Apenas um mecânico. É assim que Tony Stark se define por diversas vezes em Homem de Ferro 3. Bom, não se deixe enganar: depois de três filmes (dois longas-metragens próprios e um d’Os Vingadores) todos nós conhecemos quem é Tony Stark. É só um mecânico, claro. Mas um mecânico filho da puta, rico, playboy, sem meias verdades e com um gosto por flashes e belas mulheres. Um filho da puta que adoramos AMAR.

E é esse FDP que encontramos em Homem de Ferro 3. Só que agora ele tem uma alma. Depois de conhecer a glória como Homem de Ferro, ele viu o caos. Pessoas morreram em Nova York, durante os eventos de Os Vingadores. Descobrimos (nós e ele) que não estamos sozinhos no universo. Existem forças cósmicas, aliens, deuses, titãs… Gente que pode esmagar todos nós com apenas uma mão.

Tony Stark tem medo. Pela primeira vez na vida ele tem algo para se orgulhar e alguém para amar, alguém para ele continuar ao lado, na cama, depois de acordar. E isso, cara, é o que dá MAIS medo. O medo de perder a felicidade que você tanto buscou por toda uma vida.

Assim, diria que Homem de Ferro 3 é a história de um mecânico filho da puta que aprendeu a amar e tem medo de perder. É um medo que você vê nos olhos de Tony Stark em boa parte do filme. Um medo que faz as coisas acontecerem. Um medo que o faz cair de cabeça no trabalho e fazer o melhor para proteger o MUNDO (e a Pepper Potts) de iguais as de Nova York.

Entra o Mandarim

Nesse contexto, Tony Stark não poderia ter uma noticia pior: surge o Mandarim, um ser destrutivo, que agrega tudo aquilo que os EUA fizeram de ruim em apenas um vilão. Por um motivo bem específico ele quer atacar a “América”. Ataques que o botam em rota de colisão com Tony. O negócio vira pessoal.

ISSO é interessante. Tony, o mecânico, não deveria se meter nessa briga. Não é uma briga DELE. É uma briga do mundo, um conflito contemporâneo. Tão contemporâneo que nós, aqui do mundo real, ainda temos na mente as bombas que explodiram em Boston. Não é uma briga de super-heróis, é uma briga política. Ao menos é isso que falam para o Tony Stark.

Em meio a isso tudo, Ben Kingsley está incrível como Mandarim. Sério. Vocês vão ver. Porém, não é um vilão que rouba a cena. Aliás, ALGUM DIA alguém roubará a cena do Tony Stark do Segundinho?

Há, claro, outros vilões. É um verdadeiro exército de pessoas que tiveram um experimento nano tecnológico injetado no corpo, chamado Extremis, que dá ~poderes. Só que isso não fica ruim, como muitos imaginaram quando a Marvel começou a escalar 888 vilões pro longa-metragem. Cada um tem uma função na história. Ah, sim: o Extremis é diferente daquele visto nos quadrinhos, na tentativa de deixá-lo dentro do que já foi visto no Universo Marvel nos cinemas.

Por fim, há ainda o Aldrich Killian, o outro vilão. Guy Pearce faz um trabalho decente neste papel, de um cara que surge no passado de Tony Stark. Alguém que é vítima das filhadaputices do bilionário e se torna algo MAIOR por isso.

Falando do resto dos personagens e atuações, dá pra dizer que o Máquina de Combate (ou Patriota de Ferro, nome que ele assume agora) tem uma grande importância, meio que até saindo da “asa” do Homem de Ferro. Maya Hansen, interpretada pela Rebecca Hall, também é alguém do passado do Tony. Já Jon Favreau aparece (um pouco) mais em Homem de Ferro 3 como Happy Hogan do que nos outros dois filmes.

Sobre Robert Downey Jr. e Gwyneth Paltrow, não tem muito que comentar. Afinal, esse é o quarto filme no qual eles interpretam os mesmos personagens. Todo mundo já sabe o que encontrar e que o Segundinho É o Tony Stark. O que esse filme agrega é um aprofundamento no relacionamento entre os dois. É legal ver a preocupação de um com o outro, as atitudes…

Mais físico

Shane Black realmente deixa a marca dele em todo o filme. Lembra MUITO Beijos e Tiros, o outro filme que ele fez com o Downey Jr. Ou seja, muita ação física e humor, tudo em uma dose certa, além de ter uma carga dramática maior. Tony Stark (e o James Rhodes) usam menos as armaduras por conta de tudo o que acontece na história e, por isso, lutam mais no corpo-a-corpo. O que é legal, aliás. Dá para entender o motivo do Robert Downey Jr. ter machucado o tornozelo nas gravações.

As lutas de armaduras estão lá, claro, incluindo explosões, efeitos especiais, etc. Falando em armaduras, vou contar algo que não é spoiler, já que foi divulgado em todos os lugares: são INÚMEROS os trajes. Meio que pra compensar os momentos sem eles, talvez.

Escolhas polêmicas

Claro, nem tudo é perfeito. Há algumas escolhas polêmicas no roteiro do filme. Escolhas que talvez te frustrem em um primeiro momento, ou te irritem. Eu fiquei inicialmente frustrado após uma delas, confesso. Mas pensei por cerca de oito segundos. Aí tudo ali faz sentido.

Por isso, fica a dica: quando ver Homem de Ferro 3, analise como uma visão mais ampla. Veja o que veio dos quadrinhos e está sendo bem empregado ali. E também veja aquilo que não caberia no universo que a Casa das Ideias construiu no cinema e, por isso, teve que ser adaptado.

Outro detalhe que merece ser citado é o 3D. Sinceramente? Não agrega em nada. O filme não tira proveito ALGUM da profundidade, o que é uma pena.

Bom, o que importa, no final das contas, é que temos um capítulo final nessa primeira trilogia do Homem de Ferro. Algo que fecha algumas pontas abertas no primeiro filme. Se fosse pra definir tudo isso, diria que foi uma grande trilogia de origem para o herói. É tangível a evolução do personagem e de tudo em volta.

Afinal, Tony Stark é apenas um mecânico. Um mecânico filho da puta. Mas, como disse Pepper Potts no primeiro filme, agora temos a prova de que ele tem um coração.

O filme só estreia no dia 26 de abril, mas fica a dica desde já: fique sentado na sala de cinema ATÉ o último crédito. Sim, tem uma cena no final. Afinal, essa é a Marvel Studios. ;)

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