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Thursday, 15 de May de 2008 | Atualizado em 15.05.08 às 21h00 Efeito DominóRoteiro preguiçoso transforma enredo com potencial em um filmeco batido…
Bem, conhecendo um pouco da escola - Jason-Statham - de - interpretação (!), já dá pra ter uma idéia do que esperar de Efeito Dominó, certo? Mais ou menos. O que acontece é que “Efeito Dominó” (um excelente título nacional, por sinal), baseado em uma intrigante história real ocorrida nos anos 70 e supostamente escondida a sete chaves pelas autoridades britânicas durante 30 e poucos anos, tenta passar longe da excentricidade, da fantasia e do humor de fitas como o próprio “Adrenalina”, e ganha vários pontos por isto. Este fator chega até a causar certa estranheza no espectador desavisado que correrá ao cinema na esperança de encontrar um pega-pra-capá do mais puro nível B. O grande problema desta produção é o tratamento dado pelo roteiro desenvolvido a quatro mãos pelos veteranos Dick Clement e Ian La Frenais. A dupla, responsável tanto por trabalhos geniais como Os Commitments, Ainda Muito Loucos e Por Água Abaixo quanto por troços horrorosos como Across The Universe e Excesso de Bagagem, parece não se esforçar o bastante e usa e abusa sem dó de todos os 752 clichês do gênero, o que deixa a fita com aquele gostinho de “putz, já cansei de ver isso aí antes”. Sério, é possível adivinhar todo e qualquer passo do roteiro com antecedência. Soma-se a isto a direção burocrática de Roger Donaldson (o mesmo de Sem Saída)… E olha que a trama até tinha potencial, viu? Embora a sinopse oficial revele superficialmente uma história do tipo “criminosos carismáticos realizam um grande e inacreditável roubo”, bem aos moldes dos milhares de Onze Homens e um Segredo da vida, a primeira seqüência já entrega que o buraco é mais embaixo. Logo, temos Terry Leather (Jason Statham), sujeito boa-praça com um passado misterioso e muitas dívidas que, em 1971, recebe uma proposta da enigmática tetéia Martine Love (Safron Burrows): liderar um ousado assalto a um banco londrino recheado de dinheiro e jóias. A segurança do plano e o fácil acesso ao cofre – o banco passará dois dias sem alarmes devido a um esquema de manutenção – tornam a oferta irrecusável. Assim, Terry recruta um pequeno grupo de confiança e manda bala. O que Terry não sabe é que Martine tem outro interesse no roubo. Na verdade, a sujeita é mero pau-mandado de um grupo de homens poderosos interessados no conteúdo de uma das caixas que está no cofre; conteúdo este que revela a ligação (e que ligação, hehehe!) entre um membro da Família Real Britânica e um genocida de esquerda auto-intitulado Michael X (Peter De Jersey). O perigo de este material cair em mãos erradas é tão inimaginável que a turminha de Terry nem faz idéia de que o assalto não só é de conhecimento do MI5 como também é supervisionado pelos mesmos – e como se sabe que esse tipo de gente costuma simplesmente “eliminar evidências” assim que seus planos são concluídos… Este é, sem dúvidas, o menor dos problemas para o bando – por um enorme azar, o tal banco assaltado parece ser o preferido dos bandidos, chantagistas e assassinos da cidade (!?). Ou seja, as caixas roubadas no cofre contêm outras podreiras de gente bem mais perigosa que os caras do Serviço Secreto. Documentos que revelam a corrupção de policiais da Scotland Yard, fotos de figurões sendo sodomizados por “mocinhas da Casa da Luz Vermelha”, coisas assim… tudo muito leve, inocente e angelical, como se pode perceber (!). Sabendo que os assaltantes têm em mãos material suficiente para virar a Inglaterra de cabeça pra baixo, alguém aí duvida que mais ou menos metade do lado escuro do país transformará a equipe de Terry Leather em alvo? Trama bacana, não? Pois é. Pena que o resultado final é bastante prejudicado pela insistência do roteiro em desgastar os clichês que infestam o gênero policial. Os vilões, por exemplo, são extremamente caricatos e comportam-se como se fossem encarnações do Anticristo (!), em especial o exageradíssimo Michael X. Já os “mocinhos” (no caso, os assaltantes) são tão simpáticos que o espectador até esquece que eles estão, de fato, COMETENDO UM CRIME. Só faltou o George Clooney aparecer no cantinho da tela, fazendo biquinho e sugerindo um novo golpe no cassino mais próximo… Isto, sem contar que você já sabe quem morre, quem se dá bem e quem vai “tomar na lomba” com 20 minutos de projeção. E sem contar a estrutura narrativa da última meia hora de filme, exatamente idêntica a todos os longas que retratam pessoas inocentes acusadas de crimes que não cometeram. E sem contar as poucas mas forçadíssimas seqüências de pancadaria-ninja a la “Carga Explosiva”, que não fazem o menor sentido nesta história mas precisam estar lá porque, afinal, o astro da película é Jason Statham. É tal qual os filmes do Jack Black, que SEMPRE precisam ter uma cena perdida em que ele aparece cantando. Pô, não precisava disso! Entretanto, seria exagero dizer que “Efeito Dominó” é um filmeco somente pelo número elevado de clichês por metro quadrado. Há vários bons momentos que justificam uma visita – a execução do assalto, por exemplo, é simples, mas muito bem bolada; as seqüências da ambulância na porta do banco e do “quase flagrante” quase fazem o espectador prender a respiração; e os personagens que compõem o bando são extremamente carismáticos (à exceção de um deles, o chatíssimo Dave, vivido por Daniel Mays). E a trilha sonora, que reúne faixas clássicas de ótimas bandas como T.Rex e The Kinks, são um atrativo à parte. Só o que é de se lamentar em “Efeito Dominó” é que, dada a importância dos acontecimentos, este capítulo negro na história recente da Inglaterra merecia um retrato mais contundente e original. O que poderia ser um filme obrigatório tornou-se apenas mais uma fitinha policial similar a tantas que caem direto nas prateleiras das videolocadoras – e como “Efeito Dominó” se leva a sério demais, nem dá pra se divertir com o bom e velho Jason Statham que conhecemos de tosqueiras como “Adrenalina”. Que Indiana Jones o quê, eu tenho saudade é do Chev Chelios!
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