Monday, 26 de March de 2007 | Atualizado em 29.03.07 às 14h23

Especial 300: A Batalha das Termópilas


Se hoje conhecemos os 300 de Esparta é por conta dessa batalha!

Tayra Vasconcelos


No outono de 480 a.C, uma pequena aliança de Cidades-Estado Gregas, lideradas por Leônidas, Rei de Esparta, enfrentou as tropas de Xerxes, o Deus-Rei da Pérsia, na que ficou conhecida Batalha das Termópilas.

Termópilas (ΘεÏÂμοπύλαι, em Grego) significa “Portas Quentes”, e é o nome de um desfiladeiro na Grécia Continental, localizado na Fócia, na costa sul do Golfo de Lâmia. Esse nome se dá por conta de existir no interior do desfiladeiro duas fontes térmicas sulfurosas. Segundo o historiador Heródoto de Halicarnasso, o estreito era tão mínimo que podia passar apenas um carro por vez.

Desde o princípio, quando decidiu enfrentar os invasores, Leônidas estava ciente da imensa desproporção entre os seus exércitos e os de Xerxes. Enquanto o persa comandava cerca de 300 mil soldados, ele contava apenas com 7.000 homens, e desses, apenas 301 eram espartanos — que eram os 300 soldados da Guarda de Elite Espartana, além do próprio Leônidas.

Leônidas enfrentou um problema de ordem superior para conseguir travar a Batalha das Termópilas, porque os espartanos estavam festejando a Carnéia (que era um festival em honra ao deus Apolo) e, durante esses festivais, não se podia entrar em batalhas. Enquanto isso, o resto da Grécia estava no período dos Jogos Olímpicos que, do mesmo modo que a Carnéia, por motivos religiosos, o impedia de entrar em combate.

Por conta disso, Leônidas teve imensa dificuldade para conseguir guerreiros que estivessem dispostos a lutar contra os persas. Ele sabia que a maioria não iria desrespeitar as confraternizações — que obrigava que todos os combates cessassem momentaneamente — mas ao mesmo tempo, sabia que os persas não iriam esperar e, sendo assim, decidiu seguir apenas com ajuda da sua guarda pessoal de 300 homens. No caminho, Leônidas conseguiu reunir 7.000 guerreiros de povos e aldeias amigas para enfrentar os invasores de Xerxes.

Leônidas e sua tropa conseguiram repelir os ataques iniciais, matando cerca de 20 mil persas em três dias. Mas Xerxes, rei da Pérsia, foi auxiliado por um pastor local, Efialtes (que na história de Frank Miller é retratado como um espartano deformado que, ressentido por não ser aceito no exército de Leônidas, decide se unir ao invasor), que lhe conduziu por um caminho que contornava o desfiladeiro e cercou os gregos.

Leônidas ficou sabendo da traição de Efialtes antes da chegada dos persas e por conta disso reuniu a tropa e comunicou o acontecido, dizendo aos aliados que quem quisesse poderia desertar, uma vez que não tinham chance alguma de vencer. Os 300 espartanos responderam automaticamente: “Nós recebemos ordens de proteger essa passagem”. Porém, dos 7.000, aproximadamente 6.000 decidiram partir. Para os que ficaram, Leônidas bradou: “almocem comigo, pois hoje jantaremos no inferno”.

Restaram então os 300 espartanos e 700 voluntários de Léspia, que decidiram resistir até a morte. Segundo Pausânias, Xerxes ameaçou a insignificante defesa grega dizendo: “Minhas flechas serão tão numerosas que escurecerão a luz do Sol”. Leônidas retrucou: “Tanto melhor, combateremos à  sombra!”.

Então, com a morte mais do que certa e iminente, os espartanos se entregaram à  batalha com toda a sua força, garra e fúria. Afinal, de acordo com tudo aquilo que aprenderam e acreditavam, ou eles voltariam vitoriosos ou mortos. Cercado por seus inimigos, Leônidas recebeu uma ordem de Xerxes, para que os Espartanos entregassem suas armas, como sinal de sua rendição. Leônidas proferiu, então, sua célebre e derradeira frase: “Venham pegá-las”. Os espartanos foram massacrados sem piedade. Leônidas foi decaptado, tendo seu corpo crucificado e sua cabeça empalada. Essa batalha acabou convertendo-se em sinônimo de resistência heróica.

Hoje em dia, nas Termópilas, existe no local um monumento, inaugurado em 1955, dedicado ao rei Leônidas, em que, na inscrição, está a última frase de Leônidas.




Há também um outro monumento, em honra dos bravos 300 espartanos que acompanharam Leônidas até a morte. Nesse monumento há uma lápide com os dizeres: “Digam aos espartanos, estranhos que passam, que aqui, obedientes à s suas leis, jazemos”.

Comentários
Já são 8 sobre esse post -- até agora

  Tiago

Pelo que me lembro, no filme, Leônidas fala de “Comer o café da manhã e jantar no inferno.” Algo por ái…

E quem diz que as flechas irão escurecer o sol é um feioso que devia ser algum oficial do Xerxes… Também não é Leônidas quem diz de combater à sombra, e sim um de seus soldados! E isso não foi no último ataque Persa, que derrotou os Espartanos!

Bom, pelo menos no filme está assim…

26 de March de 2007 às 19h32
  Borbs

Tiago, o filme + quadrinhos são uma “adaptação livre”. =]

O filme é ainda mais, já que colocou várias frases famosas em contextos diferentes — por exemplo, quando a Gorgo diz ao mensageiro do Xerxes que as mulheres espartanas dão à luz a mulheres de verdade. Aquela frase realmente foi dita, mas foi pra uma outra moça, em uma situação um pouco mais tranqüila. =]

Por isso estamos aqui com esses artigos históricos, mostrando a parte “real” da história. =]
Lá no especial, dá uma lida no artigo FICÇÃO x REALIDADE, pra você entender um pouco o que é que o Frank Miller fez e qual foi o caminho do Zack Snyder. =]

26 de March de 2007 às 20h06
  vivi

eu sou apaixonada por história.
principalmente pelas guerras.
MUITO obrigada por esse especial, achei excelente a idéia de mostrar o que realmente aconteceu, comparar o que foi realidade e o que é ficção.
é definitivamente o melhor especial que vocês já fizeram.
conseguiu superar o do x-men 3, que, até então, era o meu preferido.
AAAAH! Eu PRECISO desse filme!

27 de March de 2007 às 11h41
  Tayra

Pois é… E eu que sempre duvidei do Borbs quando ele dizia que superestimava os leitores… Mesmo sendo formada em História, não sou dona da verdade, e ainda mais tratando-se de História Antiga, onde muita coisa foi passada adiante pela tradição oral (onde quem conta um conto aumenta um ponto) e há pouquíssimos registros feitos na época - nada disso é 100% comprovado, e pode muito bem haver várias outras versões do mesmo fato, mas daí o cara vir querer “corrigir” a História porque ele viu no filme e é assim… E depois ainda vai querer teimar que o Hércules é filho de Hera, só porque ele assistiu ao desenho da Disney e lá é assim… Ai, ai…

27 de March de 2007 às 22h31
  Pandão

Bom MUITO BOM.

Agora sobre Leonidas ter dito sobre a parte das flechas… não quero ser chato… mas ipor ser uma historia que foi passada por gerações oralmente, não se sabe se ele disse isso e se foi ele (alguma versões acusam outras pessoas)
Mas isso é apenas ser chato. Afinal o negocio aconteceu à 2500 anos atras!

Mas esse foi o artigo mais acurado que eu vi sobre as termopilas desde o lançamento do filme (e um bom tempo antes)

BOM.

28 de March de 2007 às 0h53
  Tayra

Foi extamente isso que eu quis dizer, Pandão… Do mesmo jeito que muitos indicam que a frase foi dita por Leônidas, pode muito bem ter sido dita por qualquer um, afinal, tradição oral é isso… Mas daí a vir e dizer “tá errado, porque no filme quem fala essa frase é o fulaninho” aí também já é demais… =D

29 de March de 2007 às 12h32
  JUDÃO » 300

[...] O filme 300 botou no liquidificador a graphic novel de Frank Miller, a real história da Batalha das Termópilas, um pouco de outras histórias e valores da sociedade espartana e uma pitada de licença poética. E o resultado foi simplesmente primoroso. Afinal de contas, até hoje, nunca vi nenhum filme que trate de um assunto histórico que não receba uma adaptação que leve um bom punhado de “romance” para fazer com que essa fique mais vistosa e interessante aos olhos do público, o que justifica inserções de frases de um autor na boca de outro, fatos ocorridos num momento apresentado em outro e assim vai. Isso não passa de uma apimentada no roteiro, e cabe ao espectador perceber isso e não levar pra sua vida algo visto num filme como verdade plena e absoluta. [...]

29 de March de 2007 às 20h46
  Camila

.. assisti o filme.. e realmente eh deslumbrante.. a forma que o Rei Leonidas, liderou seu povo..!!!

Muito Bom..
Nota 10

3 de February de 2008 às 12h44
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