Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007 | Atualizado em 21.03.08 às 22h01

Não Estou Lá


Um filme em que é necessário algum tipo de droga alucinógena para acompanhar. Ou então, basta ser um grande fã de Bob Dylan que já ajuda.

Thiago Borbolla
, DO RIO DE JANEIRO

yonoestoyla.jpg
Esse foi um dos filmes indie-cult mais comentado dos últimos tempos. Não porque é uma cinebiografia do Bob Dylan. Ou, pelo menos, não só por isso. O destaque todo foi dado para o fato de Cate Blanchett, uma mulher estranhamente linda, interpretar o cara. Falaram tanto que esse foi um dos primeiros filmes que marquei na minha lista de “must see” aqui no Festival do Rio.

Porém, contudo, entretanto, todavia, eu “só” gosto de algumas músicas do Señor Dylan. Não sei nada sobre a sua vida, sua história, sua importância — que, pelo filme, parece ser bem grande. Mas até aí, se tratando de uma cinebiografia, imaginei que fosse acabar aprendendo bastante, ou algo importante, como por exemplo aconteceu com Johnny & June.

Que sirva de aviso pra você: se não for fã-fã de Bob Dylan, é melhor desistir de assistir ao flme. Tipo, se não conhecer mais profundamente boa parte de suas músicas (ao menos as mais importantes), nem mesmo alguma coisa de sua vida e, principal e especialmente, não usar drogas alucinógenas, I’m Not There (EUA, 2007) será apenas um filme lelés. Ou um bom remédio pra dormir, tendo em vista o cara que estava na poltrona de trás, que roncava alto durante todo o filme. E eu não o culpo.

Exatamente como é dito nos créditos iniciais, o filme é “baseado nas músicas e nas muitas vidas de Bob Dylan”. Por muitas vidas, entenda exatamente isso. São seis personagens e nenhum deles se chama Bob Dylan. Tem um ator de Hollywood, um cantor que vira pastor evangélico, Billy the Kid (!!!!), um garoto negro de 11 anos, um cara que (parece) está sendo interrogado e, óbvio, a Cate Blanchett. Juntando todos e misturando, temos Mr. Dylan. Mas, repito, só se você tiver um grande conhecimento de background desse cara.

É tanta viagem, tanta metáfora (um garoto negro de 11 anos? BILLY THE KID?) que, ou o filme é perfeito para fãs, ou é altamente bizarro pra qualquer um outro. Não dá pra assistir a esse filme “só” por assistir, como eu tentei fazer. Não dá sequer pra falar desse filme como um filme. Não posso te dizer se é bom, se é ruim… É bizarro. MUITO. Completamente lelé. =D

Eu imagino que muito cult-indie metido por aí vai dizer que é uma obra de arte, uma grande homenagem ao artista do povo, não sei o quê. Se você quiser, pode até acreditar em quem falar isso. Talvez seja, mesmo. Mas você tá lendo o Judão, e a última coisa que espera é algo assim, correto?

Então tá: PASSE longe do filme. Existem coisas mais divertidas, legais e leves pra se assistir, seja no circuito comercial de quando o filme estrear, seja mesmo no Festival do Rio. Saiba que a Cate Blanchett interpreta o cara e tá bom de mais. A não ser que seja fã. Caso contrário… =D

Comentários
Já são 14 sobre esse post -- até agora

  General Lee

Como assim 6 caras são o Bob Dylan ?! Até o enredo do filme é bisonho, imagino o resto…

27 de Setembro de 2007 às 14h58
  Carlos Tourinho

Sou fã de carteirinha desse cara (tenho até uma frase de Blowin’ In The Wind tatuada em mim), esse filme então, segundo o Borbs, vai me satisfazer.

E eu adoro filmes cult estranhos… mas tb adoro o Judão. Que nem por isso, deixa de ser cult… e o Borbs é estranho pra caraio, kkkkkkkkk!

27 de Setembro de 2007 às 17h03
  Goku

Eu achava que uma cinebiografia… mas como eu curto muito o cara, eu vou dar uma olhada o/ parece ser interessante, vamos ver no que dá

28 de Setembro de 2007 às 0h23
  Gin Guilt

Sou fã do Bob Dylan desde a PORRA dos meus 13 anos,espero a PORRA desse filme desde que deram a noticia que estava na PORRA do planejamento,e agora a PORRA da distribuidora não manda pra PORRA da minha cidade.

É uma PORRA,mesmo.

Enfim,se o filme serve SOMENTE para os fãs,isso não faz dele um filme ruim.Sei lá.No mais,a crítica do Borbs ta valendo.Me imagino falando com alguém após assistir o filme:
“Ei,você ja assistiu ‘Não Estou Lá’?É muito bom.”
“Sério?”
“Sim.Mas…você é fã do Bob Dylan,certo?”
“Não…então não assista…e MORRA!”

Acho que estou esperando tudo que o filme é,ou seja,não vou me decepcionar.E se for muito drogado…bom,eu gostei de The Fountain =D

22 de Março de 2008 às 2h05
  Gin Guilt

Só pra mudar uma coisinha no meu comentário acima…se o filme funciona só para fãs,então,SIM,ele falha como filme.Eu explico:Quando anunciaram que Bob Dylan seria interpretado por 6 atores diferentes,eu imaginei TODOS como Bob Dylan,sabe,no sentido literal.Sem metáforas.Isso faria o publico conhecer e se aproximar com a história deste grande musico,e quem sabe,conhecer mais de sua carreira,como foi com Johnny e June(que o Borbs citou).

Porém,no momento em que o filme começa a fazer metáforas,ele ABDICA da idéia de contar mais ao publico sobre Dylan,e muda seu publico alvo.O filme vai narrar uma história para os que já conhecem a história,apenas de um jeito diferente,e isto sendo seu unico mérito.Ou seja,o filme se torna um documentário encenado.

Resumindo,nem vi o filme…mas parece ser um PÉSSIMO filme e um EXCELENTE e ORIGINAL documentário.

But,who am I kidding.Que venha o dvd…=/

22 de Março de 2008 às 2h13
  QUEIROZ

Ah, cara, o filme não chega a ser uma obra blasé(aquele que se mostra entediado, com relação a coisas pelas quais a maioria das pessoas demonstra interesse). NÃO. Pode ser direcionado ao povo roqueiro que não é pouco. Quem curtiu The Wall, Tommy, Hair… Vai gostar do filme. Mas, assim, eu gostei das referências, presentes que tem uma fonte de fácil constatação, o You Tube, bota lá Bob Dylan interview, as declaração da Cate no filme bate com as dele. E tem wikipedia, pô. E acervo da radiouol. Quem criticou a Juno disse que uma garota nova não poderia ter tantas referências. Como não?! Internet amigo, não há nada que a gente não possa saber. Mas, para ter tanto trabalho de pesquisa é melhor esperar o Homem de Ferro mesmo.

22 de Março de 2008 às 17h03
  Juarez

Q nada, o filme é bom sim, e eu naum sou fã e gostei…blz…basta gostar d musica e de roteiros estranhus…

24 de Março de 2008 às 10h43
  Luiza Ribeiro

Eu assisti em outubro, no Festival do Rio. Não sou fã do Bob Dylan mas gostei mesmo assim. Mas acho q pra quem não gosta de cults esquisitões é melhor ir com a mente bem aberta…

24 de Março de 2008 às 13h35
  Alexandre Pit

Todd Haynes costuma fazer cinebiografias musicais bem estranhas, porém bem legais. Foi o caso do culto ao glam “Velvet Goldimine” de 1998. Filme baseado na fase glam de diversos artistas setentistas, com referências a David Bowie, Iggy Pop, Lou Reed, entre outros. Vale ressaltar que o filme não fala diretamente dos tais artistas (como acontece em “The Doors”, “Control”…), ele apenas cita situações e brinca com a época, usando os trejeitos dos artistas como personagens fictícios (inclusive, sem usar seus nomes reais).

25 de Março de 2008 às 9h22
  Ricardo

Não sou fã de Bob Dylan, gosto de uma música ou outra, mas gostei do filme. Claro, se você se incomodar com o jeito bizarro de filmar um biopic que o Haynes usa, vai ficar puto com o filme. Se você abstrair e focar cada um dos Bobs separadamente e depois montar o quebra-cabeça, é uma experiência única. Não que o filme seja brilhante, mas só pela ousadia já merece ter sido feito. Não é ousadia gratuita como a de grande parte dos filmes cult. Pra ser mais claro: são 6 personagens diferentes, que representam a mesma pessoa. Bob Dylan não era uma pessoa convencional e linear. O filme segue isso. Pra mim representou tão bem o que ele é, quanto “Ray” representou Mr Charles e “Johnny e June” mostrou quem era Cash.

27 de Março de 2008 às 14h28
  Ashes

Complementando o q Alexandre Pit disse, o Todd eh um tanto quanto estranho mesmo. Ele tam um filme do inicio da decada de 890 que se chama Veneno e eh um misto de tres historias diferentes e filmadas de um modo-tributo a estilos diferentes. Eh muito bacana. Vejo que as cinebiografias dele soam tao viscerais quanto as de Milos Forman e o fato de varios personagens fazerem um soh eh super bacana!!! Apesar de ter uma proposta diferente o Filme Palindromos de Todd Solondz segue a mesma linha!!! Au Revoir ! Muchachos

27 de Março de 2008 às 18h09
  Daniela

Ai, quero ver, quero ver, quero ver! Sou fã, já li sobre e quero ver! E sim, achei a crítica do Borbs MUITO MUITO válida…uma galera foi bater ponto no show do velhinho só pra dizer que foi e depois saiu de lá reclamando que o cara não tinha voz…como se ele tivesse tido voz um dia! Bob Dylan é um mito, e merece respeito. Se não conhece, fique em casa com a Sessão da Tarde. Ou vá se drogar.

27 de Março de 2008 às 20h21
  marcio silva de almeida

escutei apenas um album de bob dylan, o “highway 61 revisited” - 1965, adorei, quando assisti este filme me lembrei de algumas musicas contidas naquele disco, realmente falando do filme, é alternativo pra caramba!!!

3 de Novembro de 2008 às 8h20
  Paulo Marcelo

Cara,eu não conhecia muito da vida de Bob Dylan…
sinceramente,conhecia as musicas mais famosas,como “Blowing in the wind”,”like a rolling stones”…
Porém,com o filme,eu comecei a me interessar pelo artista…e hoje eu sou fã…
claro que depois do filme,eu pesquisei sobre sua vida,e só assim,consegui intende-lo

18 de Novembro de 2008 às 19h40
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