SÃO PAULO ~ Prostituta. Garota de programa. Mulher da vida. Dama da noite. Prima. Profissional do sexo. Puta. Os nomes são os mais variados possíveis, mas o fato é que a profissão mais antiga da humanidade está se tornando um subgênero da dramaturgia brasileira. Não que estejamos reclamando, óbvio, afinal são mais e mais novelas, filmes e séries com boas atrizes boas em cenas bem interessantes. Para ajudar ainda mais nisso, a HBO anunciou em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira que está produzindo junto com a Mixer a série nacional O Negócio, que começa a ser gravada já nesta sexta-feira. Qual negócio que é? Bom, você já sabe. ;)

Dentro do subgênero dos filmes/novelas/séries de tchutchas, dá para dizer que está também se formando um sub subgênero, o de produções sobre prostituição de alto nível. É aí que é centrado O Negócio, mas a série irá correr de forma diferente de Oscar Freire 279, outra produção da TV paga de temática parecida. Se na produção do Multishow o foco era sobre uma garota que estava entrando nessa vida, na da HBO já conheceremos mulheres descoladas nesta prática, estabelecidas, mas querendo tirar mais dinheiro dos clientes em potencial. E como fazer isso? É aí que entra o marketing.

“Existem poucas variações no mercado de prostituição”, contou Luca Paiva Mello, um dos criadores da série e também um dos diretores. “Ou elas ficam em boates ou colocam fotos em sites. Elas continuam esperando os clientes. O cafetão ainda existe, mas se chama booker, mandando as fotos por e-mail. A tecnologia chegou, mas a essência da profissão continua a mesma. Por que não fazer diferente? Por que não fazer pesquisa de mercado, por exemplo?”. Verdade. O máximo que vi uma prostituta chegar perto do cliente é naquela revista que circula nos hotéis em São Paulo. Você está lá, foleando entre mapas e dicas de teatro, quando, oops, vê uns anúncios de acompanhantes.

Juliana Schalch, Rafaela Mandelli e Michelle Batista hoje na coletiva

É essa estratégia de negócio que junta as três protagonistas, Karin (Rafaela Mandelli), Luna (Juliana Schalch) e Magali (Michelle Batista), cada uma com suas vontades e objetivos, mas com pelo menos uma busca em comum: atrair mais clientes. Por isso elas trabalham em São Paulo – onde 60% dos milionários do Brasil vivem, segundo a produção – e abrem até um escritório para ~organizar os negócios~.

Será que elas fazem teste do sofá na hora de uma contratação?

Para exemplificar como O Negócio sai do lugar comum dentro de um subgênero tão importante na nossa dramaturgia, Luca contou na coletiva um pouco do enredo de um dos episódios. Durante um caos aéreo, com voos atrasando e overbookings a rodo, as protagonistas descobrem que inúmeras pessoas abonadas estão sendo alocadas pelas companhias aéreas em hotéis, passando a noite enquanto aguardam o avião. Aí você sabe: não existe uma oportunidade maior para uma garota de programa do que um homem sozinho em uma cidade, em um quarto de hotel sem ter o que fazer. Assim, elas fazem acordos com os funcionários das companhias aéreas, que passam a entregar os contatos do ~escritório~ junto com o voucher do hotel. Sagaz.

(E eu não duvido nada que muita gente vai copiar a ideia e lucrar uma grana. Imagina na Copa!)

OooOoOoOooi Rafa!

“A ideia é completamente diferente do que já foi feito. O roteiro é extremamente refinado. Série tem uma qualidade diferente de TV, é como se fosse cinema”, contou Rafaela. Teóricos do marketing, como Kotler Taylor e Levit vão ser citados e business plans serão criados, neste que será provavelmente o programa número um nas agências de publicidade. Para você ter uma ideia, até ações específicas em casas de aluguel de smoking vão ser feitas pelas personagens. Afinal, quem aluga smoking é padrinho de casamento, e padrinho normalmente tem aqueeela importante missão pré-núpcias, né? Tudo isso, garante a produção, sem ser em diálogos chatos. Ufa.

“Quem liga pra diálogo! Vai ter peitos?”, algum leitor mais afobado deve estar falando. Não dá para saber, pois as gravações nem começaram ainda. Mas aí é só lembrar que a HBO já nos deu séries como Mandrake, que tinha a mesma qualidade de cinema comentada pela Rafaela, então é só você juntar os pontos…

Aliás, a própria Rafaela Mandelli participou de Mandrake. Se você não lembra, bom… Hora de refrescar a memória. E não é só ela que tem esse tipo de ~experiência~, já que a Juliana Schalch faz exatamente uma prostituta de luxo em E aí… Comeu?. No outro extremo, Michelle Batista recentemente deu vida a um travesti (!?) no curta A Inevitável História de Letícia Diniz.

Agora vamos juntos: OoOOoOoOi Ju!

No elenco masculino, a produção vai contar com nomes como Guilherme Weber, Gabriel Godoy e João Gabriel Vasconcelos. But, WHO CARES!?

O potencial épico de O Negócio será trabalhado durante 13 episódios que usarão como pano de fundo locações reais em São Paulo, como restaurantes, ruas, o escritório… Tudo pra dar uma cara mesmo de “grande negócio” ao duro trabalho fácil das três garotas.

A pior parte é que não há, ainda uma data de estreia definida. As gravações começam nesta sexta-feira e vão durar 20 semanas. Depois, há ainda a etapa de pós-produção. A previsão é que o lançamento ocorra em 2013, provavelmente no segundo semestre. Bom, a pré-produção começou faz dois anos, como foi dito na coletiva, então o que é esperar mais um ano para ver o produto pronto?

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