A notícia foi bombástica. Mônica e Cebolinha, em suas versões adolescentes, casando. Algo inimaginável para muita gente que cresceu com os personagens de Mauricio de Sousa. No entanto, isso aconteceu. Está publicado em Turma da Mônica Jovem #50 (Panini Comics, 132 páginas, R$ 7,50), que chegou às bancas de todo o Brasil nesta quinta-feira, dia 27 de setembro.

E, mais uma vez, a Mauricio de Sousa Produções nos traz uma grande edição. Com muita metalinguística, o gibi brinca com as características clássicas de Mônica, Cebola, Cascão, Magali… Tudo temperado com outras características desenvolvidas na fase mangá. Existem vários momentos nos quais os leitores mais antigos não vão se pegar rindo, mas sim gargalhando. Sem falar que a arte está melhor que o habitual.

Dá para dizer, sem medo algum, que está é uma das melhores edições de Turma da Mônica Jovem – se não for A melhor. A revista acompanha ainda um pôster bem legal.

Só há nisso tudo um grande e enorme porém. A partir de agora, esta resenha trará spoilers da edição. Leia por sua conta e risco.

O casamento de Mônica e Cebola não acontece no presente. Logo no começo da edição, os dois, que mal começaram a se entender, estão discutindo por ciúmes. Nesse instante surgem Miopinho (clássico querubim míope criado por Mauricio, agora enxergando bem a atendendo pelo nome de Theo) e o Ângelo, o bom e velho Anjinho. Eles, ao verem a discussão do ~casal, vão espiar o futuro deles e… Sim, é por isso que a edição traz o casamento de Mônica e Cebola. Tudo acontece NO FUTURO.

O recurso, que é comum nos gibis (já foi, inclusive, usado para mostrar o casamento dos mesmos personagens com a Turma Clássica), rendeu uma ótima história, além dos fãs saberem como será o pedido de casamento, a cerimônia e, veja só, a rotina do casal e o momento no qual os dois descobrem que a Mônica está grávida.

A grande questão é que toda a divulgação de Turma da Mônica Jovem #50 deu a entender que o casamento seria agora, e não algo para daqui dez anos, de acordo com a cronologia dos personagens. O gibi venderá muito, mas pode ser que muitos leitores se sintam enganados ao ver que tudo aquilo não passa de um factoide para vender mais – enxergando a HQ como ruim, por mais que ela seja realmente boa.

No final, turbinar as vendas agora pode ter um efeito contrário no futuro, principalmente quando for anunciada mais um “acontecimento bombástico”. Poucos vão acreditar.

Vale lembrar que, em Turma da Mônica Jovem #34, de maio do ano passado, foi anunciado que Mônica e Cebola finalmente iam namorar. Sim, eles namoraram. Por cerca de 60 páginas, para em seguida terminar. Este é um jogo perigoso, que pode cansar os leitores.

De qualquer forma, realizar o casamento no presente também não teria sido uma boa alternativa. Casamentos em histórias em quadrinhos normalmente não dão certo, com as editoras percebendo que os personagens se descolaram da realidade dos leitores. Por isso super-heróis como Superman, Flash e Homem-Aranha não são mais casados atualmente.

Claro que nisso tudo há o outro lado da moeda. Ao envelhecer os personagens da Turma da Mônica Jovem, Mauricio de Sousa pode ter descoberto um novo nicho. Esta HQ da edição 50 claramente dialoga com um público entre 20 e 35 anos, que também cresceu lendo os gibis da turminha. No final da revista, uma carta do próprio Mauricio mostra que a “Turma da Mônica Adulta” pode reaparecer no futuro.

Não sei, mas não duvido nada que o Mauricio de Sousa pegue essa galera de 20 e poucos anos, bote uma pitada de Friends e lance um novo gibi com foco na galera mais velha.

Isso aqui pode ter sido apenas o começo…

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