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Saturday, 29 de September de 2007 | Atualizado em 19.10.07 às 11h09 Maré - Nossa História de AmorRomeu e Julieta nas favelas cariocas.
Quando chegamos ao Rio, eu e o Borbs começamos a selecionar os filmes que verÃamos por dia. Ele começou a marcar os mais pipocas e mais famosos (óbvio) e eu, em contra-partida, fui lendo sinopse por sinopse e a partir daà fui escolhendo os meus, ou porque a idéia do filme me agradava, ou o diretor, ou algum ator e por aà vai. Esse filme de cara foi marcado por ser dirigido por Lúcia Murat, que é uma diretora que eu admiro muito, seja por sua história de vida (da qual ela não faz uso para se promover), seja de seu trabalho no cinema. E assim, Maré - Nossa História de Amor acabou fazendo parte da lista dos assistidos pelo Judão.
O trabalho é muito interessante, bonito de ver. Um monte de gente nova (em todos os sentidos), com toda aquela energia pulsante da juventude, feliz de estar fazendo um puta trabalho e de estar estreando no cinema. Deu pra sentir isso, quando eles subiram ao palco para apresentar o filme, antes de esse ser exibido. A trama se passa na favela da Maré, e Analidia (Cristina Lago) e Jonatha (Vinicius D’Black) se conhecem num baile funk e se apaixonam. Porém, ele não sabe que ela é filha do chefão da facção rival a de seu irmão Dudu (Babu Santana). Como a favela vive dividida, fica muito difÃcil pra eles levar esse romance adiante. Porém, há um campo neutro, que é o barracão de dança, onde os interessados têm aulas com Fernanda (Marisa Orth — que está em um de seus melhores papéis). O filme se desenrola assim. É um musical e a música e a dança estão presentes em todo o filme e em boa parte das cenas. Eu, como bailarina, fiquei encantada com as coreografias, porque, ao contrário de muita bailarina clássica, sou apaixonada por dança e ponto. E os movimentos da Dança de Rua me encantam, são fortes, mas nem por isso deixam de ser técnicos. E o grupo do filme é fantástico. A história é um drama, como já se sabe, por ser uma livre-adaptação de Romeu e Julieta. A idéia é a mesma, mas o final não é aquela coisa igual onde Julieta finge que morreu, Romeu não fica sabendo que é fingimento e vai atrás dela, e ao constatar que a amada está morta, se mata. Julieta desperta logo depois e vê que Romeu se matou, e, usando o punhal do amado, põe fim à própria vida. O desfecho é muito bonito e muito menos fantástico que o final dado por Shakespeare. De certa maneira, podemos dizer que esse é o primeiro musical brasileiro, e que talvez ele abra as portas para esse novo nicho. Acho que vale muito a pena conferir. É um filme bem executado e bonito de ver, apesar de toda a miséria que o cerca.
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