LOS ANGELES ~ Ano passado, quando a Pixar lançou Carros 2, muita gente se perguntou se a empresa não estava perdendo a mão. Afinal, Carros nunca foi uma das franquias de maior qualidade da empresa, tendo o primeiro filme ficado apenas no nível ~interessante. O segundo nem preciso dizer o quanto foi difícil assistir, mesmo para um fã de carros e do automobilismo como eu. Só que aí você chega no Disney California Adventures (parque que faz parte do Disneyland Resort, em Anaheim, CA) e vê a ENORME quantidade de pessoas que andam pela recém-inaugurada Cars Land, fora aquelas pessoas que ficam, na MÉDIA, 140 minutos na fila para entrar na principal atração do novo setor, Radiator Springs Racers, que o motivo fica bem claro.
Provavelmente sabendo que não agradaria a todos com Carros 2 em 2011, a Pixar já preparou para 2012 um filme que, sem nenhum exagero e, ainda bem, é a completa antítese do anterior. Trata-se de Valente, que estreou no Brasil na última semana.
Em Valente, sai de cena Radiator Springs e entra uma Escócia antiga, da época em que os clãs ainda possuíam o controle de suas terras, sem o controle britânico. No lugar de protagonista não temos mais a pintura vermelha de um carro, mas os cabelos vermelhos de Merida – e que cabelos, em um dos trabalhos de animação mais sensacionais de que se tem notícia.
Não tem como não se apaixonar por esse mundo novo. Sério. Merida é filha de um chefe de clã que, por conta de sua bravura, se torna uma lenda e o Rei dos escoceses. No entanto, a ruiva não consegue se adaptar a esta nova realidade que conhece ainda criança. Prefere, como o pai, viver por aí, na companhia de seu arco-e-flecha, do que encarar as responsabilidades reais – o que deixa a mãe da garota, Elinor, completamente transtornada.
A história realmente começa quando Elinor passa a pressionar a filha para que ela finalmente escolha seu futuro marido – e futuro rei escocês. Ela, por outro lado, não quer casar. E um torneio para decidir quem leva a mão da garota está prestes a começar…
Da personalidade aos traços das mãos, a Pixar fez um trabalho incrível com Merida e seu pai, Fergus – os dois, no original, dublados por Kelly Macdonald e Billy Connolly, respectivamente. A personalidade forte da protagonista cativa, além de ser incrível ver toda a movimentação dela, dos cabelos e etcetera.
Pena que a escolha de fazer de Valente uma antítese de Carros 2 – escolha essa que pode ter sido consciente ou inconsciente – pagou um preço no roteiro, que ficou um pouco bobo, com um conflito simples e uma lição de moral que até é interessante para um filme para toda a família, mas talvez existissem outras formas de se chegar nele.
Quando o filme acaba, parece que fica um sentimento de “é só isso?”. É uma pena, já que personagens tão interessantes mereciam algo a mais. E eu não vou reclamar se a Pixar fizer uma continuação. Só é bom que desenvolvam mais o roteiro…
E qualquer coisa, encaro os 140mins de uma atração na Disneyland, ao invés de “furar a fila” como ~singlerider no Radiator Springs Racers que, só prá constar, é até legalzinho. :D
Você já tá seguindo o Judão no Twitter, Facebook, Google+ e Tumblr?! Pois deveria. ;D

