum, o que torna claro o porquê de este ter sido eleito pelo Júri Oficial como o Melhor Filme do Festival do Rio. Diferentemente de Estômago que foi o vencedor do Júri Popular, unânime, apreciado por homens, mulheres, cults, pipoqueiros, adolescentes e idosos, Mutum já é um filme mais lÃrico, mais emotivo, que vai agradar aos verdadeiros amantes de cinema, seja ele nacional, europeu, asiático ou o velho e bom norte-americano. Um filme para quem ama a experiência cinematográfica em si.
É claro que Judão RECOMENDA e muito, mas infelizmente, apenas para os paulistas. Temos que torcer para que seja lançado em circuito nacional e que não demore tanto quanto O Cheiro do Ralo, que também foi cultuado no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo do ano passado, mas que só chegou à s salas de cinema de todo o paÃs uns seis meses depois. Se você gosta de cinema nacional não pode perder, e se você gosta verdadeiramente de cinema (não de apenas de blockbuster para ficar gritando Iuhu! no fim da sessão), com certeza vai se apaixonar por esse filme.
Comentários
Já são 7 sobre esse post -- até agora
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Guedes
24 de October de 2007 às 9h54
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Mac_Super_Size
Por acaso sou só eu que achei o preço dos ingressos dos filmes exibidos este ano na Mostra muito caro?
Eu lembro que a do ano passado não foi tão caro assim…
24 de October de 2007 às 13h22
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Luiz Gilberto
Eu só tive a oportunidade de ver o Cheiro do Ralo em DVD talvez acabe passando pelos cinemas daqui.
25 de October de 2007 às 13h06
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Cazz
MUTUM…eu tenho diversos parentes em Mutum…adoro ir pra lá…não é tão fim do mundo assim não viu Thay…o filme foi gravado lá mesmo? nem ouvi falar não (da gravação)…fiquei bem afim de ver viu =D
27 de October de 2007 às 8h55
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Moura
Essa história eh curiosa por demais! Mutum-MG é uma cidade que fica perto da divisa do ES. Meus pais ainda moram em um pequeno municÃpio vizinho e estudo com pessoas de lá. Entretanto, ninguém tem certeza se o ‘Mutum’ de Guimarães Rosa é o pequeno municÃpio do leste mineiro, se é uma região imaginária, criada pelo narrador, ou se corresponde a outro lugar… Demandam-se pesquisas.
30 de October de 2007 às 12h29
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Tayra
Moura, Cazz e demais interessados - até onde sei, as obras de Guimarães Rosa são sempre baseados em cidades fictÃcias, mas que possuem caracterÃsticas de diversas cidades do interior do Brasil e acredito que com Mutum aconteça o mesmo, até porque na sinopse que recebemos, diz que a cidade se chama Mutum por conta de um pássaro de mesmo nome, que não canta, e que esse nome vem de Mudo em latim, e que é a idéia para retratar a personalidade de Thiago, um garoto calado e observador…
Espero ter esclarecido algo - mas, reafirmo, estou no campo das suposições.
31 de October de 2007 às 16h34
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Cachim
Exatamente! o TÃtulo de suas obras geralmente se referem a caracterÃsticas de seus personagens principais.
Como exemplo para suas pesquisas, o Guimarães Rosa lançou um conto onde o protagonista era um descendente direto de escravos africanos e o tÃtulo era MUSSUM!!!
1 de November de 2007 às 16h26
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