Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

A Conquista da Honra


Um lado da guerra que ninguém jamais viu

Tayra Vasconcelos

Filmes de guerra, daqueles que só servem pra mostrar o quanto os estadunidenses são sensacionais e sempre são os responsáveis por salvar o mundo, nunca fizeram a minha cabeça. Já aqueles que se propõem a contar uma história, que é fiel a algo que realmente aconteceu, e que se dispõe a mostrar que uma guerra, muito acima de armamentos pesados é composta de pessoas — que têm sentimentos, dores, e que passada a guerra, inevitavelmente, carregam traumas, esses sim, sempre me seduziram.

A Conquista da Honra é um desses que se encaixa na segunda categoria, e que se baseou na história real, de uma batalha que foi responsável por dar um “up” na auto-estima dos soldados dos EUA e de fazer o povo daquele país acreditar que a guerra poderia ser vencida por eles. O filme se passa no ano de 1945, e mostra que apesar da guerra já ter sido “ganha” pelos Aliados na Europa, no Pacífico ela ainda continuava.




A opção de Clint Eastwood foi de adaptar o livro homônimo de James Bradley e Ron Powers, que relata uma das mais importantes e sangrentas batalhas da II Guerra Mundial, na ilha de Iwo Jima, que acabou sendo a responsável por gerar uma imagem-símbolo da guerra: cinco fuzileiros e um integrante do corpo médico da Marinha erguendo a bandeira dos Estados Unidos no monte Suribachi. A imagem que correu o mundo não mostra que alguns daqueles homens morreram logo após a foto, sem jamais saberem que foram imortalizados.

A essência básica de A Conquista da Honra é a dor, real, sem encheção de lingüiça, que mostra o quanto um momento poderá ser extremamente marcante e dolorido em nossa vida para sempre, dor que tempo nenhum é capaz de apagar. Mostra o quanto uma guerra é desumana, o quanto não se importa com as pessoas que fazem parte dela. Como desrespeitam a dor de uma mãe, que sente verdadeiramente a dor de ter um filho na guerra e de perdê-lo. Essa mãe é capaz de reconhecer o filho pela alma, numa foto em que ele está de costas, mas que o instinto materno lhe diz que é o seu menino.

O filme prova que a história que é trazida até nós sempre é deturpada, comprovando o sabido ditado de que a história é sempre contada pelos vencedores à  sua maneira.




É interessante ver o quanto a crueldade da guerra consegue ir além do caráter de qualquer um, porque lá você deixa de ser você e passa a ser apenas mais um joguete do exército. Uma peça que se encaixa naquela batalha. E muitos não conseguem lidar bem com esse novo “eu”, não conseguem se enxergar como heróis e se sentem extremamente divididos, não sabem se apelam para o egoísmo e cedem à  dor, ao horror e à  repulsa que sentem vendo toda aquela violência, cuidando apenas de se proteger ou se deixam levar pela solidariedade, tentando zelar por seu companheiro e se sentindo horrível quando não consegue fazer nada para salvá-lo.

Para quem gosta de saber mais sobre o lado verdadeiro da história, o filme é uma excelente pedida e sem dúvida alguma Judão RECOMENDA muito esse filme.

Comentários
Já são 13 sobre esse post -- até agora

  Kyra

Mal posso espera pra ve o filme..parece ser muito bom!
E Victo, nao sei quando estreia Cartas de Iwo Jima, mas pelo que sei é que A Conquista da Honra conta a historia da batalha de Iwo Jima na versão americana, e Cartas de Iwo Jima conta a batalha de Iwo Jima na versão dos japoneses.

2 de Fevereiro de 2007 às 5h42
  Xico

Cartas de Iwo Jima foi o indicado, e também é do Clint Eastwood… Mas o mais interessante é que em cartas de iwo jima a situação inverte, e a historia se passa pela visão dos japoneses =]

2 de Fevereiro de 2007 às 9h51
  Raphael

Sim, são dois filmes…
Sim, do mesmo diretor…
Não, ainda não passou no cinema o Cartas de Iwo Jima…
Não ainda não passou, provavel que passe no mes que vem…. :)

2 de Fevereiro de 2007 às 10h43
  Borbs

Cartas de Iwo Jima estréia em 16 de Fevereiro (daqui duas semanas). =]

2 de Fevereiro de 2007 às 11h12
  Fábio Goulart

Até quando os cineastas vão se perfazer em cima do assunto “Guerra”?
Temos que esquecer e até apagar dos livros de História uma vergonha como essa.

Mas, o filme é bom mesmo. E eu vou olhar, fazer o que =D

4 de Fevereiro de 2007 às 9h10
  Barretão

O Borbs já tá com a matéria do Cartas na mão.. PUBLICA LOGO, MEU FILHO! HAHAH
:)

5 de Fevereiro de 2007 às 0h44
  Barretão

Xará Fábio, para os norte-americanos, a Segunda Guerra não é vergonha nenhuma. Eles se construíram por causa daquela desgraça, basearam seu modo de vida nos valores “conquistados” no conflito e veneram a vitória tanto quanto veneram seus presidentes. Uma coisa é olhar com o nosso perfil, que nunca fomos à guerra daquela maneira. Outra coisa, é olhar de dentro de uma nação que - em sua maioria - acredita em tudo isso que os filmes de guerra mostram e que cresceu ouvindo histórias de quem “esteve lá e sobreviveu”. Se você parar para pensar, os grandes homens de negócios de hoje em dia são os filhos dos soldados que lutaram na guerra e, concorde ou não, aquela merda foi fundamental na vida deles. Então, para eles, vai sempre fazer sentido…

5 de Fevereiro de 2007 às 13h28
  Daniel Felipe

“A Conquista” só foi indicado a um Oscar, de melhor edição de som.
As indicações ‘importantes’, ficaram todas pro “Cartas”.
Vlws!

7 de Fevereiro de 2007 às 12h08
  R.P.R

PRO BARRETÃO

foda-se o modo de viver deles…
foda-se os valores que eles ganharam….

foi em cima de vidas que eles conseguiram isso….

c for pensa por esse lado então os nazistas não tava taum errado né…
Afinal eles avançaram a ciencia pra caralho…

mas a que preço??

foda-se os valores deles…

americanos saum um coco :p

7 de Fevereiro de 2007 às 21h19
  Barretão

RPR

Isso não justifica nem um lado nem o outro. Outro dia me perguntaram o que eu achava do VILÃO Xerxes, do 300.. Vilão?
Cada história tem um lado, e o dos americanos é esse… eles valorizam o gênero de guerra por causa disso, e ponto final. Foi isso que eu expliquei pro colega que ficou indignado.
É aquela merda.. quem ganha é mocinho, quem perde é vilão… e é bem por aí.

E foda-se mesmo… hehehehe… eles são uma bosta mesmo… mas fazem ótimos filmes de guerra! hahaha
:)

8 de Fevereiro de 2007 às 10h44
  Seu Judas

RPR e Barretão é aquela velha história: bem e mal são apenas pontos de vista distintos…

9 de Fevereiro de 2007 às 18h03
  JUDÃO » Cartas de Iwo Jima

[...] Se alguém te disser que filme de guerra é tudo a mesma coisa, não tenha dúvidas. Encha o cidadão de porrada e vá ao cinema conferir Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, EUA / Japão 2006) e ainda corra para não perder A Conquista da Honra, dirigidos pelo magnânimo Clint Eastwood. [...]

15 de Fevereiro de 2007 às 16h42
  Inri Cristo

ALguem sabe o que aconteceu com o Iggy?

23 de Fevereiro de 2007 às 16h13
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