Thursday, 15 de May de 2008 | Atualizado em 15.05.08 às 21h00

Efeito Dominó


Roteiro preguiçoso transforma enredo com potencial em um filmeco batido…

Leandro "Zarko" Fernandes


Os fãs dos filmes de pancadaria B, com ou sem cérebro (os filmes, não os fãs, tá?) são unânimes em saudar aquele inglês careca e com cara de poucos amigos chamado Jason Statham como uma das grandes promessas do gênero. Descoberto por Guy Ritchie em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Statham logo caiu nas graças do público, que o coroou em longas hilários como Snatch e Carga Explosiva. Ah, e vai dizer que você não soltou umas boas gargalhadas com Adrenalina que, de tão tosco e tão ridículo, tornou-se disparado o filme mais legal de 2006? E olhe que nem me refiro “àquela” cena em que o indivíduo oferece uns afagos sinceros à gloriosa Amy Smart na frente de uma cacetada de gente… :-D

Bem, conhecendo um pouco da escola - Jason-Statham - de - interpretação (!), já dá pra ter uma idéia do que esperar de Efeito Dominó, certo?

Mais ou menos. O que acontece é que “Efeito Dominó” (um excelente título nacional, por sinal), baseado em uma intrigante história real ocorrida nos anos 70 e supostamente escondida a sete chaves pelas autoridades britânicas durante 30 e poucos anos, tenta passar longe da excentricidade, da fantasia e do humor de fitas como o próprio “Adrenalina”, e ganha vários pontos por isto. Este fator chega até a causar certa estranheza no espectador desavisado que correrá ao cinema na esperança de encontrar um pega-pra-capá do mais puro nível B.

O grande problema desta produção é o tratamento dado pelo roteiro desenvolvido a quatro mãos pelos veteranos Dick Clement e Ian La Frenais. A dupla, responsável tanto por trabalhos geniais como Os Commitments, Ainda Muito Loucos e Por Água Abaixo quanto por troços horrorosos como Across The Universe e Excesso de Bagagem, parece não se esforçar o bastante e usa e abusa sem dó de todos os 752 clichês do gênero, o que deixa a fita com aquele gostinho de “putz, já cansei de ver isso aí antes”. Sério, é possível adivinhar todo e qualquer passo do roteiro com antecedência. Soma-se a isto a direção burocrática de Roger Donaldson (o mesmo de Sem Saída)…

E olha que a trama até tinha potencial, viu? Embora a sinopse oficial revele superficialmente uma história do tipo “criminosos carismáticos realizam um grande e inacreditável roubo”, bem aos moldes dos milhares de Onze Homens e um Segredo da vida, a primeira seqüência já entrega que o buraco é mais embaixo. Logo, temos Terry Leather (Jason Statham), sujeito boa-praça com um passado misterioso e muitas dívidas que, em 1971, recebe uma proposta da enigmática tetéia Martine Love (Safron Burrows): liderar um ousado assalto a um banco londrino recheado de dinheiro e jóias. A segurança do plano e o fácil acesso ao cofre – o banco passará dois dias sem alarmes devido a um esquema de manutenção – tornam a oferta irrecusável. Assim, Terry recruta um pequeno grupo de confiança e manda bala.

O que Terry não sabe é que Martine tem outro interesse no roubo. Na verdade, a sujeita é mero pau-mandado de um grupo de homens poderosos interessados no conteúdo de uma das caixas que está no cofre; conteúdo este que revela a ligação (e que ligação, hehehe!) entre um membro da Família Real Britânica e um genocida de esquerda auto-intitulado Michael X (Peter De Jersey). O perigo de este material cair em mãos erradas é tão inimaginável que a turminha de Terry nem faz idéia de que o assalto não só é de conhecimento do MI5 como também é supervisionado pelos mesmos – e como se sabe que esse tipo de gente costuma simplesmente “eliminar evidências” assim que seus planos são concluídos…

Este é, sem dúvidas, o menor dos problemas para o bando – por um enorme azar, o tal banco assaltado parece ser o preferido dos bandidos, chantagistas e assassinos da cidade (!?). Ou seja, as caixas roubadas no cofre contêm outras podreiras de gente bem mais perigosa que os caras do Serviço Secreto. Documentos que revelam a corrupção de policiais da Scotland Yard, fotos de figurões sendo sodomizados por “mocinhas da Casa da Luz Vermelha”, coisas assim… tudo muito leve, inocente e angelical, como se pode perceber (!). Sabendo que os assaltantes têm em mãos material suficiente para virar a Inglaterra de cabeça pra baixo, alguém aí duvida que mais ou menos metade do lado escuro do país transformará a equipe de Terry Leather em alvo?

Trama bacana, não? Pois é. Pena que o resultado final é bastante prejudicado pela insistência do roteiro em desgastar os clichês que infestam o gênero policial. Os vilões, por exemplo, são extremamente caricatos e comportam-se como se fossem encarnações do Anticristo (!), em especial o exageradíssimo Michael X. Já os “mocinhos” (no caso, os assaltantes) são tão simpáticos que o espectador até esquece que eles estão, de fato, COMETENDO UM CRIME. Só faltou o George Clooney aparecer no cantinho da tela, fazendo biquinho e sugerindo um novo golpe no cassino mais próximo… :-P

Isto, sem contar que você já sabe quem morre, quem se dá bem e quem vai “tomar na lomba” com 20 minutos de projeção. E sem contar a estrutura narrativa da última meia hora de filme, exatamente idêntica a todos os longas que retratam pessoas inocentes acusadas de crimes que não cometeram. E sem contar as poucas mas forçadíssimas seqüências de pancadaria-ninja a la “Carga Explosiva”, que não fazem o menor sentido nesta história mas precisam estar lá porque, afinal, o astro da película é Jason Statham. É tal qual os filmes do Jack Black, que SEMPRE precisam ter uma cena perdida em que ele aparece cantando. Pô, não precisava disso! :-)

Entretanto, seria exagero dizer que “Efeito Dominó” é um filmeco somente pelo número elevado de clichês por metro quadrado. Há vários bons momentos que justificam uma visita – a execução do assalto, por exemplo, é simples, mas muito bem bolada; as seqüências da ambulância na porta do banco e do “quase flagrante” quase fazem o espectador prender a respiração; e os personagens que compõem o bando são extremamente carismáticos (à exceção de um deles, o chatíssimo Dave, vivido por Daniel Mays). E a trilha sonora, que reúne faixas clássicas de ótimas bandas como T.Rex e The Kinks, são um atrativo à parte.

Só o que é de se lamentar em “Efeito Dominó” é que, dada a importância dos acontecimentos, este capítulo negro na história recente da Inglaterra merecia um retrato mais contundente e original. O que poderia ser um filme obrigatório tornou-se apenas mais uma fitinha policial similar a tantas que caem direto nas prateleiras das videolocadoras – e como “Efeito Dominó” se leva a sério demais, nem dá pra se divertir com o bom e velho Jason Statham que conhecemos de tosqueiras como “Adrenalina”. Que Indiana Jones o quê, eu tenho saudade é do Chev Chelios! :-D

Efeito Dominó
(The Bank Job, Inglaterra, 2008)

Direção: Roger Donaldson

Roteiro: Dick Clement e Ian La Frenais

Elenco: Jason Statham, Safron Burrows, Stephen Campbell Moore, Daniel Mays, James Faulkner, Alki David, Michael Jibson

Site oficial: TheBankJobMovie.com

Nota do JUDÃO

[ratings]

Comentários
Já são 8 sobre esse post -- até agora

  Ricardo

Cara… Um blog dedicado ao corinthias feito pelo judao… tinha que ter um defeito (e que defeito!) este site… =~~

15 de May de 2008 às 23h01
  mlipo

eu durmi vendo esse filme! muito decepcionante!

16 de May de 2008 às 0h20
  ANON

Bom review! Concordo!

16 de May de 2008 às 3h07
  Boleta

eu demorei mais de meia hora pra entender o filme! e quando entedni o filme acaba!

põe aí uma nota 5!

e como é que não foram atrás d mulher dele!? o_O

16 de May de 2008 às 9h09
  RICARDO

Faltou por mais 3 estrelinhas nessa classificação hein? O filme é FODA! Um dos melhores do ano com certeza! Roteiro preguiçoso? Pelamor de deus… quanta besteira. Esse site ta caindo no meu conceito cada dia mais.

FILME FODA! NOTA 10!

18 de May de 2008 às 3h22
  Jota®

não assisti e bem provavel que eu vá assistir só em dvd…quando sair na locadora, lógeco ^^
mas valeu pelo toque…

20 de May de 2008 às 10h43
  Felipe

Ahh e bacaninha o filme.
Melhor que muito filme que foi lançado no cinemas ultimamente.

20 de May de 2008 às 17h47
  QUEIROZ

Os pontos fortes do filmes são o sotaque english, que te joga numa atmosfera diferente dos milhares de filmes yankes do gênero, e te desperta a curiosidade, de “nesse lugar nunca estive” “eles falam pub ao invés de bar”. O ritmo creio que é bom, não deixa a peteca cair. As atuações são muito boas, o filme não é aquela coisa, mas percebendo o qual talentosos são cada um dos integrantes do filme. As gostosas do filme. English Bitches, i,m like so much. Eu gostei. Se fosse Bruce Willis ou George Cloney no lugar do careca, lá aí ia ser mais do mesmo. Mas, o English Way of Live que marca o diferencial da pelicula.

20 de May de 2008 às 22h01
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