|
|
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008 | Atualizado em 25.04.08 às 12h45 Encurralados007 arrepia em cima do Leônidas em suspense que quase chegou lá…
Então, enrolei água pra burro no primeiro parágrafo só para deixar você, leitor, bem à vontade e dizer-lhe: não se sinta culpado caso não consiga olhar para a cara do Pierce Brosnan sem enxergar o nosso amiguinho 007. Independente dos talentos do ator irlandês, o fato é que o sujeito tem uma cara tão marcante de cafajeste-que-bate-em-todos-e-come-todas (!) que coube certinho a James Bond. E agora, não importa o quanto Brosnan seja bom fora do perfil interpretativo do agente secreto; será mesmo bem difÃcil vê-lo em papéis antagônicos e não associá-lo ao lendário personagem que viveu em 4 fitas da cinessérie. Mas Brosnan está tentando, viu? O sujeito já relaxou em obras bem divertidas como O Alfaiate do Panamá (2001), Ladrão de Diamantes (2004) e o excelente O Matador (2005), além de vários personagens de época e dramas românticos em seu currÃculo que comprovam que o ator tem talento de sobra para sobreviver longe do smoking e do Aston Martin. A curiosidade maior em seu novo trabalho, o thriller Encurralados, que chega aos nossos cinemas essa semana, é ver o ator em uma rara incursão em papel de vilão — e fora o sotaque tenebroso roubado do cigano vivido por Brad Pitt em Snatch (?), até que o cara se dá bem. E… Quanto ao filme? Resumindo em uma linha: o enredo começa normal, revela-se absolutamente original e surreal, mas o resultado final é meio bizarro, porque tinha tudo para ser lascado e ficou apenas meia-boca com o finalzinho meio chumbrega, ainda que excelente em suas idéias. QUÊ??? Por favor não me xingue, vou explicar: o plot central de Encurralados, que mexe com aquela velha questão de “jogo de gato e rato entre seqüestrador e seqüestrado”, é batido e manjado. Então, logo nos primeiros minutos, sabemos que o publicitário Neil Randall (Leônidas, ops, Gerard Butler) está prestes a receber uma promoção-monstro no mega-escritório em que trabalha. Como se não fosse suficiente, o hómi vive em uma casa de sonho com sua sensacional esposinha Abby (Maria Bello… ai, ai) e a filhinha Sophie, de uns 5 ou 6 anos. O público logo percebe que a vida do casal não é lá estas coisas: é aniversário da esposa e o cara não poderá degustá-la como se deve (!) pois passará o final de semana em um chalé no meio do nada com o futuro patrão, “tudo em nome do trabalho”. Antes que tudo isto aconteça, porém, Neil e Abby são subitamente seqüestrados por Tom (Pierce Brosnan), que revela estar em poder de Sophie e força o casalzinho a realizar algumas “tarefas” em troca da vida da criança. Aqui, a coisa começa a esquentar, porque a estrutura narrativa de Encurralados, através da direção segura de Mike Barker (o mesmo do divertido porém obscuro Planos Quase Perfeitos, suspensinho com Reese Witherspoon), mantém tudo nos trilhos, mas o mais interessante é que os rumos da história são totalmente anti-convencionais – até o final, por exemplo, não dá pra saber por qual razão Tom mantém Neil e Abby em seu poder, nem por qual razão Neil parece tão amedrontado com a simples presença do indivÃduo em suas vidas. A originalidade do roteiro do semi-estreante William Morrissey revela-se em alguns detalhes inusitados que deixam o espectador sem pistas e sem ter o que deduzir. Por exemplo: por que um seqüestrador comum aparentemente interessado em dinheiro faria o seqüestrado sacar 160.000 dólares de sua conta pessoal, só para em seguida QUEIMAR toda a grana, literalmente, e atirar a maleta de cima de uma ponte? Pois é, é daà pra pior. Assim como o ótimo Vidas em Jogo, de David Fincher, nada é o que parece ser e o final pode até revelar uma “brincadeira” ou um motivo totalmente nada a ver, quem sabe… Só por fugir da obviedade de filmes deste gênero, Encurralados já mereceria lugar de destaque. Maaasss… (sempre tem um “mas”…) não estamos falando de uma fita perfeita, nem de uma trama construÃda à perfeição. Se o plot é bastante divertido e não tem problemas em deixar o espectador com os olhos grudados na tela até seus momentos finais, o mesmo não se pode dizer de sua conclusão cheia de reviravoltas e revelações bizarras. A idéia é boa… Só que mal desenvolvida. Você fica com aquela sensação de “tudo aquilo para chegar a ISSO?”, e quando as luzes do cinema se acendem e os créditos sobem, a idéia de “brincadeira de mau gosto” (no bom sentido) presente em filmes como o já citado Vidas em Jogo dá lugar apenas à sensação de “ótima história com final bobinho”. Então, Encurralados é bom ou não é? Sim, estamos falando de um trabalho bem legal e que vale a pena ser visto. Porém, o que tinha tudo para se tornar imperdÃvel, transformou-se apenas em um passatempo divertido e agradável que não justifica uma ida ao cinema e cabe mais na telinha, em um dia chuvoso, quando não se tem pilomba nenhuma para fazer a não ser ficar enrolado no edredon com um balde de pipoca e um barril de guaraná. Se você sofre do bom e velho “mal de granaâ€, guarda o punhado de moedas para o Homem de Ferro, que chega aos cinemas na próxima semana e o Borbs vai ver antes de todos nós. Maldito! Pra finalizar, só um recadinho para o senhor Pierce Brosnan, caso ele esteja porventura visitando este wesite e lendo esta matéria (hehehe): não adianta, viu? Você é um bom ator, um sujeito engraçado e eu morro de rir só de lembrar de algumas das sensacionais piadas de O Matador, que ainda é seu melhor trabalho em minha opinião. Mas devo confessar que olho para a sua cara e só consigo ver… James Bond. Pior aqui, que é o 007 arrepiando na cabeça do Leônidas. Putz!
Comentários
Já são 18 sobre esse post -- até agora
Deixe o seu comentário!
Mas, por favor, que seja útil! =D
ANTES DE POSTAR, LEIA COM ATENÇÃO!
Comentários que contenham palavrões gratuitos ou desnecessários, ofensas, textos totalmente em caixa-alta, miguxês e/ou comentários que não tenham relação com o assunto tratado no post (off-topic) podem ser deletados sem nenhum aviso e o autor proibido de postar outros comentários. Bom-senso e educação às vezes fazem bem. Lembre-se: este não é um espaço democrático, com liberdade total de expressão. É apenas um espaço para que se discuta sobre o assunto tratado no post -- não sobre o site em geral, quem, onde, quando, por que escreveu e etcetera. Quer falar alguma outra coisa, tem alguma dúvida? Leia o nosso FAQ ou mande um e-mail e não atrapalhe a galera! =] Os campos com * são obrigatórios, mas seu e-mail não será mostrado, pode ficar tranqüilo. Se quiser um avatar, click aqui!
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||