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Thursday, 4 de October de 2007 | Atualizado em 01.01.08 às 19h29 Jogo de CenaUm dos melhores filmes de todo o Festival.
Quando vamos ao cinema imaginamos que vamos sentar na sala, ver uma abertura, um enredo, que tem começo, meio e fim, com todas aquelas viradas na trama que prendem quem está assistindo. Mas no caso de Jogo de Cena é totalmente diferente. Não há enredo, não há história a seguir. Jogo de Cena, plagiando Nelson Rodrigues, é, a vida como ela é. São 100 minutos de filme onde vemos mulheres de todo tipo que você imaginar, que resolveram contar sua história ao diretor Eduardo Coutinho, respondendo ao anúncio de jornal ou a panfletos espalhados por aÃ. Dentre essas mulheres vemos Fernanda Torres contando uma experiência que teve com o candomblé e Andréa Beltrão dizendo que sente saudades do cheiro de sua babá de infância, além de muitas outras mulheres comuns, cada uma com a sua história — que pode ser banal pra alguns, mas que é especial para elas. E nesse meio todo, algumas atrizes, dentre elas a própria Fernanda Torres e Andréa Beltrão, além de MarÃlia Pêra, dentre outras, depois de assistirem ao depoimento dessas mulheres, escolhe um e o relata, como se aquela fosse a sua história. E o que é interessante é que aÃ, podemos notar a fragilidade da atriz e ela totalmente nua, despida, mostrando o quando duro pegar um texto e dar vida a ele. Em vários momentos os depoimentos se mesclam, a atriz narra uma parte, a mulher narra outra e podemos perceber como é diferente. Um exemplo, Andréa Beltrão narra a história de Gisele, e no fim, ela acaba se emocionando muito mais que a própria Gisele ao narrar sua história. MarÃlia Pêra, que está narrando a história de Sarita, se emociona também, mas em momentos diferentes da narração nos quais Sarita chora. Mostra o nervosismo das atrizes, a incerteza de estar fazendo algo legal, algo fiel. É bárbaro. Jogo de Cena é um deleite. Um meio-termo entre teatro e cinema e totalmente genial. De onde surgiu a idéia de contar histórias de mulheres comuns e de depois mostrar como essas histórias ficariam com uma atriz narrando-as? Eduardo Coutinho foi brilhante, e a montagem toda é linda, é perfeita, ele tem o feeling de perceber que aquele é o momento exato de intercalar a mulher real com a intérprete, ou de mudar totalmente de história, sem falar, na escolha do trecho da história de cada uma. São histórias tristes, profundas, de conflitos, de crescimentos, de insatisfação com a vida atual, mas, acima de tudo, cada uma delas é uma história de amor: ao filho, à filha, ao pai, a si mesma. Judão RECOMENDA! pra todo mundo que quer sair da mesmice e ver alguma coisa diferente, e pra todos os amantes da arte dramática. Com certeza você vai aplaudir de pé.
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