Friday, 26 de September de 2008 | Atualizado em 26.09.08 às 6h32

Controle Absoluto


Shia LaBeuof sai correndo, escapa do FBI e corre mais ainda em thriller paranóico e alucinante dirigo por DJ Caruso. Mas nada disso importa, afinal, tem Rosario Dawson como investigadora da Força Aérea!

Barretão
De Los Angeles, EUA

Desligue o celular, não use e-mails e nem pense em usar sinais de fumaça! Tudo, absolutamente tudo que é meio de comunicação acaba indo parar numa sala dentro do Pentágono e, de lá, o exército pode fazer qualquer coisa com você. E, acredite, nenhuma delas é boa, especialmente se o computador maluco que funciona lá dentro resolver transformar sua vida num inferninho. Azar do Shia LaBeouf – também conhecido como aVaca ou oBife, pela tradução do francês – que corre o tempo todo e nem teve a honra de contracenar com a Rosario Dawson (chupa Shia!). Controle Absoluto traz conceitos bem recorrentes quando se fala em ficção científica e espionagem, mas tem suas surpresas e evoluções dentro do gênero.

A essa altura do campeonato, todo mundo já viu o trailer. Shia LaBeouf recebe uma ligação e uma voz de mulher manda ele fugir. Ele não foge e é preso, depois ela dá um jeitinho e manda ele fugir de novo. Daí para a frente a casa literalmente cai em Controle Absoluto, que tem uma seqüência de perseguição com gente correndo, carros e explosões até dizer chega e dura quase 12 minutos. DJ Caruso não reclamou para dirigir essa perseguição, afinal, ele é fã confesso de Operação França e resolveu dar sua contribuição para os grandes pegas do cinema. E é de tirar o fôlego.

Diferente dos demais filmes de Hollywood, a ação de Controle Absoluto não se resume a apenas uma grande abertura. As perseguições seguem ao longo de todo filme. O ritmo pode diminuir, afinal os personagens precisam de tempo para se conhecer e um pouco de diálogo sempre ajuda, mas eles sempre fogem. De quem? A resposta vem logo. Um computador sabichão do Pentágono resolveu realizar mudar algumas coisas nos Estados Unidos.

Mas não pense que se trata de uma mera reedição da Skynet, uma versão mais nova da Vicky, de Eu, Robô ou uma prima distante de Hal 9000, o psicopata cibernético mais famoso do cinema. Essa inteligência artificial não prega a destruição global ou quer mandar no mundo. Na verdade, ela pretende fazer o que ninguém tem peito. Mudar, radicalmente, o cenário mundial em prol da paz e de acordo com seu programa. Claro, para isso um monte de gente morre e é ameaçada, mas, como todo bom thriller pede, os fins justificam os meios em Controle Absoluto, cujo original é Eagle Eye. Embora o termo seja Olhos de Ãguia, durante o PoOOoOooODCAST! do Judão, ficou definido que o nome aqui vai ser Ãguia Olho.

O legal de Controle Absoluto, ou Ãguia Olho – na Alemanha ficou “Sem Controle”, super a ver! – é que a perseguição não para e ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. E esse é o grande trunfo da história, manter a tensão e fugir daquela necessidade de se ter o twist obrigatório no final do filme. Eles dizem que estão aterrorizando os personagens logo de cara, então ninguém perde tempo tentando descobrir se é o Ruivo Hering ou um computador maluco no porão do Pentágono. É claro que foi o Ruivo Hering… Ou não. =D

Claramente fruto da nova onda de filmes a là Jason Bourne e com todo o dinheiro de Steven Spielberg, Controle Absoluto pode tocar em política, tecnologia e mandar um belo recado subliminar ao povo yankee no ano de eleição: “Ô Casa Branca, tome cuidado com quem vocês decidem mandar pelos ares no Oriente Médio, o povo pode não gostar!” O filme prega que o interesse e a liberdade do povo devem superar qualquer outra agenda política ou econômica, coisa que o presidente fictício da obra não concorda.

Um dos pontos interessantes do filme é o uso da tecnologia. Caso tivesse sido feito há 20 anos, poderia ser facilmente considerado ficção científica com a exploração de diversos elementos capazes de monitorar as pessoas 24 horas por dia, em qualquer ponto do mundo e a grande questão: para onde vai toda essa informação? A PF brasileira mostra que falar no telefone celular não representa nenhum sigilo e, arbitrariamente, eles escutam quem bem entendem. Agora imaginem os efeitos de uma superescuta em escala global? Muito além da pregação de George Orwell, a liberdade não existe e nada é secreto, afinal, nossa sociedade se tornou tão dependente de celulares, computadores, iPhones e outros cacarecos que o governo nem precisa fazer nada para “forçar” o monitoramento. É só bisbilhotar a vida de todo mundo.

Por conta de tudo isso, Eagle Eye é muito mais uma ficção tecnológica que científica. Tudo que aparece no roteiro e é usado pelo Pentágono e pelos personagens é factual e está em uso em algum canto do mundo; as armas usadas pelo computador também e ver um Reaper voando e mandando bala no meio da cidade é demais!

No meio de tudo isso está Rosario Dawson, que abriu mão do papel de Miri em Zack and Miri Make a Porno, de Kevin Smith, para se dedicar a um papel mais sério em Controle Absoluto. Ela vive uma investigadora da Força Aérea que precisa descobrir qual a conexão do personagem de Shia LaBeouf com seu irmão gêmeo, que trabalhava para os militares até ser morto num acidente de trânsito. Ou melhor, “acidentaram” ele. Rosario está séria e efetiva, mas num papel discreto perto do que Shia e Michelle Monaghan fazem durante o longa. Ela faz boa dupla com Michael Chiklis, da série The Shield e também o Coisa, de Quarteto Fantástico. Ele vive o Secretário de Defesa dos Estados Unidos e representa as pessoas com bom senso no alto comando da Casa Branca.

A escolha desse papel por Rosario – que eu entrevistei com a maior felicidade do mundo – tem a ver com sua postura política nesse ano. Embora Chiklis tenha brincado com o “Rosario para Presidente”, ela segue firme numa linha de ação que deve lhe levar à cena política em pouco tempo. E ela é esperta, pois militou nas duas convenções partidárias de 2008. E, não, ela não está jogando dos dois lados. Na verdade, ela faz campanha para que a população latina se registre para votar e tome consciência política. Claro que na hora que esse pessoal começar a votar em peso, ela vai ser a liderança natural! Meio uma versão feminina de Matthew Santos, de The West Wing.

Aliás, acho que é mais fácil ela ser Presidente do que toda a parafernália que o filme juntou para criar o maior sistema de espionagem e concentração de informação do mundo. Tudo é possível, mas improvável. Ou não? Afinal, alguém pode estar lendo isso e é melhor eu me comportar! Deixa pro Billy Bob Thornton falar que tudo isso dá medo e que as teorias da conspiração são verdadeiras! Como mero judônico, me limito a recomendar o filme e dar uma nota 6,9 (de OOOOITÔ!) em homenagem à Rosario!

Controle Absoluto
(Eagle Eye, EUA 2008)

Direção: D.J. Caruso

Roteiro: Dan McDermott, Hillary Seitz

Elenco: Shia LaBeouf, Michellle Monaghan, Rosario Dawson, Billy Bob Thornton, Michael Chiklis, Anthony Azizi, Anthony Mackie, Lynn Cohen

Comentários
Já são 11 sobre esse post -- até agora

  césar pereira

Me parece que o pessoal gosta de colocar o Shia La Beouf para atuar em filmes ”inspirados” em obras do Hitchcock.

Disturbia é chupado de Janela Indiscreta e esse aí tá me lembrando From North to Northwest (Intriga Internacional).

26 de September de 2008 às 7h11
  césar pereira

errata: North by Northwest

26 de September de 2008 às 7h13
  Quem se importa?

não foi a PF e sim a ABIN

26 de September de 2008 às 7h39
  Danm it !!

Ta parecendo refilmagem do “Inimigo de Estado” com o Will Smith e o Gene Hackman.

26 de September de 2008 às 10h08
  Fabio M. Braga

FÃBIO, valeu pela crítica!
Gostei bastante de DISTURBIA, que realmente é “chupado” de REAR WINDOW.
NORTH BY NORTHWEST também é legal, mas prefiro o primeiro.
De qualquer forma, aprovei o trailer, os comentários do meu xará e conferirei ainda nesse final de semana.
Saudações,

26 de September de 2008 às 10h39
  Thais

Nossa…Ruivo Hering…tô me rachando aqui!!!

26 de September de 2008 às 23h04
  Miyuki

vi o filme hoje a tarde… hum… achei meio fraco, cheio de furos no roteiro, pqp -___- mas deu pra divertir

28 de September de 2008 às 22h54
  Lonewolf

que filme fraco

1 de October de 2008 às 16h23
  breno

o filme eh divertidinho… se nao fosse a historia, as falas, o roteiro… ops… quero dizer…. as explosoes sao divertidinhas… mto divertidinhas…

1 de October de 2008 às 22h47
  Rafael Trovão

Caraca Barretão! Ainda bem que eu assisti ao filme antes de ler essa crítica. Você joga spoiler pra tudo que é lado sem dé nem piedade e sem avisar!

2 de October de 2008 às 22h22
  Arcanjo[sk]

Achei legal e tal, mas não curti mtas coisas. Roteiro todo furado. Para um computador super-inteligente ele foi vencido de maneira bem estúpida. Eles não souberam amarrar o roteiro que tinha. Eles colocaram a idéia de um computador super-inteligente mas esqueceram dos problemas que isso implica. Como vc “alguém” tão inteligente.

No fim, temos um filme legal com boa ação, mas roteiro furado. Fala sério, a primeia coisa seria ter feito um Backup de toda a sua memória. Ele tentando matar o muleke foi tosco, era mto mais fácill. Praq tacar míssil se vc pode tacar o próprio avião? Isso sem dizer a facilidade em contratar um assassino pra isso. E depois, na hora do “atentado” lá pro final, cadê as cartas na manga? Uma pessoa tão inteligente teria não apenas uma, mas umas dezenas de cartas na manga pra caso uma delas desse errado. Filme todo furado e com fim clichê.

14 de October de 2008 às 15h19
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