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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007 | Atualizado em 20.04.07 às 10h42 Hannibal - A Origem do MalTransformaram Lecter em um Justiceiro! o_O
Hannibal é um mito. Alguém que transcende qualidades e defeitos humanos. A mÃstica em cima do homem/monstro é gigantesca, pelo menos pra mim. Então, vê-lo como um Justiceiro que vai atrás de seus inimigos para tentar corrigir uma tragédia em seu passado é, no mÃnimo, triste. Nos outros filmes da franquia, Hannibal é um Ãcone indecifrável, um homem que te faz tremer nas bases com um simples olhar, um poder obscuro que te arrepia a espinha. Aqui, transformaram o doutor em uma espécie de vingador / herói de ação que é expert em armas, explosivos e artes marciais. Onde está toda a cultura do doutor, pelo amor de Shiloh?! Hannibal - A Origem do Mal não chega a ser um filme ruim. É até um bom suspense, mas é um filme como qualquer outro. Se você trocasse o nome do personagem principal e vendesse a história como outra qualquer, o resultado final seria o mesmo. Provavelmente não teria o mesmo poder de vendagem, claro. Mas seria MUITO menos decepcionante. Na história, o jovem Hannibal foge dos horrores da guerra com sua famÃlia, que é assassinada durante um dos conflitos. Sobram ele e sua pequena irmã Mischa, que se escondem em seu antigo casarão. A mansão é invadida por um grupo de simpatizantes nazistas, que terminam por assassinar a pequenina… para comê-la. Sim. Eles foram canibais. Teria sido esse o fator preponderante na existência canibalista de Lecter? Ver sua irmã devorada por alguns desgraçados disparou alguma espécie de gatilho interior? Não dá pra saber, porque o filme não nos explica isso. Aliás, a produção nos mostra diversas passagens pela vida de Lecter, até fazendo algumas pequenas “homenagens” aos filmes anteriores. A máscara que, mais tarde, se tornaria um sÃmbolo de Hannibal; os javalis; todos eles surgem na tela por alguns segundos, talvez para tentar nos relembrar que aquela história genérica é, na verdade, do querido doutor. Depois de passar por todo aquele horror, Hannibal vai parar em um orfanato e, de lá, foge para encontrar sua tia, uma oriental professora de Bushido e futuro interesse amoroso. É, amiguinhos. Ele pega a tia dele. Com a ajuda dela, por incrÃvel que pareça, ele vai atrás de todos os que participaram da janta mais grotesca de sua vida. Nem as cenas onde ele encontra, prende e se vinga de todos os malditos acima conseguem nos prender. A todo momento, parece que há um esforço gigantesco de nos lembrar que aquele filme é sobre Hannibal Lecter, e não sobre um jovem com sede de vingança. A interpretação de Gaspard Ulliel é básica. Em poucos momentos, nós até conseguimos identificar um ou outro aspecto do personagem, mas eu não colocaria a culpa na experiência do ator. A história, por si só, é fraca demais e não permite que o mesmo consiga sequer se aproximar do “original”. Todos os outros atores e atrizes também seguem o padrão. Nada de mais. A tentativa de “desconstruir” e “explicar” alguém como Hannibal Lecter não deu certo. Nem de longe. Se você conseguir ter isso em mente, ou não ter visto nenhum dos outros filmes do canibal, pode ir aos cinemas e se entreter com essa pelÃcula. Se você conhece o personagem, admira suas nuances e toda a mÃtica do mesmo, fique em casa. Ou melhor: vá até uma locadora e assista a Dragão Vermelho, Silêncio dos Inocentes e Hannibal. Aà sim, você vai ver Hannibal em toda a sua glória. Judão NÃO RECOMENDA esse filme para os fãs do canibal. Para quem quer um suspense mediano, manda bala. Como pudermos descobrir, Hannibal é Anthony Hopkins. Só ele.
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