Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007 | Atualizado em 18.01.07 às 18h43

Babel


Preconceitos, idiomas e vidas diferentes.

Tayra Vasconcelos

Não é novidade pra nenhum leitor do Judão que eu adoro filmes que envolvam questões políticas. Portanto, é meio óbvio que eu adorei Babel. Mas, eu vou expôr os meus motivos.

O filme conta quatro histórias paralelas, ambientadas em quatro países, e que, por conta de um rifle e um suposto atentado terrorista, vão se entrelaçar. O casal de estadunidenses Laura (Cate Blanchett) e Richard (Brad Pitt) viaja em férias para o Marrocos, onde a tragédia atingirá o já problemático relacionamento. O ônibus de turismo passa por uma vila nas montanhas quando eles ouvem um tiro de rifle, que acaba acertando Laura.

Enquanto isso, na Califórnia, um casal de crianças está sob os cuidados da babá Amélia (Adriana Barraza). Quando ela viaja ao México com seu sobrinho Santiago (Gael García Bernal) para o casamento do filho, leva ilegalmente as crianças consigo. Em Tóquio, um pai viúvo esforça-se para entender sua filha adolescente surda-muda (Rinko Kikuchi), que passa por um período de transformações emocionais e sexuais.


babel02.jpg

Com a maneira como a história é picotada, a la Dan Brown, você vai ficando totalmente angustiado, querendo saber com o que está acontecendo com os outros personagens da história. É interessante notar como é colocado o lance da desigualdade social, pois o filme mostra que a pobreza, a falta de recursos e a miséria dos outros, não nos incomodam, a não ser que chegue a um ponto que ela nos afeta diretamente.

Podemos ver, nitidamente, o abismo que há entre o nosso mundo, e o mundo de uma criança marroquina, ou mesmo de uma adolescente japonesa, ou de jovens mexicanos. São coisas tão distintas do nosso cotidiando que a gente fica abismado de ver que essas tantas realidades convivem “harmoniosamente” numa mesma época. Afinal de contas, se pararmos para refletir, as aldeias marroquinas levam uma vida similar à  que os ocidentais levavam a cerca de 1000 anos.

O máximo de modernidade que nos é mostrado é o uso do rifle, para espantar chacais do rebanho. É curioso ver como um simples acidente (incidente, talvez) — que era pra ser apenas uma brincadeira de criança, que é inconseqüente por natureza — acaba tomando proporções monstruosas, a ponto de virar um problema diplomático entre os Estados Unidos e Marrocos, envolvendo até mesmo o Japão. Para o Tio Sam, qualquer cusparada que se dirija aos seus cidadãos já é tida como ataque terrorista, ainda mais se for em terras de “árabes”. Eles têm preconceito com tudo venha de fora. Seja com os marroquinos, seja com os mexicanos.

Passando por todos esses conflitos diplomáticos, temos uma adolescente, com todas as neuras e problemas já habituais da idade, porém com dois traumas extras: uma mãe recém-suicidada e a sua deficiência, o que a torna um E.T. no meio dos outros e acaba dificultando muito a sua comunicação com o grupo (e conseqüentemente, os seus relacionamentos).


babel03.jpg

O filme te deixa apreensivo o tempo todo, adrenalina a mil, coração apertadinho de tanto desespero. Mas, sem dúvida nenhuma é incrível. Excelente para nos fazer refletir sobre a imagem pré-concebida que temos um do outro.

Para o filme ser perfeito, só faltou ser um pouco mais curto, ou quem sabe ter uma edição mais leve. Porque o filme não é longo, mas você sai de lá com a sensação de que ficou horas e horas no cinema. No final das contas, Judão RECOMENDA! bastante. Mas já se prepare pra sair do cinema com o coração apertado.

Comentários
Já são 37 sobre esse post -- até agora

  buh

quantos asteriscos?? =/

18 de Janeiro de 2007 às 19h12
  Guima

Pelo que eu entendi é mais ou menos como o Jardineiro Fiel…? Eu vou ver. Fato.

18 de Janeiro de 2007 às 19h12
  Guima

É verdade! Qtos asteriscos?

18 de Janeiro de 2007 às 19h13
  Alexandre Ribeiro

eu quero ver qts estrelas fez esse filme!
9 de 10?
8 de 10?
10 de 10?

18 de Janeiro de 2007 às 19h21
  Vitor

Cade os negócinhos redondos (o.O) que vcs usavam para dar nota para os filmes???

18 de Janeiro de 2007 às 19h26
  Pavezi

E o nome orignal do filme em ingrêis? Pra mode eu baixar ;D

Eu sei que eu poderia procurar no Google (aliás é o que eu vou fazer em meio minuto), mãs era bem mais fácil ler se o Judão recomenda ou não e já ir direto baixar…Enfim, vcs entenderam.

AbraSSo!

18 de Janeiro de 2007 às 22h03
  Pavezi

Era Babel messs … =D Valeu, Goo!

18 de Janeiro de 2007 às 22h06
  Gustavo

podemos comentar agora aqui?? oooba!! =D

Então…achei apenas razoável o filme.Ele tem situações dramaticamente forçadas demais e não mostra nada que a gente já não tenha visto…mas o elenco tava inspirado (principalmente a japonesinha Rinku Kikuchi). nota 6.

Abs!!

18 de Janeiro de 2007 às 22h06
  val

quantos asteriscos? [3]

18 de Janeiro de 2007 às 22h47
  Marcellus Martins

O filme tem tudo isso que a Tayra falou, porém é um pé no saco!
Tem vez que vc fica querendo saber o que aconteceu e pans, como no caso dos meninos no deserto… mas a parte da surda-muda é horrível, uma desgraça pra assistir, sem graça, sem sal nem açúcar!
Não gostei da trilha sonora tb, sei lá… esquisita…
O filme é ‘assistível’ pra quem não tem problema com depressão, senão é um pulo pra ficar doente…
Se vc não gosta de filmes ‘cult’ é melhor nem assistir…
=)

18 de Janeiro de 2007 às 23h19
  viNi!

asteriscos ??

18 de Janeiro de 2007 às 23h39
  Marcos

Po, tem que ter a nota. Mesmo que eu kuase nunca concorde com ela. o.0

19 de Janeiro de 2007 às 0h42
  Allan

Amanha tô no cinema!!! =D

19 de Janeiro de 2007 às 0h52
  Rodolfo Conceição

Desde que vi o trailer pela primeira vez, já fiquei interessado no filme.
Agora é esperar pela estréia (ou já é hoje?).

19 de Janeiro de 2007 às 2h12
  fredone

Quantos asteriscos? =D

19 de Janeiro de 2007 às 3h00
  Ricardo

A nota era uma boa. Se vocês decidiram mudar e não colocar mais, na minha opinião isso é um erro… A avaliação por nota simplifica e dá uma visão geral da qualidade do filme, melhor do que apenas o veredicto “Judão recomenda” ou “Judão não recomenda”, se não teve nota realmente porque vocês resolveram mudar nesse aspecto, sugiro que vocês voltem ao esquema anterior. =D

19 de Janeiro de 2007 às 3h16
  Iuri

deve ser legal…
KD AS ********???

19 de Janeiro de 2007 às 3h16
  Ricardo

Cadê o resultado do Judão Tchananã Awards, hein? Eu dei uma de burraldo e não achei ou ainda não foi publicado?

19 de Janeiro de 2007 às 3h18
  Ricardo

Parece ser bom! Quero muito conferir. Pessoal, pq vcs nao borao mais as estrelinhas do lado. Eu achava muito bom :)

19 de Janeiro de 2007 às 5h37
  Bilu

cópia globalizada e amores brutos Que aíás é do mesmo direto com a diferença de ter sido produzido em óliude!
Amores Brutos é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito melhor!

19 de Janeiro de 2007 às 11h49
  Borbs

As notas vão voltar. Mas elas não significam absolutamente nada. Se é pra ter uma noção do filme, não é por nota ou por “judão recomenda”. É por absolutamente tudo o que é dito. Às vezes, um filme ganha 16*, mas não chega nem à metade de um filme que ganha 4… Vocês precisam parar de querer tudo “fácil”… =]

19 de Janeiro de 2007 às 11h56
  Ricardo

Mas por que dar nota 16 para um filme que não chega a metade de um que ganha 4???

19 de Janeiro de 2007 às 16h26
  Tiago

Esse filme está longe de ser um filme Cult!
Na minha opinião faltou muito para ser um filme perfeito! Faltou até para ser um bom filme!
Há partes sem sentido… A Mexicana achou que seria moleza entrar nos EUA com pirralhos americanos?! E o mané “dar linha na pipa” na fronteira, completamente bêbado, é mais sem noção ainda!

A história de menina surda-muda não tem relação nenhuma com o roteiro principal. A não ser o pai, mas ela em si não influencia em nada na história! Sua dificuldade em se socializarcom os demais deveria ser caso para outro filme!

E de longe não tem nada a ver com Jardineiro Fiel!

É isso!

Abs!

19 de Janeiro de 2007 às 21h48
  djaiiiiirrrrrrr

eu gostava muito mais da versão anterior do judão. tinhamos ********, tinhamos colunas que eu não sei que djabus fim levou (tomara que volte, principalmente o gostosas, arregua e o retruca). a uuuuuuuuuuuuunica coisa legalzuda mesmo essa aqui de poder comentar.

vao tomar no roiles!!!

20 de Janeiro de 2007 às 1h55
  Vinicius [CodenameV]

Crash 2?!?!?!?!?

20 de Janeiro de 2007 às 2h02
  Demente

Tb prefiro a versão anterior, foram mexer mo que tava queto podem entrar pelo cano.

20 de Janeiro de 2007 às 18h22
  Kid Oreia

Ai fiquei interessado em ver esse filme, depois que a tay escreveu ai, e do que eu li vai, tem cara de ser muito bom mesmo, já tenho o que fazer hoje a noite ? ? ?

20 de Janeiro de 2007 às 19h58
  Tiago

Mudanças sempre são desconfortáveis no início… E depois que se acostuma, voltar atrás nem pensar! rsrs

20 de Janeiro de 2007 às 21h33
  Luiz Nery

Tiago dos spoilers… se eu nao tivesse assistido o filme ainda ia ter fikado mto mto puto com vc…

Quanto ao filme - O ponto principal do filme na minha opiniao (baseado nao soh no filme como tambem no nome BABEL - que vem da “Torre de Babel”) é o fato das diferenças e de comunicação intercultural… garotos gringos x mexicanos americanos x marroquinos casal x turistas menina surda x preconceito e dificuldades… e nao um filme linear como inumeros outros… entao o fato de haverem muitas historias paralelas e ao mesmo tempo congruentes de alguma forma pra mim uma forma muito mais ampla da atual “globalizacao” uma acao de um turista japones num momento afeta diretamente turistas americanos em outro momento que acaba afetando a vida de mexicanos num outro… “escancarando” a nossa interdependencia inconsciente…

uma direcao de fotografia maravilhosa (especialmente no marrocos) e de certa forma um thriller empolgante… ha muito tempo nao ficava tao ansioso no cinema…

eu soh sugiro q quem vá vá de cabeça aberta.

abracos

21 de Janeiro de 2007 às 3h08
  Luiz Nery

ah.. borbs… tem como colocar um sub-topico dentro de cinemas para criticas??

eu nao sei se mais gente tá tendo esse problema mas eu soh consigo ver criticas de filmes quando eles estao aparecendo nas “fotinhos” (ou da capa ou da pagina de cinema).

Na parte do sexta-feira no cinema só dá pra acessar os posteres dos filmes… acho que seria interessante ter um caminho mais facil pras criticas (que é o que mais me interessa na parte de cinema)…

abraco

21 de Janeiro de 2007 às 3h15
  Fernando

Eu sei q a nota não vale nada
mas, vá, é mto divertido ver as estrelinhas, sejam elas escassas ou ABSURDAMENTE abundantes

quero ver o filme, apesar de algumas opiniões contra aki nos coments

22 de Janeiro de 2007 às 7h06
  Malkavian

Tirando deja vu,esse é um filme que quero ver no cinema com certeza!

23 de Janeiro de 2007 às 1h49
  iabadabadu

A hsitoria da japonesa é totalmente forçada no filme se nao fosse por um simples detalhe nao ia ter nenhuma ligação com oresto. o inaritu devia ta com um grande desejo de bota essa historia pq a ligação dela com o resto eh completamente desnecessaria. ele tenta criar uma critica contra os eua q nao tem fundamento algum. OS EUA estao certos tanto em com o q fazem com a mexicana e quanto a sua atitude em relação a personagem da cate blanchet. Um filme bem feito mas em relação ao conteudo e a história bastante mediano.

23 de Janeiro de 2007 às 15h30
  Vinícius

Vale a pena ver o filme galera!

23 de Janeiro de 2007 às 17h32
  Gustavo Ribeiro

ah pare vai tayra. num queria dar uma de “ah sou totalmente ligada às questões políticas do mundo”. vá ver o filme de novo que você só falou merda!
por que não falou das ligações com amores brutos e 21 gramas, e nem o nome do diretor você cita nesta resenha!
se o pessoal das distribuidoras acessasse o judão, nunca mais vocês conseguiriam entrar como imprensa nas exibições…
Acorda pra vida!

23 de Janeiro de 2007 às 20h02
  Edu Lieuthier

Crash 2? Boa tentativa…mas o filme não empolga.

Prestei bastante atenção tentando me envolver com a história do filme e não consegui, de fato o problema da comunicação é intrigante diante da globalização, mas a proposta em si do filme eu achei fraca! To longe de ser um critico de cinema, tão pouco recomendar o que é certo ou errado na programação em cartaz, mas o filme não me atingiu, ainda bem que fui em dia que o filme era mais barato. Mas quero reiterar a minha posição de que a proposta do filme é fraca e tá longe anos luz de uma perfeição do cinema, crash foi bem mais objetivo na época e conseguiu atingir infinitamente vezes mais do que Babel.

24 de Janeiro de 2007 às 23h32
  Perciz

“adrenalina a mil, coração apertadinho de tanto desespero.” ????????

Credo Tayra!!! Ou o seu gosto e percepção de filme é realmente ruim, ou a sua vida é incrivelmente entediante.
Realmente o grande atrativo do filme é as diferenças sociais e culturais entre os países e ainda a grande nterpretação de “quase” todos os atores envolvidos, mas o filme em si é absolutante Xarope, pra não dizer outra coisa. Se assisti até o final porque eu estava curioso para ver como aquela merda acabava.

Mas como gosto é que nem **, só me basta rezar que não exista muitos produtores que compartilhem da sua opnião e coloquem no cinema mais filmes como esse.

Enfim… Tudo de bom!!!
Bye

3 de Maio de 2007 às 19h42
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