Quando Titanic estreou no Brasil, no comecinho de 1998, foi uma enorme febre. Eu, confesso, não vi com bons olhos aquele filme. Provavelmente como muito que estão lendo isto aqui, eu pensei: “Como assim, ficar mais de três horas no cinema pra ver uma história de amor? Bleargh. Vale a pena pelo navio afundando”, ou algo assim.

Por este motivo fiquei anos e anos sem ver o filme. Deixei passar na TV paga e, quando finalmente a Globo exibiu Titanic (em dois dias!), me interessei em colocar no canal apenas na parte que tudo afunda. Isso sim era legal. Era, ao menos, o que eu achava.

Há uns dois ou três anos comprei aquela box comemorativo dos 10 anos de Titanic para dar de presente para a minha namorada. Eram quatro discos, arte bonita e ela é super fã do filme. Um grande presente. Junto com o box veio a obrigação: teria que ver Titanic com ela. Se é assim, vamos lá enfrentar esse monstro.

Poutz, não é que o filme é realmente legal? Sério, demorei mais de dez anos pra descobrir isso! Claro, se tivesse visto naquela época não teria achado a mesma coisa, mas hoje, entendendo um pouco mais dessa magia que é o cinema – e sem ver o Leonardo DiCaprio como o idolozinho teen das meninas na escola – tive uma outra percepção. A história de amor do Jack e da Rose é, claro, a força motriz do filme, é o que faz a história girar (e as meninas adoram), mas há muito mais em Titanic. Há a história daquelas pessoas reais, o sofrimento delas, a divisão de classes, todo o luxo se perdendo na arrogância humana, isso sem falar que aquele acontecimento é um grande fato da história da humanidade…

E, claro, há o grande esforço do diretor James Cameron e de uma equipe enorme que tornou possível recriar aquele que foi o maior navio do mundo – e afundá-lo mais uma vez.

Este ano, aproveitando os 100 anos da inauguração e naufrágio do Titanic, Cameron restaurou o filme e o converteu em 3D. Só que os eventos do centenário não acabam por aí: nesta sexta-feira, dia 14 de setembro, a Fox relança Titanic no Brasil, agora pela primeira vez em Blu-ray e Blu-ray 3D.

Este é o fim de uma moratória – quando a distribuidora retira o filme do mercado de home video – de dois anos.

Restaurar e relançar Titanic em 3D e em alta-definição é, claro, uma parte da brincadeira. Afinal, todo mundo conhece o filme – e, por mais que queiram ver novamente em HD/3D, essa não é a novidade por si só. Por isso, o lançamento está chegando com uma série de extras inéditos além daqueles já presentes no box quádruplo lançado em 2006. Na sede da Fox em São Paulo pude conferir de perto alguns destes novos extras – que totalizam mais de 3 horas de conteúdo inédito. O principal deles é o documentário Reflections of Titanic que, sozinho, tem cerca de 2 horas de duração.

Este novo documentário passa por absolutamente todos os fatos envolvendo o filme nestes 15 anos. Começa pela pré-produção (que foi iniciada em dezembro de 1994!) e aborda todos os temas, inclusive os mais polêmicos. A descrença da imprensa, que via no filme Titanic um naufrágio tão grande quanto foi o do navio real, está muito presente em cada uma das cenas e entrevistas ali colocadas.

Sabia essa cena foi gravado "ao contrário"? Bom, só vendo o documentário pra descobrir ;)

Boa parte das entrevistas foi feita este ano, no dia seguinte a pré-estreia da versão 3D na Inglaterra, e é interessante ver a visão de cada um dos envolvidos no filme após tanto tempo – isso cria uma barreira temporal que os ajuda a compreender todos os fatos e ter uma visão mais crítica do que foi feito.

A partir destas declarações e das gravações de bastidores resgatadas (algumas já presentes em outros extras), é interessante acompanhar as dificuldades desde o início, os testes de elenco, a necessidade de se construir um estúdio todo novo para o filme, as consultas aos historiadores de renome, a preocupação em fazer algo fiel à realidade, a construção de cenários, sets, maquetes, efeitos especiais…

Há ainda cenas legais de bastidores, principalmente com o James Cameron botando a mão na massa. Quer dizer, se molhando. Se molhando MUITO. Uma hora vemos o diretor no meio dos atores, na água, com o texto numa prancheta e tudo molhado… Depois, ele está lá em cima do estúdio, olhando aquela cúpula de vidro da escada principal que estava prestes a ser destruída pela água. Realmente dá para ver que todo mundo – principalmente o diretor – deu o próprio sangue.

James Cameron sem medo de água gelada

Como 15 anos se passaram desde o lançamento de Titanic, o documentário consegue ir além. Não só mostra a reação da imprensa e de todos quando o filme estreou, inclusive fazendo a produção ganhar 11 Oscars, mas mais uma vez retorna à polêmica. No caso, a polêmica é justamente relacionada a caras como eu que, há 15 anos, rejeitaram o filme porque ele TAMBÉM foi adorado pelas fãs adolescentes histéricas. Cameron, inclusive, chega a citar exemplos de homens que foram ao cinema, viram Titanic, gostaram e, depois, começaram a falar que era uma porcaria só porque era legal não gostar de algo que, do dia pra noite, estava com um monte de fãs.

Até mesmo o reflexo do filme para as carreiras de Leonardo DiCaprio e da Kate Winslet não é deixado de lado, bem como a influência para o resto da cultura pop – incluindo várias paródias.

Essa cena deve ser a que teve o maior número de paródias da HISTÓRIA =D

Chegando no presente, o documentário fala sobre a restauração do filme – que, você sabia, não tem um Master? – e o trabalho de criação da noção de profundidade para a versão 3D.

Tudo isso faz com que Reflections of Titanic seja bem legal. É raro ver um extra de um filme que é tão franco sobre a própria produção, apontando problemas, falando do que aconteceu depois… E até que é rápido quando eles falam do sucesso da música My Heart Will Go On, o que é bom já que essa música encheu o saco AINDA em 1998. =D

A única ausência sentida no documentário é justamente a do DiCaprio, que não conseguiu estar presente na pré-estreia de Titanic 3D na Inglaterra e acabou ficando fora das entrevistas.

Além destas mais de 3 horas de conteúdo inédito, o relançamento em BD agrega novas fotos (em um total de 2 mil) e os conteúdos que já haviam sido lançados nas versões anteriores em DVD – isso incluí a abertura e finais alternativos e outras 29 cenas excluídas, que foram picotados pelo James Cameron antes do lançamento porque ninguém poderia MORAR na sala de exibição para ver Titanic, né?

Ele sobreviveOHWAIT!

Versões

BD Duplo de Titanic

Talvez você não saiba, mas Titanic possui duas distribuidoras em home video. Nos EUA os direitos estão com a Paramount, enquanto no resto do mundo esse contrato está nas mãos da Fox. Isso remete ao lançamento do filme em 1997 e aos financiamentos que James Cameron precisou para fechar o orçamento gigantesco da produção.

Por isso, a arte da capa da versão nacional do lançamento de Titanic em Blu-ray é diferente de lá dos EUA – e a versão daqui é até melhor, já que deixaram de lado uma montagem meia-boca e colocaram no lugar uma das cenas mais importantes dentro do filme. Além disso, todos os conteúdos dos discos e a produção dos novos extras foi acompanhada pelo próprio James Cameron – e isso é padrão mundial.

No Brasil serão lançadas sexta-feira quatro versões diferentes: DVD duplo (o filme não cabe em apenas um disco!) por R$ 39,90; BD 2D duplo (com um disco de extras) por R$ 89,90; BD 3D quádruplo (contendo a versão em 2D, o disco de extras e DOIS BDs com a versão em 3D) por R$ 119,90 e a fodástica Edição de Colecionador, que custa R$ 179,90.

Edição de Colecionador de Titanic

A Edição de Colecionador merece um parágrafo só pra ela. Além de todos os discos da versão quádrupla, o box vem com um livro sobre o filme, cinco cartões postais com figurinos usados no longa e uma caixa especial. É esse aí em cima, como você já deve ter visto.

Se você quiser, já pode comprar qualquer uma das versões em Blu-ray de Titanic na pré-venda, é só clickar aqui. =)

Depois disso tudo você já percebeu que, depois de 15 anos, minha opinião sobre o Titanic mudou, né? Ainda assim, minha parte preferida continua sendo o navio afundando. =D

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