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Thursday, 22 de March de 2007 | Atualizado em 01.01.08 às 19h51
O cinema nacional começa a delinear novos caminhos
Parece que enfim, o cinema brasileiro abriu seus olhos e resolveu parar de produzir filmes sobre a probreza e a violência, ambos com uma boa carga de glamorização. Haja visto Central do Brasil, Carandiru e Cidade de Deus — excelentes filmes, mas todos com esse mesmo tipo de apelo.
Eis que, em Árido Movie, também estrelado por Selton Mello, abre-se um novo caminho e vemos um filme que nada tem a ver com esse lance de “ode à pobreza e à violência”. E com O Cheiro do Ralo é a mesma coisa. É impossível não perceber a crítica moral e social que há no roteiro, mas de uma maneira muito diferente de tudo que já se viu.

Partimos de Lourenço (Selton Mello), um homem infeliz, amargo, solitário, ressentido, que é dono de uma loja que compra objetos usados. Aos poucos ele vai desenvolvendo um jogo com seus clientes, trocando a frieza pelo prazer que sente ao explorá-los, já que sempre estão em sérias dificuldades financeiras. Os preços são sempre negociados muito mais pelo juízo de valor de Lourenço, do que pelo que o objeto em si vale. Lourenço é o único personagem do filme que tem nome próprio, e chama a todos os outros por substantivos comuns, o que mostra a indiferença que ele sente pelos outros. A partir de então ele passa a ver as pessoas como se estivessem a venda e achar que cada uma delas tem um preço. Esse é, de longe, o personagem mais maduro e complexo que Selton Mello já interpretou e, como era de se esperar, saiu muito bem nessa empreitada.
No começo ele se incomoda muito com o permanente e fedorento cheiro do ralo que existe no banheiro de seu escritório, e mais ainda com o fato de as pessoas pensarem que o odor vinha dele, o que lhe levava a explicar a todos que o cheiro era do encanamento. Depois de um de seus clientes dizer que o cheiro vem dele, uma vez que apenas ele usa aquele banheiro e que toda a merda contida ali vem de dentro dele, pouco a pouco, Lourenço começa a ter uma relação diferente com aquele odor, que acaba tornando-se um vício, do qual ele não consegue mais viver sem e a partir do qual ele passa a conduzir toda a sua vida, e onde faz questão de estar nos seus últimos instantes.

Com um elenco numeroso e de peso, seria difícil um projeto desses não dar certo. O filme conta com nomes como Flávio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Fabiana Guglielmetti, André Frateschi (que fazia o namoradinho corno da Grazi na novela), Silvia Lourenço, Paula Braun, Martha Neola, Milhem Cortaz, Suzana Alves, a voz do Paulo César Peréio, além do Tobias da Vai-Vai e do próprio autor do livro, Lourenço Mutarelli e por aí vai. Todos eles trabalharam de graça no início, no filma que teve um orçamento de pífios R$300.000.
Foi uma tacada de mestre do diretor, Heitor Dhalia, que conseguiu unir um bom roteiro com um excelente elenco e à partir disso trazer uma reflexão sobre como a lógica do capitalismo (que nos faz escravos do dinheiro) acaba por nos transformar em pessoas frias e gananciosas.
O legal é que embora seja uma crítica social, o filme também é uma comédia repleta de humor-negro e de tudo aquilo que nós consideramos politicamente incorreto. E por tudo isso não resta nem dúvidas… É claro que Judão RECOMENDA!, pode ir com gosto, porque você não vai se arrepender.
Comentários
Já são 28 sobre esse post -- até agora
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Guilherme
Eu tava ouvindo o Selton Melo falando sobre esse filme no Pânico.
Junta 300 mangos pra fazer um filme sem retorno nenhum de inÃcio é foda. =D
22 de March de 2007 às 19h57
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Ricardo
Eu só não entendi onde o filme perdeu dois asteriscos, se foi tão elogiado na crÃtica.
22 de March de 2007 às 20h44
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Rock
Brasil, ou voce mete as caras ou não faz nada.
Apoio 0.
22 de March de 2007 às 20h46
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Breno Burrego
Po, esse deve ser realmente incrÃvel.
Também não há como eu me decepcionar, sendo que é obra do Mutarelli =D
Irei ver depois de 300…
22 de March de 2007 às 21h31
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Tayra
Não é nem que perdeu, é que não ganhou… Não sei explicar, mas o fato é que eu achei o filme muito bom, porém, não achei perfeito, a ponto de faler os oito asteriscos. É apenas uma questão de gosto, mas os cenários eu achei muito pobrinhos (tudo bem que o orçamento era mÃnimo), e o apartamento do Lourenço, por exemplo, não condizia com o dinheiro que ele ganhava e nem mesmo com o valor que ele dava para o dinheiro e para as coisas materiais. São detalhes… Mas pode ver o filme, porque essas coisinhas não passam nem perto de estragar a trama toda. =D
22 de March de 2007 às 21h31
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Marcos
Suzana Alves!
Da última vez que eu a vi “atuando”, ela ficava peladona. Será que isso se repete???
22 de March de 2007 às 21h56
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koveiro
22 de March de 2007 às 22h21
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Ashes
Após Carlota Joaquina de Carla Camuratti realmente o Brasil começou a reiventar seu cinema. Embrafilmes foi pro saco no governo Collor …Aquela carinha de Brasil pobre ao melhor estilo Cinema Novo foi ficando de lado !!! Parabens aos realizadores que estao idealizando novos horizontes em nosso cinema.
22 de March de 2007 às 22h40
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Mainai
de quem e aquela bunda, e q bunda ali em cima?
seria da susana tiazinha alves?
hehe tb quero saber se tem ela pelada no filme…
22 de March de 2007 às 23h14
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Matheus F.
Vi uns comentários e algumas entrevistas sobre esse filme hoje.
Achei assaz interessante.
23 de March de 2007 às 1h21
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Allan
Merda, isso não vai passar aqui em Fortaleza -.-
23 de March de 2007 às 1h47
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eL_
jah tinha lido sobre… parece ser bom mesmo. alias eu acabei de ver 300 ake em casa (baxei da net em qualidade dvd =x) eh mtttttttttttttttttttttt foda recomendo a todos =D
23 de March de 2007 às 2h25
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Jorge Wagner
E a trama dele se apaixonar pela bunda da mulher? Todo mundo tava falando disso. É uma parte pequena do filme, é pouca coisa?
23 de March de 2007 às 8h04
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Tayra
A bunda é da Paula Braun. E não é pouca coisa não… Mas não é nem que ele se apaixona pela bunda, o lance todo está mais ligado ao lance de ele “coisificar” as pessoas e dar nomes de subtantivos comuns a ela. No caso a garçonete do boteco que ele come fica sendo “A Bunda”, e ele fica de certa maneira obcecado, querendo apenas aquela parte do corpo, botar preço, etc. etc. etc. =D
23 de March de 2007 às 9h05
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Mariones
Eu aguardo o filme ancioso….parece bom….
23 de March de 2007 às 10h58
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Fernando Correia
crÃtica massa, Tayra. Já tava com vontade de ver o filme há uma cara, agora tô mais ainda. Só acho difÃcil ele estrear em outro circuito se não o Rio-São Paulo.
23 de March de 2007 às 12h52
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Bilu
finalmente alguém acordou e fez um filme que não fala sobre nada, não diz nada, não acontece nada ou seja, é o retrato de várias pessoas no mundo.
tá começando …
23 de March de 2007 às 12h54
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Marcccos
O MAIS IMPORTANTE:
TEM MULHER PELADA OU NÃO?
23 de March de 2007 às 13h03
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Ricardo
Ah, bom, então assim sim, Tayra (sim, foi de propósito)
Verei o filme quando ele chegar ao Recife. Por volta de outubro… ai ai.
23 de March de 2007 às 15h15
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Nat
To doida pra ver esse filme!!! A-M-O filmes nacionais!!!
23 de March de 2007 às 15h36
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Shu-Pa Ky
O Selton e o irmão são bons bagarái. E eu já tinha lido o livro, tinha tudo pra ser filme bom.
23 de March de 2007 às 17h19
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Ajax
O filme é foda! eu vi na mostra, foi um dos melhores filmes que eu vi ano passado! Virei fã do Heitor Dalia!!
e tem mulher pelada sim!!
24 de March de 2007 às 1h42
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JUDÃO » ENTREVISTA: Selton Mello fala sobre O Cheiro do Ralo!
[...] Vocês já conferiram aqui no Judão que nós achamos O Cheiro do Ralo — um filme assaz e que todo mundo deveria dar uma conferida. [...]
26 de March de 2007 às 14h51
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L-Tôs@
Selton Mello sim ,sempre me pareceu um ator RÓLY UDIANU , muito mais que o proprio SANTORO!
Mas lá fora , como aqui , como na smorfelandia o que conta msm são rosto bonito, barriga tankéx e ar de safado latino… e de longe o mellado Selton , não tem tais caracteristicas….
Mas vencerá pelo talento nato !!!
Nada contra SanXERXES …. mas…….
Cheiro do ralo total…. na fungada profunda !
26 de March de 2007 às 15h41
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selu
daora as mulheres gostosas q vc pode contracena
…nao existe coisa melhor nesse mundo
8 de April de 2007 às 4h07
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JUDÃO » Lost Zweig
[...] Na resenha de O Cheiro do Ralo eu comentei que fico muito feliz de ver o Cinema Brasileiro tomar outros rumos que não sejam falar de nossa história ou glamourizar a pobreza e os conflitos sociais. Lost Zweig se encaixa e ao mesmo tempo não se encaixa nessa abertura de leque. [...]
4 de May de 2007 às 19h49
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Marcos
Só vi o filme agora. =P
E é ducaralho mesmo!
3 de June de 2007 às 1h48
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Lieutenant
12 de January de 2008 às 17h04
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