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Tuesday, 27 de March de 2007 | Atualizado em 28.03.07 às 0h11
O diretor do épico fala sobre as dificuldades de se adaptar uma graphic novel em Hollywood, Espartanos, Madrugada dos Mortos e seqüência de 300!

Como todo mundo sabe, a segunda-feira da semana passada foi a data da avant premiere brasileira de 300. A Warner não poupou esforços e reuniu a maioria dos jornalistas de São Paulo e Rio de Janeiro no bambambã Copacabana Palace para divulgar o filme. E lá estavam Rodrigo Santoro, todo simpático, ao lado de Gerard Butler (Leônidas) e a magrelinha Lena Headey (Rainha Gorgo).
No primeiro resultado poderoso da parceria entre a Sci-Fi News e o Judão, trazemos essa entrevista exclusiva com o mais novo deus nerd Zack Snyder, o diretor de 300. Se você se escondeu debaixo de uma pedra pelos últimos 10 anos, saiba que foi ele quem refilmou Madrugada dos Mortos, de George Romero, e está a cargo de levar os todo-poderosos Watchmen para o cinema. É, ele é o cara! E demos boas risadas com ele.
Confira abaixo um pouco de como foi o meu papo com o diretor. E aÃ, na edição de abril da Sci-Fi News você lê a entrevista completa! Não percam! =D

Primeiro você dirigiu o remake de Madruga dos Mortos, depois foi para 300 e causou toda essa polêmica com o Irã e agora vai adaptar Watchmen. Você é um diretor polêmico?
Não, nunca pensei nisso. [George] Romero, Frank [Miller] e [Alan] Moore são Ãcones em seus mundos. É uma honra poder trabalhar com o material de deles, que são geniais em suas maneiras. Nunca quis criar polêmica. Eu não penso em quem vou “sacanear” depois. Na verdade, nem sei o que vou fazer depois de Watchmen, afinal, em Hollywood você fica sem emprego da noite para o dia e não sei mesmo se ainda vão me querer fazendo alguma coisa.

300 parece um storyboard prontinho para ser filmado, não é?
Pois é, mas preciso deixar uma coisa clara: Hollywood não entende o que é uma graphic novel. Eles não entendem o motivo de uma delas render um bom filme. Para falar a verdade, eles não gostam e não querem trabalhar com isso. Sabe por quê? O poder deles está em controlar a história e eles não podem fazer isso com esse material. Eles podem adorar um personagem de HQ como Homem-Aranha, por exemplo, mas não querem a história. Quando eles têm que produzir um filme que já tenha um personagem definido, uma história consagrada e os elementos visuais que não podem ficar de fora, eles não tem nada. Absolutamente nada!

É difÃcil acreditar que algo possa ser mais claro que mostrar uma graphic novel como 300 e propor um filme.
Não é não. Quer rir um pouco? Um desses executivos perguntou: como vai ser o diálogo? Eu respondi: “Bem, você está vendo esse balão branco aqui? É o que ele diz e está apontando direto pra ele!!!. Dá para ser mais claro?” E, claro, eles não gostaram muito da idéia. O problema de fazer um filme em Hollywood é que um monte de gente fica sentada ao redor de uma mesa, com um roteiro. Aà alguém diz: não gosto dessa parte aqui. E a gente arranca a tal parte. Aà vem um outro e não gosta de alguma outra coisa. Pimba, lixo. E assim vai até todo mundo gostar. No começo, o material é meio robusto e cru, mas, no final, tudo fica tão digerido que qualquer pessoa na face da terra pode entender. Um bebê consegue entender esses “filmes perfeitos”. O problema com 300 é que a história não pode passar por esse processo.

Especialmente pelo tratamento visual, o ambiente envelhecido…
… e também porque tem um monte de gente perdendo cabeça, braço, perna, cenas de sexo, etc. Eles pensam meio assim: “O que? Quem vai querer ver isso?”

Eu!

De qualquer forma, eles mudaram alguma coisa?
Então, o estúdio não, mas eu e os roteiristas decidimos aumentar algumas coisas. As duas partes mais relevantes foram a Rainha Gorgo e Theron. Fizemos isso por que, no original, quando os soldados vão para as Termópilas e começam a lutar você pára pra pensar: espera aÃ, o que esses caras estão fazendo ali mesmo? Estão lutando por que mesmo? Aà pensei que seria melhor voltar e mostrar o que estava acontecendo em Esparta. E também precisávamos de um vilão mais malvado, alguém pior que Xerxes.

E Theron é esse cara…
Pelo que ele faz, sim. Se você olhar bem para o nosso Xerxes, vai notar que ele é um personagem fantástico que não está dizendo nada tão maldoso assim. Ele meio que gosta do Leônidas. Ele acha que o cara é fantástico.


Ele é apenas o outro lado da batalha…
Exatamente. Ele vive dizendo: “Veja bem, vamos conversar sobre isso e resolver sem briga. Não precisamos lutar. Podemos ser amigos. Aliás, vou fazer de você o Rei da Grécia e você vai poder fazer o que bem entender. Mas o Leônidas é bem simpático´ e responde meio que “vai se foder, vou quebrar sua cara!” Ele é louco. Até mesmo no final quando eles estão cercados, não há para onde ir, e sabem que vão morrer, Xerxes resolve falar. E ele até que tenta. “É o seguinte, você matou todos os meus soldados, certo? Tudo bem. Vocês são ótimos! Gostei de vocês e vou perdoar todo mundo, é só baixar as armas e tal”. E os espartanos agem como espartanos & “NÃO… VAMOS LUTAR…” & e morrem. Se pensarmos por esse aspecto, no fim do filme, não existe um vilão de verdade.

Miller gostou da idéia de incluir Theron?
Falei com ele ao telefone e contei a idéia. Ele perguntou o motivo e entendeu que fazia sentido ampliar esse trecho. A grande sacada dessa mudança é que, diferente da graphic novel, você não pode folhear o filme para trás e lembrar da Rainha, por exemplo. Antes de morrer o Leônidas fica com aquela coisa toda de “Minha Rainha, Minha Vida, Meu Amor” e o espectador pode ficar perdido: “espera aÃ, quem? Ah, ela aparece lá atrás, vou ver.” Ah, é, ele tem uma esposa! Agora faz sentido”. Foi por isso que mudamos. Precisávamos desses elementos para definir os lados da história. É meio que nem em Star Wars. O Imperador precisa existir ao lado de Darth Vader, porque se Vader ficar sozinho, todo mundo vai gostar dele!


E deu certo, já que o filme tem feito muito sucesso.
Bem, para o estúdio parece ter funcionado, apesar do fato de eu sempre ter dito que faria um filme de gênero, aliás, um bem especÃfico, já que o espectador normalmente entende o que é uma graphic novel, como ela funciona e blábláblá. Eu esperava que 300 faturasse, pelo menos, o mesmo que Madrugada dos Mortos…

…e em menos de um mês em cartaz, já arrecadou o triplo do orçamento.
Uau! Acho que é por causa do bom-humor.


Seu ou dos espartanos?
Deles, eu acho. [risos]. Eu tento lembrar as pessoas de que elas não são espartanas. Eles têm um código moral bem definido: sem recuar, sem rendição. É assim que eles são. Simples assim. Mas, quando Daxos chega dizendo que eles estão cercados, que vão morrer, ele se comporta como nós, pessoas normais. Enquanto isso, Leônidas começa com toda a coisa de “preparem-se para a Glória, vamos morrer” e tal. Ele fica empolgadão com a idéia de não recuar e morrer lutando.

Mas quem são os espartanos afinal?
Bem, no momento em que os gregos se apresentam como padeiros, ferreiros, etc, fica claro que quero dizer que esses caras somos nós. Os espartanos são os caras que matam as crianças feias, jogam elas do penhasco, dão porrada nos moleques e tal. O filme é feito sob a perspectiva desses homens doidos. Se o público prestar atenção, vai notar que a cada cinco minutos eu fico lembrando: você não é um espartano, você não é um espartano… O negócio é que o espectador está doido para ser um espartano. Tem gente por aà que anda gritando “Isto é Esparta, Sou um Espartano”.


Mas Stelios é corajoso?
Stelios é um manÃaco. Ele olha da montanha e fica dizendo que espera que algum daqueles caras consiga matá-lo. Ele é doido. Ele pensa algo como: a chance é boa, olha quanto soldado tem lá embaixo. Essa é uma das coisas que mostra para o espectador que não é muito normal ser um espartano de 300. Mas é por isso que é divertido ir ao cinema. Viver experiências que não são suas.

Ué, mas e o bom-humor?
Eles são engraçados. Na cena em que Leônidas sai para conversar com Xerxes, ele diz para o capitão que não há razão para não serem civilizados. O capitão enfia a lança num sobrevivente persa e responde: Claro que não, senhor. Essa cena é muito engraçada e todo mundo ri. Ela também serve para mostrar que aquele mundo não é o nosso. Aqueles caras são doidos e pronto. Esse é um momento que serve para aliviar a tensão e ajudar o público a deixar os conceitos morais um pouco de lado, afinal de contas, se você entrar para ver 300 com a perspectiva da moral de hoje em dia, o filme vai parecer diabólico. É por isso que Xerxes não é tão mal assim.

O assunto de 300 atrai uma certa polêmica por causa da história, e como Esparta mantinha uma tradição oral, não escrita…
Exatamente. Acho que se aparecesse alguém em Esparta e dissesse: “oi, eu escrevo livros”, eles provavelmente iriam gritar: Matem esse cara! É um intelectual! Ou seja, tudo era registrado na terceira pessoa, ninguém escreveu um diário sobre a batalha. Como a democracia estava engatinhando na Grécia, muita gente duvidava se ela funcionaria ou não, assim como o conceito de liberdade. Muita gente ainda queria ter reis e decisões centralizadas, em vez de deixar todo mundo decidir em conjunto. Então, Heródoto tentou transformar as Termópilas num momento crucial para apoiar a democracia, porém, dá para dizer com certeza que não era essa a intenção dos espartanos. Eles acabaram se transformando na ferramenta certa, o que a Grécia precisava sentir e ouvir. Enfim, essa é a verdade? Vai saber, ninguém sabe. E é muito importante que as pessoas saibam disso, já que muito do que vivemos hoje é baseado na história da sociedade ocidental e esse momento é muito importante, por isso, não queremos que as pessoas tirem conclusões radicais ou erradas sobre isso. 300 é fantasia. Não é real. O céu é absurdo, os elefantes são alucinantes, Xerxes é gigante.

E vocês vão fazer uma continuação, certo?
Então, a coisa funciona assim. Para existir uma continuação, tem que ser assim: Frank precisa escrever, depois desenhar e então publicar. São muitas coisas envolvidas. É possÃvel, mas depende dele e eu vou fazer Watchmen, aà vamos ver o que acontece.
Comentários
Já são 21 sobre esse post -- até agora
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pqp
mto bom!
27 de March de 2007 às 22h25
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Gin Guilt
27 de March de 2007 às 23h17
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Barretão
Fala a verdade.. o cara lê um texto desse tamanho e o único comentário é um erro de digitação! Falta do que fazer pouca é bobagem, hein? Já tá arrumado bonitão… tsc tsc tsc
28 de March de 2007 às 0h01
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Iuri
boua galera!!!
esse cara ai d cima comeu merda foi??
28 de March de 2007 às 0h41
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Bonisvaldo
Eu odeio quando não entendo do assunto, nunca li 300, mas pelo que eu vi a galera toda morre, como que pode ter uma continuação? Scooby-Doo e Os 300 Fantasmas de Esparta ou coisa assim?
28 de March de 2007 às 3h59
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tiagoluz69
huahahuauhhu scooby-doo foi foda!
e soh respondendo o gin sei-la-o-que esse Alan não morre naum, na verdade axo q nem vi ele no filme.
huahuahaha!!
28 de March de 2007 às 4h13
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intasqui
na entrevista do second life eles deram uam sugestao da continuacao
“301 zumbis”
TONIGHT WE DINE BRAINS !
28 de March de 2007 às 8h25
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eL_
nao gente eh q no trecho “Não, nunca pensei nisso. [George] Romero, Frank [Miller] e [Alan] Moore…” Moore tava MORRE, um simples erro de digitacao…
28 de March de 2007 às 9h16
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Marcos
Borra, baralho, posta!!!! Tem uns SPOILERS no texto e ninguém avisa?????????????????????????????????????
28 de March de 2007 às 10h30
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sascraex
THIS IS SPARTAAAAAAAAAAAAA!
28 de March de 2007 às 10h41
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Maicon
Ótima matéria Judão! Parabens! Esse filme merece mesmo um especial!!! Vai ganhar muitas estrelinhas com certeza!
PS: Sorte que ja vi o filme pq se não tbm ia ficar puto com os spoilers… são spoilers meio que presisÃÂvies ja que é uma adaptção de uma lenda ja conhecida mas mesmo assim não deixa de ser!
28 de March de 2007 às 15h50
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Ricardo
Imagino que uma seqüência de 300 seria a posterior vitória da Grécia sobre a Pérsia, assim como na história.
Eu acho difÃÂcil que uma entrevista com um diretor sobre seu filme não vá conter spoilers, dava pra imaginar né!!! Mas também não custava avisar.
No entanto, quem conhece a história ou leu a HQ já sabia o que ia acontecer.
29 de March de 2007 às 8h43
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Yuri
Leônidas morreu, mas Xerxes ainda tá vivo pra uma continuação ehehe
2 de April de 2007 às 17h15
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Wykthor
vcs não viram a porra do final? dá pra fazer uma continuação sim senhor!
5 de April de 2007 às 2h41
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Daniel Felipe
Qdo acabou o filme ontem, falei pra minha namorada:
Vai ter continuação, os 30 mil de Esparta. - Na zueira, claro.
Bem…não tava de todo errado né
5 de April de 2007 às 16h33
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ZiuL
o judao me ensinou q se vc que assistir um filme sem saber nada ignore tude o q tiver o nome do filme inclusive os textos do judao eu tava vendo o special 300 e vi q leonidas morria po é foda par um tosco q nem eu mas da nada eu ja tinha lido a historia na biblioteca.
5 de April de 2007 às 16h43
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JUDÃO » The Second Coming: A Hora dos Robozões Quebrarem Tudo! Mesmo!
[...] Para ninguém ficar chorando as pitangas que nem fizeram na entrevista com o Zack Snyder, sim tem SPOILER! [...]
12 de April de 2007 às 14h07
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Thiago
filme fantástico, entrevista excelente
30 de April de 2007 às 20h09
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Luiz Otavio
esse diretor fumou o que antes de dar essa entrevista?
12 de June de 2007 às 21h58
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Luiz Otavio
Agora é só fazer a continuacão… “ O RETORNO DOS PEDAÇOS VIVOS´´
12 de June de 2007 às 22h03
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[Watchmen] Entrevista: Zack Snyder | SOS Hollywood
[...] claramente esgotado fisicamente. Embora ele ainda demonstre toda a paixão que garantiu muitos fãs aqui, o ritmo ininterrupto de filmes sem dúvida tem afetado o “homem adaptação de [...]
1 de August de 2008 às 3h21
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