Eu sei que é difícil manter expectativa baixa quando se trata de um filme que marca o retorno de um dos maiores gênios desse tal de cinema ao universo que o consagrou — especialmente quando o retorno é literal porque, sim, Prometheus é uma prequência de Alien (ainda que um pouco mais indiretamente) e ponto final.
Especialmente nesses últimos tempos, com tantas resenhas gringas e pessoas que assistiram ao filme em pré-estreias dizendo que amaram e que odiaram (alguns ao mesmo tempo) o filme. Mas o fato é que Prometheus é muito mais do que essa coisa da expectativa, do hype, do Alien, do “prometeu e não cumpriu” (ou cumpriu).
Prometheus é sobre Ridley Scott. E a razão pra isso é bem simples: o filme é dele. E, sendo Ridley Scott quem é, não sei até que ponto é certo a gente chegar pra qualquer pessoa e dizer que o filme é horrível OU maravilhoso. A única coisa que eu consegui tirar de Prometheus é que é um filme que PRECISA ser visto por toda e qualquer pessoa que goste de cinema, de Alien, do próprio Ridley Scott…
Sem nem chegar perto de comparar as duas obras, Prometheus me parece ser pro Ridley Scott assim como Avatar foi pro James Cameron: um enorme experimento. Gigantesco, e extremamente bonito, bem filmado, fotografado, editado, iluminado, com um 3D que vale cada centavo do ingresso inflacionado. O que talvez seja um problema é a fragilidade da história e suas motivações.
Eu poderia entrar no mérito de discutir o quão fácil as motivações são alteradas, o quão fácil as personalidades mudam, o quanto o roteiro tenta criar mistérios sem nenhum sucesso… É tudo fato, sim, mas é irrelevante. Sem esperar nada desse filme, a história que é contada simplesmente não importa.
Seria melhor se o que começou com David (Michael Fassbender, sempre mandando bem) sozinho acordado dentro da Prometheus (que é uma nave, só prá constá) tivesse ido até o fim? Sim. Se a vilã de Charlize Theron fosse um pouco mais vilã e menos “simplesmente humana”? Sim. Se a personagem de Noomi Rapace tivesse motivações mais claras? Sim. Mas simplesmente NÃO IMPORTA.
E, quer saber? Se você assistiu a trailers e viu todos os pôsteres… Você viu o filme. Eu não vi tudo o que saiu, mas tudo o que eu vi… :D
Se eu tivesse aqui escrevendo sobre QUALQUER outro filme, eu muito provavelmente não diria que não importa, simplesmente, mas diria que é um dos principais defeitos da produção e, portanto, não valeria a pena o esforço de ir até o cinema. Mas a gente precisa ter bom senso e nos colocar dentro de um contexto… Que é o que eu já falei lá em cima: o filme é sobre o Ridley Scott, simplesmente por ser dele.
É aquela coisa de chegar num ponto da carreira em que é permitido se despreocupar em fazer grandes filmes e experimentar. Se dá certo como deu com Avatar, A Invenção de Hugo Cabret, As Aventuras de Tintim, PERFEITO. Mas não dá pra dizer que Prometheus deu errado. É sua OBRIGAÇÃO assistir a esse filme em IMAX 3D — ou, se for o caso, numa enorme tela, 3D. Se não der, 2D.
Prometheus é uma puta experiência cinematográfica. E gostando ou não da história, do resultado de uma maneira geral, é impossível sair da sala do cinema sem, pelo menos, pensar quão FODA Ridley Scott é.
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