Melhor do que escrever, escrever e escrever sobre a carreira do Wendel, é deixar o próprio cara falar de sua experência. Então, Wendel, conte-nos um pouco da sua vida profissional…

    Wendel Bezerra ~ Tenho 36 anos, sou ator desde os quatro anos de idade. É que eu sou o filho mais novo de um família de cinco [irmãos], então quando eu nasci meus irmãos já faziam teatro, novela, essas coisas. Então meu irmão foi fazer uma peça e precisavam de um garoto mais novo do que ele. Eles precisavam de dois garotos, na verdade, ele e um mais novo. Minha mãe falou “tem um pequenininho aqui”, e eu tinha de três para quatro anos. Era uma peça chamada “A Gota D’Água”, com a Bibi Ferreira, Francisco Milani e tal. Eu fazia um dos filhos da Bibi. E eu entrei assim no teatro.

    Com seis anos eu fiz outra peça, chamada “Tistu, O Menino do Polegar Verde”, onde eu fazia o Tistu, com o qual eu cantava, dançava, fazia o protagonista. A partir dali, ficou evidente que eu servia para a coisa e eu não parei mais. Fazia radio novela, comercial, jingle, locução. Então, cruzando com as pessoas, falaram para a minha mãe: ‘leva as crianças para fazer teste de dublagem’. Fomos para a Álamo, para a BKS, quando eu tinha uns oito anos. Por isso eu considero que comecei a dublar quando tinha uns oito anos. Desde então eu dublo. Continuava fazendo teatro, novela, tudo que você imaginar da área artística. Mais ou menos com 16 ou 17 eu fui optando por ficar mais em dublagem, era o que eu mais gostava de fazer. Me formei em Direito, mas nunca exerci nada. Só estudei. Em 1997 eu me tornei diretor de dublagem e dirijo até hoje, sou diretor na Álamo. Um dos primeiros personagens que marcaram foi o Jamie, de uma série chamada Super Vicky, que passava na Sessão Comédia da Globo na década de 80. Também fiz Anos Incríveis, onde eu dublava o Wayne Arnold, o irmão chato do Kevin [nota: quem dublava o Kevin Arnold era a Angélica Santos, hoje esposa do Wendel!]. É muita coisa, são 28 anos, então eu esqueço.

    É tanta coisa para passar no caixa do supermercado e a atende falar “Acho que conheço a sua voz?”

    Wendel ~ Acontece. Porém, não é comum, já que a minha voz não é tão marcante. Não é rouca, é uma voz meio branca. Mas acontece das pessoas reconhecerem. Especialmente pelo Goku.

    Goku é o personagem que mais marcou a sua carreira?

    Wendel ~ Eu acho que sim. É que são coisas que marcam de formas distintas. Primeiro que o Goku era legal para caramba, de uma série que fez enorme sucesso, que eu adorava. E ele me pôs muito em contato com o fã de animê, de dublagem. Tanto é que eu faço muito evento no Brasil inteiro, palestras… Pelo menos duas vezes por mês. Muito por causa do Goku. Mas tem também o Bob Esponja, que é um personagem muito conhecido, que não tem um público como do animê, que é cativo. O Bob Esponja é muito variado. Têm idosos, têm adultos [que gostam].

    Você comentou que gosta bastante do Goku… Como surgiu a possibilidade de dublar Dragon Ball Z na Álamo?

    Wendel ~ As séries, especialmente quando elas são grandes, o cliente já as compra sabendo que é uma série boa, ou que vá ter um público grande, e pede testes de voz. Tanto como no Goku quanto no Bob Esponja eu fiz testes com mais três ou quatro dubladores. Graças a Deus o cliente gostou da minha voz, ou do estilo. Mas foi teste.

    Isso foi quando? 98, 99…?

    Wendel ~ Acho que foi por aí, 98. O Bob Esponja foi em 99 ou 2000. Acho que foi em 2000 que chegou para testes. Começamos achando que é uma série como outra qualquer. Dublamos milhares de séries. Umas fazem sucesso, outras não. Já outras nem vemos passar. Então era um trabalho como outro qualquer. Nunca sabemos qual a dimensão que vai ter, ao menos que seja uma coisa muito falada.

    E foi aí que, Dragon Ball, junto com Cavaleiros do Zodíaco, começou a atrair a atenção das pessoas para a dublagem…

    Wendel ~ Tem bastante gente que me acha nos estúdios, ligam, mandam carta… Eu até tenho o Twitter [@Wendel_Bezerra], que eu uso como uma ferramenta de contato, já que as pessoas têm curiosidade, querem saber, ouvir alguma coisa… Às vezes até ficamos impressionados quando vamos a algum evento e vemos o assédio das pessoas. Como o dublador não é um rosto conhecido, caminhamos tranquilamente em qualquer lugar. Só que quando vou para um evento, eu mesmo me assusto com o assédio, o carinho das pessoas. A internet também foi maravilhosa para fazer o dublador conhecido.

Você já tá seguindo o Judão no Twitter, Facebook, Google+ e Tumblr?! Pois deveria. ;D

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